Resenha: Star Wars, Legado de Sangue, de Claudia Gray

O que aconteceu com a queda do Império? Leia acreditava que com o fim da repressão e da violação de direitos civis perpetradas pelo Império, a galáxia teria uma longa era de paz e prosperidade. Ela apenas não esperava a intensa politicagem que travava toda e qualquer discussão no Senado Galáctico. Sou muito fã de Claudia Gray, por isso eu sabia que teria um livro intenso e bem escrito, mas nada me preparou para essa leitura!



Este livro foi uma cortesia da Editora Aleph


O livro
A senadora Leia Organa é respeitada no Senado. Ela, no entanto, está cansada da vida política. Ela sente que nadou demais para morrer na praia, pois o Senado parece travado em discussões infinitas e intermináveis. A vontade de Leia é de largar tudo para o alto e rodar pela galáxia ao lado de Han, seu marido. Sem notícias de Luke e Ben, que treinava com o tio, Leia se sente inútil no Senado. Ela está para jogar a toalha.


Dois grupos dividiram o Senado Galáctico: os populistas, onde Leia se encontra, que acreditavam na autonomia dos planetas e os centristas, que querem um governo galáctico mais forte, com um poderio militar mais sólido. Uma das figuras em ascensão entre os centristas é o belo senador Ransolm Casterfo. Quando Leia se voluntaria para uma missão oficial em nome do governo para averiguar uma denúncia sobre quartéis em um planeta distante chamado Bastatha, ele se voluntaria para acompanhá-la. Os dois não se bicam logo de cara, ao contrário, ela logo desgosta de Ransolm ao encontrar no gabinete dele, no prédio senatorial, vários artefatos da época do Império.

Eu já fui jovem assim, um dia. Acreditei muito no poder do governo de realizar qualquer coisa. (...) Como sinto falta daquela sensação de que a justiça sempre vence no final.

Página 26

Esse embate entre os egos de Leia e Casterfo foi muito legal, pois você imagina que eles sejam amigos improváveis. Casterfo explica que ele admira alguns pontos da administração imperial, mas não defende o império e muito menos Darth Vader, que marcou sua infância sofrida e acabou sendo um fator determinante para que ele buscasse a política, sabendo que assim faria mais por seu planeta.

Claudia não foca apenas nestes personagens, existem outros senadores, os funcionários do gabinete de Leia, pilotos. Todos eles são tão bem construídos que você quer esmurrar alguns deles em alguns momentos, como a pomposa senadora Carise. Tudo o que você esperaria de um lugar burocrático, com politicagem, com trocas de favores, está presente em Legado de Sangue.

Mas nós estamos acostumadas com a ação intensa que é característica de Star Wars e Claudia também soube dosar os momentos caóticos, perseguições, cenas de ação, trazendo várias lembranças da vida de Leia e do próprio Casterfo, que vai desempenhar um papel interessante, tanto de amigo de Leia quanto de um traíra detestável que você vai querer esganar.


Leia é, certamente, quem mais se destaca. Ela continua afiada e destemida como sempre, mas amadurecida pela guerra, pela vida e pela carreira no Senado. Mas ela não consegue se livrar da sombra perversa de Darth Vader, pensando se ele realmente voltou para o lado da luz, se ele realmente morreu como Anakin. A capa da edição, por Astri Lohne, mostra essa sombra sobre ela. Há espionagem, politicagem, ação, explosões, e uma Leia que nunca perde a majestade. E claro, a sombra da Primeira Ordem começa a se formar...

A edição da Aleph está boa, com poucos erros de digitação ou de revisão. Um ou outro problema de tradução, que não atrapalha totalmente a leitura.

Ficção e realidade
Uma das coisas que Claudia Gray trabalhou muito bem em Estrelas Perdidas foi o de mostrar os dois lados do conflito entre Império e Resistência. Nem todo mundo que trabalhava para o Império era mau. Eles cresceram naquele sistema, foram educados nele, demoraram muito para ver o que acontecia de errado. Milhões de pessoas morreram nas explosões das Estrelas da Morte. Eram todos maus? Vilões sanguinários? Não, claro que não. Como sempre temos a visão dos vencedores em todas as ocasiões, acabamos não tendo noção das tragédias pessoais dos que estavam do lado de lá do front.

Claudia Gray

Neste livro, Claudia nos mostra uma sociedade em parte marcada pelas atrocidades do império, em parte desejosa do controle e do poder que dele evocava. E gente que estará disposta a tudo para poder botar as mãos em uma fatia desse poder.

Pontos positivos
Leia e Casterfo
Política
Ação
Pontos negativos
Pode ser meio lento


Título: Star Wars, Legado de Sangue
Título original: Star Wars, Bloodline
Autora: Claudia Gray
Tradutora: Marcia Men
Editora: Aleph
Ano: 2017
Páginas: 360
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Legado de Sangue é um prelúdio de O Despertar da Força. Você logo vai identificar algumas situações, algumas palavras que serão fundamentais para o surgimento da Primeira Ordem. Mas o foco aqui é a vida política da Leia e a forma como a Resistência se reorganiza, já que um novo conflito parece ser inevitável. Com personagens bem construídos e alguns deles totalmente irritantes, você vai ler este livro e vai ficar com gostinho de quero mais. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais!

Um tirano pode fazer qualquer coisa parecer ser a 'vontade do povo'.

Página 101

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3 COMENTÁRIOS

  1. Até hoje não li nenhum dos livros de Star Wars, mas gostei da resenha! Acho que já passou da hora de começar a ler, além de assistir. Gosto da saga e de saber mais.
    E Leia é uma de minhas personagens favoritas nesta saga.

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  2. Acabei de ler esse livro. E que leitura boa! Cláudia Gray está de parabéns mesmo. Ela conseguiu colocar em palavras a princesa Leia que assistimos na trilogia Clássica. Um dos melhores livros do novo canon, com certeza!

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