Resenha: Uma Dobra no Tempo, de Madeleine L'Engle

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Um dos grandes clássicos da ficção científica e fantasia chegou ao Brasil e, em breve, aos cinemas! Recusado por umas trinta editoras antes de, finalmente, ser publicado, o livro é uma mescla de ficção científica e fantasia e com uma protagonista teimosa e muitas vezes irracível, o que deve ter contribuído para a recusa de tantos editores.



O livro
Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, conversam na cozinha em uma noite tempestuosa. O vento sacode as janelas e trovões assustam Meg, que tenta esquecer o medo enquanto seu irmão lhe prepara um lanche. Sua mãe, uma cientista, desce e resolve fazer um lanche com eles também, enquanto os gêmeos estão dormindo. Charles é um garotinho especial, que sempre sabe como a irmã se sente, que algumas pessoas até considera estranho. A família, porém, é assolada pela curiosidade alheia desde que o pai, outro cientista, trabalhando para o governo, desapareceu.


É nessa noite de tempestade que alguém bate à porta. É a Sra. Quequeé, estranha, irreverente, que se abriga da chuva momentaneamente e deixa uma estranha mensagem para a Sra. Murry: o tesserato é real. Meg não compreende o que isso quer dizer, nem como Charles pode saber tanto sobre a Sra. Quequeé e suas outras amigas. Enquanto os dois cruzavam a floresta na direção da casa da Sra. Quequeé, eles conhecem Calvin, vindo de um lar infeliz e que se apega rapidamente aos irmãos Meg e Charles.

Em cada capítulo, a autora nos apresenta uma das irmãs. Primeiro conhecemos a Sra. Quequeé, depois a Sra. Quem e em seguida a Sra. Qual. E logo depois Meg, Calvin e Charles são transportados do quintal de casa. Eles vão parar em um planeta distante e as três irmãs soltam a notícia: elas precisam ajudar o Sr. Murry. Ele é prisioneiro da Coisa Escura durante todo aquele tempo e somente seus filhos podem ajudar.

Madeleine escreveu personagens incríveis. Meg, por exemplo, é de longe a melhor personagem do livro e é irritante, teimosa, chata, impaciente, adorável, tudo isso ao mesmo tempo. Madeleine pensou em planetas bidimensionais, em alienígenas incríveis, tem adultos cientistas e viagens para planetas distantes através de dimensões. Percebe-se a intensa e incontrolável criatividade de Madeleine ao criar esta série.

O escuro tem algo de tangível; é possível se mover através dele, você pode senti-lo; no escuro, você caminha e pode bater a canela; o mundo das coisas segue existindo ao seu redor. Aquilo em que ela estava perdida era o vácuo horripilante.

Página 62

Uma coisa que me incomodou foi um ar bíblico do enredo, semelhante ao que vemos em As Crônicas de Nárnia. Quando algumas explicações surgem e a autora colocou isso na frase do nada, ficou meio sem graça. Mas se ignorarmos esse lado, temos uma história sobre uma família que foi separada e que precisa se reencontrar. Tanto no tempo quanto no espaço. E quem salva essa família são as crianças. Dá para entender porque muitas crianças ficaram e ainda ficam maravilhadas com o universo colorido e criativo de Uma Dobra no Tempo.

A edição da Harper Collins está linda. Com capa dura, detalhes estrelados no miolo e no final temos um discurso de Madeleine ao ganhar um prêmio e uma biografia da autora feita por sua neta, que nos dá uma visão de sua vida e de seu processo de escrita.

Ficção e realidade
São poucas autoras ou autores que conseguem escrever com habilidade em vários gêneros. É possível perder o encanto se você muda de um lugar para o outro. Não é o caso de Madeleine. Ela consegue oscilar entre os dois lados com igual facilidade, sem perder a linha dos personagens ou do enredo. É difícil de acreditar que esse livro possa ter sido recusado por tantas editoras.


Muita gente considera que livros infantis e juvenis sejam bobos, sem conteúdo, mas a própria Madeleine disse:

Você tem que escrever o livro que deseja ser escrito. E se ele se mostrar muito difícil para adultos, escreva-o para crianças.

Pontos positivos
Viagem no tempo e espaço
Personagens bem escritos
Tesserato
Pontos negativos

Aspectos religiosos
Final em aberto

Título: Uma Dobra no Tempo
Título original: A Wrinkle in Time
O Quinteto do Tempo
1. Uma Dobra no Tempo
2. Um Vento à Porta
3. Um Planeta em seu Giro Feroz
4. Muitas Águas
5. Um Tempo Aceitável
Autora: Madeleine L'Engle
Tradutor: Érico Assis
Editora: Harper Collins
Ano: 2017
Páginas: 240
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Se você procura uma aventura para se maravilhar e para aprender com três crianças determinadas a reunir uma família, então achou o seu livro. Não apenas a edição da Harper Collins é muito bonita, como a história é cativante e o universo criado por Madeleine é rico e bem construído. O final em aberto vai te deixar com um gostinho de quero mais, por isso espero que os próximos livros cheguem logo! Quatro aliens para o livro e uma indicação para você ler também.


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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3 comentários

  1. Muito boa resenha! So nao entendi pq aspectos religiosos sutis foram classificados como ponto negativo o.O acho que todas as culturas (nisso entram as religioes tbm) sao boas e tem algo a acrescentar sla...
    Mas enfim. Otima resenha!!!

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    Respostas
    1. Significa que é aspecto negativo PRA MIM. E não pra todo o universo conhecido.

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  2. Gostei bastante da obra. Li após terminar um outro livro com tema muito pesado, e queria algo mais leve. Acho que gostei mais porque não criei expectativa em cima. Realmente tem uma influência cristã na obra, mas parece mais humanista do que moralista.

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