Resenha: Atômica, A Cidade Mais Fria, de Antony Johnston e Sam Hart

sexta-feira, novembro 03, 2017

Não queria resenhar a HQ da DarkSide sem antes ver o filme. E olha, é tiro, porrada e mais porrada no longa com Charlize Theron. As duas obras tratam basicamente do mesmo assunto, mas possuem um desenvolvimento diferente. Acredito que valha à pena ler a HQ antes ou depois de ver o filme para poder comparar como as duas foram pensadas.



Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


A graphic novel
Sugiro ler a resenha ouvindo esse hino!


Passando-se nos anos 80, na tensão que antecedia a queda do muro de Berlim, uma agente do MI6 é interrogada após as ações que aconteceram em Berlim. As grandes agências de espionagem estão envolvidas e estão atrás de uma importante lista que contém os nomes e missões de agentes em operação na Europa. Se alguém puser as mãos nessa lista, terá informação irrestrita nas mãos. Lorraine Broughton (interpretada por Charlize no filme) é a agente do MI6 enviada a Berlim para investigar a morte de um agente britânico e recuperar a tal lista. As coisas, porém, não saíram do jeito que se esperava.


Há um agente duplo passando informações do MI6 para outras agências ou para quem pagar o preço. Então certamente há uma correria atrás da lista e também para pegar o tal agente duplo. Os cenários são sombrios, soturnos, o traço não contém floreios e todos os quadros são em preto e branco. Com a ajuda de um agente chamado David Percival (BER-1), sua missão começa na agitação social que precede a queda do Muro. Sem saber em quem confiar, nem mesmo em seu parceiro, Lorraine conta com a ajuda do agente francês (interpretada por Sofia Boutella, mas que na HQ é um cara).

O filme conta com grandes cenas de luta e ação com Charlize Theron e uma fotografia incrível. Eles conseguiram captar a essência dos anos 80, mas não o deixaram brega. Na HQ também não temos esse ar de breguice nostálgica, mas também não temos as cenas de porradaria. Nas páginas o que nós temos é um típico ambiente de espionagem, com estratégia e diplomacia ao invés de "sangue no zóio".

Não que a graphic novel seja ruim, mas são duas maneiras diferentes de contar a mesma história, sem que a qualidade se perdesse. Antony Johnston criou um enredo intrigante que tem uma reviravolta inesperada no final, tal como no filme. O traço minimalista de Sam Hart, com um ar noir, pode desagradar algumas pessoas que gostariam de ver cenas mais elaboradoras. Talvez por isso o filme seja tão repleto de cor em alguns momentos, com decoração em neon.


A edição da DarkSide está caprichada, com capa dura exclusiva para a edição brasileira e detalhes de arames farpados com fundo rosa no miolo. Porém, não há marcações dos diálogos em alemão ou russo. Todos eles estão litados no final da edição e você precisa interromper a leitura para ir até o final ver o que o personagem quer dizer.

Ficção e realidade
Charlize Theron ficou muito impressionada com a graphic novel quando a leu, tanto que ela tocou a produção do longa (Charlize é dona da produtora do longa) e encarnou a protagonista que é uma das mulheres que mais sentou porrada em telas. As cenas de luta são todas impressionantes, deixando nada a desejar se comparada ao James Bond ou a Ethan Hunt. Uma das mais longas cenas de pancadaria é perto do final e é interessante que ela sai da luta quase tão arrebentada quanto os caras que ela caceteou. Ela é humana, também apanha, mas bate. E bate muito!

Quebra tudo, Charlize!

Imagino que com a iminente queda do muro, o caos se instalou para todos os espiões que ganhavam a vida em Berlim naquela época. Você nota um certo nervosismo da parte dos personagem, seja nas páginas, seja na tela. Eles sabem que muitos segredos estão prestes a ser revelados e há uma corrida para vendê-los.

O filme
A agente Lorraine, tal como está na graphic novel, foi interpretada de maneira muito fria e racional por Charlize. E não se engane, o que você pode achar que foi um erro dela no meio do filme será explicado mais para o final com a reviravolta na trama. A decisão de tornar o agente francês em uma mulher e fazer as duas se relacionarem foi para mostrar - segundo os próprios produtores e roteiristas - que Lorraine é tão empenhada em sua missão que vai cooptar qualquer pessoa para o seu lado.

Outro destaque do longa é a fantástica trilha sonora com grandes clássicos dos anos 80 como George Michael, Queen, New Order e Siouxsie And The Banshees. Vale à pena dar uma ouvida depois no álbum inteiro!

Pontos positivos
Muro de Berlim
Espionagem
Lorraine
Pontos negativos

Traço minimalista
Pouca ação

Título: Atômica, A Cidade Mais Fria
Título original: Atomic Blonde: The Coldest City
Autor: Antony Johnston
Ilustrador: Sam Hart
Tradutor: Érico Assis
Editora: DarkSide
Ano: 2017
Páginas: 176
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Minha sugestão: leia e assista o filme. Veja como o filme adaptou a graphic novel. Charlize Theron encarnou uma agente Lorraine de maneira bombástica. Para quem gosta de uma boa história de espionagem, essa é sua obra. Os diálogos são mais robustos do que o que estão no filme, o estilo é mais minimalista, a intriga internacional, o jogo delicado entre espiões, são todos cativantes. Quatro aliens para a graphic novel e para o filme e uma forte sugestão para você ler e assistir também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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