Resenha: Estrelas Perdidas, de Claudia Gray

quinta-feira, setembro 15, 2016

Por não ter tanto apelo por Star Wars, eu pego os livros da saga para ler sem nenhuma expectativa. E de todos os que li até o momento, Estrelas Perdidas é o melhor deles. Os personagens são cativantes, a construção do enredo é perfeita e entrelaçada com os eventos da trilogia original. É aquele livro que nos faz ver várias coisas que passam despercebidas nos filmes e para os que gostaram de O Despertar da Força.



O livro
Oito anos após os eventos do Episódio III: A Vingança dos Sith, o império está expandindo seu poder e se consolidando em planetas cada vez mais distantes. Thane e Ciena são crianças, vivendo em um desolado planeta, chamado Jelucan. Duas levas de colonos criaram uma sociedade que compete entre si. As pessoas dos vales, que valorizam a honra acima de tudo, como Ciena, são menosprezadas por aqueles que vivem na cidade, como Thane, tidos como cosmopolitas, ricos, classe média.


Todos deveriam amar o imperador Palpatine. Todos diziam que ele era a pessoa mais corajosa e inteligente da galáxia, que era ele quem havia trazido a ordem depois do caos das Guerras Clônicas. Thane se perguntava se tudo isso era verdade.

Página 12

Os dois amam voar, amam as grandes naves que veem cruzar os céus de Jelucan e sonham em poder voar pelas estrelas. Thane sonha em deixar o planeta para sempre para nunca mais voltar e Ciena almeja a honra absoluta servindo ao império e em suas naves. Desta forma, eles acabam se conhecendo, desenvolvendo uma grande amizade e ingressam juntos na academia imperial, em Coruscant.

O leitor acompanha o crescimento deles em diversas idades e situações. Já adolescentes, eles deixam seu planeta e conhecem a imensidão urbana de Coruscant e começam a ter noções de como o Império age. Até então, tudo é lindo e maravilhoso do ponto de vista deles e a Rebelião não passa de terroristas sanguinários. Muito exigidos na academia imperial, o primeiro incidente que faz Thane ver o Império de outra forma quase acaba com sua amizade com Ciena.

Mesmo indo servir em lugares diferentes, os dois mantém a amizade e veem crescer um amor que sempre esteve ali. No entanto, as circunstâncias os impedem de ficar juntos, em especial o juramento de Ciena para com o Império e sua confiança irrestrita nele. Thane já vê de maneira diferente, especialmente quando vê outros povos sendo escravizados. E é aqui que entra a incrível relação destes dois personagens: Thane se desilude e resolve desertar, Ciena permanece fiel e ascende na hierarquia.

Vemos os eventos que ocorrem nos filmes, como a destruição de Alderaan e da primeira Estrela da Morte do ponto de vista deles e chega a irritar a forma como eles servem ao império, sem questionamento. E como poderia ser diferente? Eles cresceram naquele mundo, acreditando nas mentiras contadas e repetidas, nós é que tivemos a visão dos vencedores. O ponto alto do livro é como a verdade é, aos poucos, mostrada a eles e suas reações.

Ciena Ree

Outro ponto alto é a desconstrução do estereótipo de bonzinhos X mauzinhos. Estamos acostumados a achar que no Império só tem gente ruim, mas não é o que o livro nos apresenta. Bondade e maldade existem em qualquer relacionamento humano, organização ou governo. Pessoas boas acabaram indo trabalhar para o Império sem saber das atrocidades por ele cometidas, que é o que Thane presencia ao ver escravos sendo tratados com violência.

Ficção e realidade
A história costuma ser escrita pelos vencedores. Imagine como seria o mundo se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial? O Império era a força hegemônica da época e escreveu a história como bem entendeu. Mas a Aliança Rebelde também matou para chegar ao poder. Quantas milhares de vida foram mortos na explosão das Estrelas da Morte?

Um dos principais ensinamentos do livro é justamente o de reconhecer que as coisas não são "preto no branco", que tudo tem mais tons de cinza do que podemos crer ou que nos fazem crer. Ciena não trairia seu juramento, mesmo sabendo que muita coisa no Império estivesse errada. Ela acreditava que as ações de boas pessoas poderiam mudá-lo, por dentro. Mas a presença maligna do Imperador e de Darth Vader jamais permitiria qualquer mudança.

Pontos positivos
Escrito por mulher
Ciena e Thane
Protagonista feminina
Pontos negativos
Final em aberto
Perde ritmo em algumas partes

Título: Estrelas Perdidas
Título original: Lost Stars
Autora: Claudia Gray
Editora: Seguinte
Páginas: 444
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
O livro foi classificado como um romance YA, o que pode afastar muita gente da obra, por puro preconceito com YA. É um dos melhores livros de Star Wars que já li, com personagens cativantes e um enredo paralelo ao que conhecemos nos filmes, com suas situações familiares. Thane e Ciena são personagens incríveis e Claudia Gray trabalhou muito bem os conflitos pessoais dos dois, bem como amor que sentiam um pelo outro. Sem estereótipos, sem situações forçadas. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Me senti representado com esta resenha. Dos melhores livros que li este ano. Seja na construção dos personagens, seja na trama, seja nas referências. PArabéns pelo texto e pela analise ótima.

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