10 coisas que você não sabia sobre Blade Runner, o Caçador de Androides

domingo, setembro 17, 2017

Blade Runner, o Caçador de Androides (1982), é um dos grandes clássicos de ficção científica. Baseado no conto de Philip K. Dick "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?", o que hoje é um film cult foi um retumbante fracasso na época de seu lançamento. Com 28 milhões de dólares de orçamento, o filme arrecadou apenas 34 milhões, mal conseguindo pagar por sua produção.




Isso prova que filmes bons não necessariamente bateram recordes de bilheteria. Com um design arrojado e uma proposta que questiona a humanidade através das figuras dos androides, Blade Runner tornou-se padrão para muitas produções seguintes.

👉 O design de Blade Runner

10. Philip K. Dick
O longa é baseado, não totalmente, no conto de Philip K. Dick, um dos escritores mais adaptados para o cinema. Ridley Scott não leu o conto antes de começar a produção. Philip não ficou chateado com isso, mas ele odiou a primeira versão do roteiro. O autor não gostou nadinha de terem tirado todas as discussões e sutilezas de seu conto para fazerem uma rixa de androides. A segunda versão, por sua vez, deixou Philip muito satisfeito com o trabalho do roteirista, David Webb Peoples, que é a versão que conhecemos.

9. Blade Runner
O título do filme veio de um outro livro, que nada tem a ver com o enredo tanto do conto de Dick quanto do filme de Scott. The Blade Runner, de Alan E. Nourse, foi lançado em 1974 e planejava-se fazer um filme baseado nele e no trabalho de William S. Burroughs e contava a história de um mercado paralelo de serviços médicos. O título original do filme de Scott era Dangerous Days, que dá nome ao documentário Dias Perigosos - Realizando Blade Runner (2007).

8. Dizem que é amaldiçoado
Uma das coisas que mais chama a atenção no filme são os imensos outdoors com logos de grandes empresas e todas elas passaram por grandes dificuldades financeiras nos anos seguintes ao lançamento do longa: Pan Am, RCA, Atari e Bell Phones, além da Coca-Cola. A New Coke, em 1985, foi um tremendo fracasso.

7. Dustin Hoffman
Para o papel de Rick Deckard, meia dúzia de atores foi considerada. Robert Mitchum, Christopher Walken e Tommy Lee Jones foram os primeiros nomes apontados. Mas Ridley Scott virou a mesa ao indicar Dustin Hoffman para o papel do protagonista. O próprio diretor admitiu algum tempo depois que ele não tinha a típica postura de um herói de ficção científica. Ainda assim, o ator trabalhou por vários meses com a equipe da produção e acabou largando tudo em outubro de 1980.

6. Olhos brilhantes
O famoso efeito dos olhos brilhantes, característico dos androides, foi conseguido através da técnica inventada por Eugen Schüfftan, chamada de Processo de Schüfftan. Usada pela primeira vez em Metropolis, de Fritz Lang, o efeito é conseguido ao colocar um espelho em um ângulo de 45 graus da câmera, refletindo um feixe de luz direto nos olhos dos atores.

5. Replicantes
Esse termo não foi usado no trabalho de Philip K. Dick, que usa o termo "androides" ou "andies" em seu conto. O roteiro, por sua vez, deixou esses termos de lado, pois acreditava que a audiência os consideraria cômicos demais. A ideia para o uso do termo replicantes veio da filha do roteirista David Webb Peoples, chamada Risa. Na época, ela estudava microbiologia e bioquímica e mostrou ao pai a Teoria da Replicação, na qual células são duplicadas para propósitos de clonagem.

4. Cobra
No conto de Dick, os animais estão todos extintos, algo que é mencionado no filme de maneira bem sutil. A principal referência é a cobra de Zhora, que responde à pergunta de Deckard sobre a cobra ser real: "acha que eu trabalharia nesse lugar se pudesse pagar por uma verdadeira?" Na primeira visita de Deckard às indústrias Tyrell, ele pergunta à Rachel se a coruja é uma cópia replicada e ela responde: "claro que é." No conto de Dick, as corujas foram as primeiras a serem extintas.

3. O Homem do Castelo Alto
A primeira ideia para o conto veio quando Philip K. Dick estava pesquisando para seu aclamado livro O Homem do Castelo Alto, em 1962. O autor teve acesso a vários arquivos da Gestapo na Universidade da Califórnia em Berkeley, incluindo diários dos homens da SS na Polônia, que descreviam o dia a dia dos campos e a crueldade para com os prisioneiros de maneira casual que chocou o autor. Uma passagem do livro era: "ficamos acordados a noite toda por causa do choro das crianças que estavam morrendo de fome." Essa citação o levou a pensar que os nazistas teriam algum problema cerebral que os levava a não ter nenhuma empatia e que assim o termo "ser humano" não se aplicava a eles, mesmo que eles tivessem a forma e a aparência de um ser humano. Daí veio o conceito dos androides.

2. Deckard é replicante?
Segundo o diretor, é sim. E para grande parte da audiência também. Na versão do diretor, não a versão dos cinemas, há uma cena em que Deckard sonha com um unicórnio e depois, Gaff (Edward James Olmos) lhe deixa um unicórnio de origami para que ele encontre. A ideia é que Gaff leu os arquivos sobre a vida de Deckard e soube sobre os sonhos, pois eles foram implantados em seu cérebro positrônico.

1. Mas...
Para Harrison Ford é importante que a audiência entenda que Deckard é um ser humano com quem pudesse ter uma ligação emocional. O ator ainda disse que para Ridley Scott - que considera esse o seu filme mais pessoal e completo - esse fator não tinha importância. Segundo o próprio Scott, Ford desistiu dessa visão uns anos atrás.

Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.


Bora assistir?

Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Oiew ! Encontrei seu blog através de entrevista sua de podcast. Comprei a ideia que precisamos ler mais mulheres! ♥ gratidão ! excelente texto!

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