Resenha: A Heroína da Alvorada, de Alwyn Hamilton

quarta-feira, maio 09, 2018

E chegamos ao final da jornada de Amani, a Bandida de Olhos Azuis! A garota da Vila da Poeira está agora à frente da rebelião que precisa libertar seu país do domínio de um sultão perigoso e egoísta. Mas os desafios e as dificuldades são muitos. Poderia Amani ser capaz de unir a rebelião sem pagar com a própria vida? Como este é o terceiro livro de uma trilogia, pode conter alguns spoilers dos dois livros anteriores!



Parceria Momentum Saga e
Editora Seguinte


O livro
A situação da rebelião não poderia ser pior. Com as prisões de pessoas importantes para o movimento, Amani e Jin estão sozinhos, no comando. Já fique sabendo que a autora não tem dó de ninguém neste livro, então não se apegue demais a algumas pessoas. Ainda conhecendo e se aprofundando em seus poderes, Amani sente que não tem a força nem o carisma necessários para poder combater o sultão e os inimigos deste, já que alguns vão se aproveitar do momento de instabilidade política para atacar.


Mas antes de conseguir unir a rebelião e buscar um exército, eles precisam deixar a cidade, que está protegida por tecnologia djinni e qualquer pessoa que tenta se aproximar é praticamente pulverizada contra a barreira de fogo. Gostei muito da forma como Alwyn usou magia e tecnologia para criar este universo. Lembro de começar a ler e achar que seria uma história de gênios da lâmpada, mas o que encontramos na trilogia é um faroeste mágico, onde criaturas imortais e orgulhosas se misturam com os humanos, onde cavalos mágicos correm pelas areias.

Amani continua sendo a personagem mais importante neste livro, aliada a seus amigos, mas senti que aqui ela ficou extremamente repetitiva ao ter que se justificar por suas ações. Era o tempo todo essa garota tento que repetir para si mesma que ela estava fazendo algo terrível porque era necessário, coisa e tal. Amani, miga, você já está mostrando como a situação está difícil, se lamentar só vai te atrasar. Teve horas que eu revirava os olhos, porque foi demais mesmo.

Outros personagens continuam bem descritos, como Hala, Jin e Shazad. Gostei muito da forma como a autora descreve e trabalha com Jin e há também uma discussão bem legal sobre sexo, consentimento, primeira vez, que veio bem a calhar em um livro cujo principal público alvo são garotas adolescentes. Alwyn não tem medo de mudar os destinos de alguns de seus personagens e gostei de ser surpreendida por isso durante a leitura.

Um problema muito comum de determinados livros que concluem séries é que eles podem ou não fechar os enredos; fechar os ciclos. Tem livro que não consegue fazer isso e a trilogia parece ter ficado incompleta. Neste caso, Alwyn conseguiu amarrar as pontas soltas, fechar os ciclos de seus personagens e ainda avançar no tempo para contar sobre a situação do país que eles tanto lutaram para salvar. Você tem a sensação de que chegou a fim da história e que foi revigorante ler todos os livros.

Eu devia saber melhor do que ninguém a distância que separava as lendas da verdade. As histórias nem sempre eram contadas inteiras. Os monstros das histórias eram menos ferozes no mundo real; os heróis menos puros; os djinnis mais complicados.

Página 79

Não encontrei grandes problemas de tradução ou revisão, a edição em si está muito bonita, com uma linda capa vermelha com detalhes em dourado e um mapa (amo mapas!) no começo para você se situar na leitura.

Ficção e realidade
Uma obra de fantasia discutindo democracia, direitos civis, liberdade e fim da opressão? Sim, este livro e a trilogia em si discutem esses temas, tudo envelopado em um enredo ficcional. E aí quando você vê tags por aí dizendo que livros assim "não precisa pensar", é bem decepcionante. Você precisa pensar para ler qualquer coisa, ainda mais um universo ficcional. Livros são realidades paralelas que precisam no nosso cérebro para serem completas. O autor começa de um lado, você continua essa construção do outro, ao ler.


Pontos positivos
Protagonista feminina
Faroeste e fantasia
Universo bem construído
Pontos negativos

Repetitivo
Meio devagar até a primeira metade

Título: A Heroína da Alvorada
Título original: Hero at the Fall
Série: A Rebelde do Deserto
1. A Rebelde do Deserto
2. A Traidora do Trono
3. A Heroína da Alvorada
Autora: Alwyn Hamilton
Tradutor: Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 382
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: AmazonCompre A Heroína da Alvorada, de Alwyn Hamilton

Avaliação do MS?
Tinha muito medo de que este livro não conseguisse finalizar a trilogia. É um mal do qual muitas sagas padecem. Felizmente, Alwyn escreveu um terceiro livro que não é perfeito, mas que entrega o que promete e que te fazer querer chegar até o final. Amani é uma personagem cativante e sua história merece ser lida. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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