Resenha: A ascensão do mal, de Danielle Paige

Este é o segundo livro da saga de Amy Gumm em Oz, mas uma Oz corrompida, uma terra que teve sua magia usurpada por uma Dorothy que em nada lembra a doce garotinha do Kansas. Esta também é uma terra em guerra pelo poder, onde Amy não pode confiar em ninguém, apenas em si mesma. Por ser um livro de transição, senti que ele é mais um interlúdio do que um livro que de fato contribua para a trama. Pode haver spoilers do primeiro livro, Dorothy tem que morrer.



Parceria Momentum Saga e
editora Rocco


O livro
No final do primeiro livro, Dorothy escapa de uma Cidade das Esmeraldas em chamas. Sua missão falhou e agora a Ordem dos Malvados, responsável por seu treinamento, está espalhada por Oz. Amy perdeu seus principais apoiadores, ainda que não confiasse diretamente neles, porém o que ela poderia fazer? Eram tudo o que ela tinha naquela terra estranha. Levada para fora da cidade nos braços de dois ápteros (macacos voadores) que se tornaram seus amigos, Amy precisa agora encontrar um rumo.

Resenha: A ascensão do mal, de Danielle Paige

(...) às vezes eu me perguntava se o que Dorothy, o Mágico e eu tínhamos em comum era o fato de que nenhum de nós se encaixava no local de onde viemos. Quer soubéssemos disso ou não. Talvez nós três tivéssemos nascido num local ao qual não pertencíamos e estivéssemos esperando ser encontrados por um lar que realmente pudéssemos chamar de nosso.

Página 2

Danielle Paige está de parabéns pela incrível construção de mundo nos livros da série. Oz parece mágica, vibrante, viva, quase ao alcance da mão. Não é todo mundo que consegue criar um universo complexo e mágico como esse sem cair nos longos parágrafos descritivos, estilo Tolkien. Aqui temos uma construção que não é chata nem enfadonha e você se sente inserido no enredo.

Aqui temos uma ampliação de mundo e personagens. Podemos ver, por exemplo, o reino dos ápteros, algo que não tínhamos visto no primeiro livro e temos um maior conhecimento de Ozma, a legítima rainha de Oz, que foi traumatizada por algum feitiço maligno de Dorothy. É quando compreendemos a importância dela para o equilíbrio de Oz e o quanto é importante protegê-la.

Amy amadureceu mais neste livro, apesar de continuar insuportável em alguns momentos. Nem sei se podemos culpá-la por agir assim, afinal quem é que pensaria com clareza e frieza se fosse jogada no reino de Oz e fosse obrigada a lutar por ele? A autora continuou com o trabalho da dualidade bem e mal muito bem aqui, questionando decisões e atitudes de Amy e de outros personagens, que podem ser bem idiotas em alguns momentos, mas novamente, quem nunca? Como os personagens não são de todo bons ou maus, isso deu à jornada de Amy um ar mais autêntico. Amy poderia ser qualquer uma de nós em uma situação como aquela.

Amy também se pergunta se Oz pode estar corrompendo quem ela é. Assim como ocorre com Dorothy, Amy vinha experimentando um poder ao qual nunca teve acesso e se pergunta se seu lar de verdade não é aquela terra fantástica ao invés do poeirento Kansas. Essa dúvida é algo que nos acompanha na leitura e você teme que Amy possa sucumbir ao poder sombrio que acabou com Dorothy. Mesmo sem querer admitir, elas duas têm muito em comum e isso a apavora.

Por ser um livro de transição, ele me pareceu mais um interlúdio para a grande batalha do terceiro do livro. Sabe quando você não tem a história inteira e termina o livro sentindo que poderia ter tido muito mais do que teve? O primeiro livro tem um final em aberto, mas que você releva, esperando que o próximo livro seja arrebatador. E este aqui não foi. Ele foi bem morno, até chatinho em alguns momentos já que nada é decidido aqui. Aquele começo de romance me pareceu super forçado e, infelizmente, ele continua no terceiro livro. Não dá pra fazer uma protagonista que não precise se apaixonar?

Os mesmos problemas de revisão e tradução do primeiro estão aqui. Há frases em outro idioma que não foram traduzidas, há termos errados, como a questão do cyclone que eu discuti na primeira resenha e até um erro de continuidade. Amy fala que foi expulsa da escola por causa de uma colega pirracenta (página 126). Mas o primeiro livro deixa claro que ela foi suspensa. E mais pra frente, aqui mesmo neste volume, Amy volta a falar que foi suspensa (página 208). Ué?

Eu, se fosse a editora de Danielle, teria sugerido absorver uma parte desse livro no primeiro e a outra no terceiro. Da forma como está, ele me parece mais um caça-níquel do que um livro que de fato contribua para o enredo. A tradução ficou na mão de Cláudia Mello Belhassof e, tirando os problemas com o cyclone, está muito boa. A tradutora conseguiu adaptar expressões em inglês para o português sem deixar mecânico ou inadequado para a fala de adolescentes.

(...) o medo nem sempre é racional, tá? De qualquer maneira, existe uma diferença entre ter medo e ser covarde. Pelo menos, havia uma coisa para me consolar: quem tem medo ainda deve ser um pouco humana.

Página 35


Ficção e realidade
Mais uma vez, a principal questão do livro é a dualidade bem e mal. Se o enredo original era bem claro em quem eram os mocinhos e os mauzinhos, nesta saga aqui você não tem certeza de nada. E é assim com os seres humanos em geral. Somos capazes de fazer tanta coisa boa, mas ao mesmo tempo temos exemplos de pessoas que fizeram coisas inimagináveis quando estavam em uma situação absurda. Até onde vai a linha que nos separa da maldade? É isso o que Amy está lutando para descobrir.

Danielle Paige

Danielle Paige é uma escritora norte-americana de livros para jovens adultos. Formada pela Universidade Columbia, ela já trabalhou na televisão, onde recebeu o prêmio Writers Guild of America e foi indicada a vários Emmys por seu trabalho em séries.


Pontos positivos
Ozma
Amy
Construção de mundo
Pontos negativos
Revisão
Final em aberto
Curto demais


Título: A ascensão do mal
Título original em inglês: The wicked will rise
Série Dorothy
1. Dorothy tem que morrer
2. A Ascensão do Mal
3. Tijolos amarelos em guerra
4. The End of Oz
Autora: Danielle Paige
Tradutora: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Rocco (selo Jovens Leitores)
Páginas: 234
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: na Amazon


Avaliação do MS?
Não é um livro ruim, é um livro OK, mas que nem precisava existir. Ele poderia facilmente ter sido colocado no primeiro ou no segundo, quem sabe até dividido entre eles, pois esse aqui age mais como um interlúdio entre os livros um e três do que qualquer coisa. Mas é aquela coisa, tem que ler pra entender os eventos do terceiro. Três aliens para o livro.

É bom, mas...

Até mais!👠

Já que você chegou aqui...

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1 Comentário

  1. Sua capacidade de descrever e analisar um livro, sem dar spoiler tá de parabéns

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