Resenha: Uma coisa absolutamente fantástica, de Hank Green

Depois de ver tanta gente elogiando esse livro, resolvi pegar para ler. Tem um começo divertido, personagens cativantes e muitas discussões sobre o papel da mídia, das redes sociais, o ódio desenfreado e o papel da internet na formação de opiniões. Mas e os robôs gigantes, que tanto anunciam? Bem, se você se interessou pelo livro por causa disso, com eu me interessei, não quero te desanimar, mas eles foram relegados a um último plano, bem lá trás em todas as discussões que o livro levanta.



Parceria Momentum Saga e
Editora Seguinte


O livro
Eu ainda estou tentando entender o imenso alvoroço que o livro está causando, porque não consigo ver o motivo. Tem coisas ótimas nele, mas sério, era pra tudo isso? Nossa protagonista, April May, sai do trabalho em uma startup numa madrugada e quando percebe que esqueceu o cartão do metrô, ela volta para o prédio do trabalho e se depara com uma imensa estátua de um robô que não estava lá quando ela passou.

Resenha: Uma coisa absolutamente fantástica, de Hank Green

Designer e amante das artes como é, ela liga para um amigo e pede que traga a câmera para poderem filmar o estranho robô. No dia seguinte, quando sua namorada a acorda, April descobre que virou uma celebridade e que um rio de dinheiro está entrando com os acessos e o uso do vídeo pelos canais de TV. O robô, que ela apelidou de Carl, não é o único, ele estão espalhados pelo mundo todo. E o vídeo de April e seu amigo Andy bombou nas primeiras horas do dia.

April e Andy entram numa louca espiral de entrevistas e viagens e redes sociais enquanto são alçados a celebridades instantâneas. A tímida e desencanada April se torna uma assídua usuária de redes sociais e de alguma maneira ela também se torna uma especialista involuntária nos Carls. O que eles são, são do bem? Estão aqui por que? Fica bem óbvio que eles não são uma intervenção de arte de alguém, até porque seria caro demais para uma campanha publicitária colocar tudo isso pelo mundo todo em tão pouco tempo e sem ninguém ter visto nada.

Mas ao mesmo tempo que April se torna uma celebridade, vemos a pessoa insuportável que ela é. Sério, ela é uma mala. É sem dúvida uma personagem bem construída, bem como os outros ao seu redor, no entanto ver a quantidade de cagada que essa garota faz na vida dela e na dos outros é de doer. Chegou um momento que eu queria que o livro apenas acabasse, porque eu não queria mais ler sobre ela e sua defesa dos Carls.

Devo dizer que a escrita rápida de Green contribui para o livro voar na sua mão. Você se afeiçoa aos personagens, ou quase, e fica esperando a resolução bombástica sobre os robôs. E fica esperando, e fica esperando, e fica esperando... Todas as críticas de Hank são muito pertinentes. Por exemplo, a influência das redes sociais na formação de opinião do público, o ódio extremado e sem razão de alguns grupos, onde alguns deles começam a ir além do ódio nas redes e passa para o ódio real. Mas quem estiver esperando uma grande narrativa de ficção científica, não vai ter.

O que pude garimpar do livro diz que é o primeiro de uma série, o que talvez explique aquele final que achei horrível. Algumas mensagens de união, paz e amor de April me soaram forçadas, introduzidas mecanicamente na narrativa. O livro discute muito mais o tesão de April pelos amigos do que a natureza daqueles robôs gigantes. E infelizmente, apenas a presença dos robôs não conseguiu salvar o resto do livro. Hank deveria, ao menos, ter fechado esse arco, e não fechou, para poder continuar nos livros seguintes.

O poder que cada um de nós tem de fazer com que completos desconhecidos se sintam mal, assustados e fracos é impressionante. Não foi a primeira vez que alguém me fez sentir daquele jeito, mas foi a primeira vez que aconteceu por causa da internet, e bastou para que eu quisesse sair dela completamente por um momento. Mas só por um momento.

Página 30

A edição da Seguinte está muito boa, tradução de Lígia Azevedo também. A capa segue o modelo da capa gringa e não encontrei grandes problemas de revisão ou diagramação.

Ficção e realidade
Uma coisa que o livro faz bem é falar sobre como o público fica dividido em temas de suma importância e como as redes sociais se comportam nesses casos. Imagine uma nave alienígena, no estilo Independence Day, sobrevoando todas as capitais do planeta, na era do Twitter, Instagram e Facebook? Haveria descrença, gente correndo para os lugares na tentativa de entrar em contato, gente fugindo de medo, gente achando que é tudo uma montagem, gente achando que é uma conspiração da NASA, e etc.. Hank conseguiu mostrar bem essa loucura das redes no livro.

Hank Green
Hank Green

Hank Green é youtuber e irmão de John Green, o que talvez explique o frisson em cima do livro, que é bem mediano.

O que é a realidade senão as coisas que as pessoas experimentam universalmente da mesma maneira?
Página 184

Pontos positivos
Protagonista feminina
Robôs gigantes
Diversidade
Pontos negativos
Final em aberto
A protagonista é uma mala
Robôs sem explicação

Título: Uma coisa absolutamente fantástica
Título original em inglês: An Absolutely Remarkable Thing
Autor: Hank Green
Tradutora: Lígia Azevedo
Editora: Seguinte
Páginas: 343
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Livros com robôs me cativam na hora, mas não foi o que aconteceu aqui. Cheguei ao final pedindo pelamor de deusa pra acabar, porque não aguentava mais aquela garota. Acho extremamente pertinente as discussões levantadas pelo autor, como ele inseriu tuítes e mensagens na narrativa, mas no fim os robôs gigantes ficam relegados a um segundo plano e sem explicações suficientes. Três aliens para o livro.


Até mais!

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