Resenha: And I Darken, de Kiersten White

quarta-feira, novembro 01, 2017

Lembro de ter visto a indicação deste livro em uma lista para quem tinha gostado do filme da Mulher-Maravilha e queria ler obras com personagens femininas fortes e que lutavam pelo o que queriam. Quando li a sinopse e vi que a protagonista era a filha de ninguém menos que Vlad, o Empalador, príncipe da Valáquia, logo me atraiu. Quem não ligou o nome à pessoa, Vlad foi a inspiração de Bram Stoker para a criação do personagem Drácula!



O livro
Lada e seu irmão Radu são filhos do príncipe da Valáquia, Vlad. Lada não gosta de ser subestimada, é uma garotinha de atitude, extremamente inteligente, que aprende a lutar cedo e costuma discutir mais com os punhos do que com palavras. Ela não tem o padrão de beleza que os nobres gostam, tanto que quando ela nasceu, sua ama rezou, pedindo que ela não fosse bonita, ou seria apenas um peão no imenso jogo de poder do qual Vlad fazia parte.


Mas Vlad não tem amor ou dá atenção aos filhos. Lada quer, antes de qualquer coisa, conquistar a admiração do pai, mas quando ela e Radu são entregues à corte do sultão otomano, Lada percebe que seu pai faria de tudo para se manter no poder, até mesmo se desfazer de seus filhos, tomados como refém no palácio, para mantê-lo na linha e subjugado. Lada, por sua vez, não aceita ser dominada por nada nem por ninguém e reluta em se adaptar à corte, bem diferente de Radu, que se torna um belo rapaz, que atrai a atenção por onde passa.

Havia momentos na leitura que eu queria sacudir Lada pelos ombros para que ela deixasse de ser tão turrona, tão irascível. Quando sua primeira menstruação chega, ela queima roupas e lençóis todas as noites, pois sabe que é um sinal de que está pronta para o casamento e chega a agredir uma serviçal quando a flagra queimando os tecidos na lareira. Ela e seu irmão Radu se tornam bons amigos do filho do Sultão com uma concubina, Mehmed, o que lhes dá uma camada de proteção contra aqueles que os odeiam no palácio. Mas Lada se recusa a se sentir confortável. Ela se recusa a se deixar dobrar, a se deixar ser casada com um nobre qualquer.

Lada e Radu foram brilhantemente bem construídos por Kiersten White. Aliás, praticamente todos os personagens estão bem construídos, você pode senti-los claramente e é possível amar, se irritar e querer socar alguém a cada página virada. A paixão de Lada pela Valáquia e seu desejo de tornar o principado um lugar próspero é o que norteia sua vida, mas tudo o que se refere ao feminino é um mistério para ela. Então, o que Lada não entende, ela odeia. Odeia profundamente.

Ela passa seus dias lutando no pátio dos janízaros, a força de elite do sultão, composta apenas por rapazes do reino todo. Eles são basicamente escravos assalariados, pois não podem recusar o serviço quando são levados contra vontade para lá. Mas em qualquer lugar que ela vá, dentro do império otomano, Lada se sente uma estrangeira e o pior, uma mulher, a quem ninguém dá valor ou razão. Essa visão da mulher que só servia para concubina ou esposa foi bem criticada no livro, e por várias vezes me identifiquei com Lada, que se recusava a se dobrar dessa forma. Ela queria ser quem quisesse ser.

A pesquisa da autora também foi bem feita. Ela tomou liberdades literárias a respeito de Lada e Radu, mas praticamente todos os personagens históricos estão lá. Gente que de fato existiu. A intenção de Kiersten era tornar Lada a empaladora, a terrível, e não seu pai, que sai logo de cena. O modo como Lada despreza os otomanos luta diretamente com seu amor por sua terra, por seu irmão, por seu pai. São sentimentos conflituosos, que uma adolescente terá dificuldades de lidar, especialmente alguém tão passional quanto Lada.

Eu li o ebook em inglês, mas não se preocupe, o livro já foi traduzido pela Plataforma 21!

Ficção e realidade
Vlad, o Empalador foi a figura cruel e real que serviu de inspiração para Bram Stoker criar o mais famoso vampiro da história, o famigerado e incompreendido Drácula. Drácula vem de Drakulya, significa "filho do dragão", uma referência a seu pai, Vlad II Dracul, que recebeu este apelido de seus súditos após ter se juntado à Ordem do Dragão. Ele é mais conhecido por sua luta contra o expansionismo muçulmano na Europa e por ser extremamente cruel ao punir seus inimigos.

Kiersten White

Foi uma escolha muito original da autora em passar essa crueldade para uma filha. Ninguém espera que uma princesa seja cruel, mas é isso o que Lada é. Até na hora de amar ela é cruel, como no dia em que o tutor bateu em seu irmão Radu para fazê-la reagir. Se ele visse que ela não se importava com Radu, ele pararia de espancá-lo para tentar atingi-la de outra forma. É ou não é um amor cruel?


Pontos positivos
Lada e Radu
Bem escrito e pesquisado
Personagens históricos
Pontos negativos

Pode ser devagar em algumas partes
Violência

Título: And I Darken
Título em português: Filha das Trevas (Plataforma 21)
The Conqueror's Saga
1. And I Darken
2. Now I Rise
3. (sem previsão)
Autora: Kiersten White
Editora: Delacorte Press
Ano: 2016
Páginas: 475
Onde comprar: Em inglês ou em português

Avaliação do MS?
Poucas personagens consegue me empolgar do jeito que Lada e sua passional história de vida me empolgaram. Essa é sua principal característica, ser passional. É assim que ela leva a vida, queimando a todos que convivem com ela, às vezes ferindo e magoando. Estou bem ansiosa para ler a continuação. Se você quiser ler em português, Filha das Trevas já está à venda! Cinco aliens para o livro e uma forte indicação para você ler também.


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





Leia esses também...

0 comentários

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.
O mesmo vale para comentários:
- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.
A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.

Curta no Facebook

Viajantes