Resenha: As Tumbas de Atuan, de Ursula K. Le Guin

terça-feira, agosto 15, 2017

As Tumbas de Atuan é o segundo livro do Ciclo Terramar. Interessante pontuar que Ursula nunca quis escrever uma sequência para O Feiticeiro de Terramar. Ela explica seus motivos no posfácio para voltar a escrever e como o livro era inovador para a época em que foi escrito, já que dessa vez temos uma mulher como protagonista.



Parceria Momentum Saga e
editora Arqueiro


O livro

Tenar nasceu predestinada. Com apenas seis anos ela foi retirada da família, tendo sido nomeada Sacerdotisa Única assim que nasceu, reencarnando a sacerdotisa anterior. Seu nome lhe é retirado e ela é nomeada Arha, a guardiã das Tumbas de Atuan, lugar sagrado dos Inominados, poderes antigos e sagrados da Terra antes da Luz, os poderes da escuridão.


Crescendo de maneira austera, porém privilegiada por sua posição, Tenar nada se lembra da família. É dela a incumbência de realizar sacrifícios nas Tumbas e de guardar os caminhos do labirinto que levam à sala do tesouro das tumbas. Nela está guardada uma relíquia há muito perdida e objeto de busca de muitos aventureiros: o Anel de Erreth-Akbe.

Este livro expande o universo do primeiro livro ao mostrar outros povos, outras visões, outras terras. E traz Ged novamente, o Gavião do primeiro livro, que está atrás do Anel e entra no Labirinto sob as Tumbas em busca dele. É então que ele é pego por Arha, ao profanar as trevas sagradas e vira seu prisioneiro. Mesmo o mais poderoso feiticeiro que Terramar já tinha visto não conseguiu sair das tumbas. Ele está totalmente à mercê dela.

Tenar é jovem, curiosa e acaba alimentando e dando abrigo a Ged enquanto pensa no que fazer. A tradição manda que ele o mate e lhe ofereça em sacrífico aos Inominados, mas algo a impede de fazer isso. E há também as outras mulheres, outras sacerdotisas, que estão vigiando suas ações, esperando que ela mate logo o prisioneiro. Como Arha deve agir agora, depois de uma vida inteira aprendendo que magos e homens são proibidos, são seres inferiores, bárbaros?

A maioria das coisas envelhece e perece com o contínuo passar dos séculos. Pouquíssimas são as coisas que continuam preciosas, ou as histórias que ainda são contadas.

Página 56

Para a época em que foi escrito, tanto O Feiticeiro de Terramar e As Tumbas de Atuan, foram bem modernos. Mas o que funcionou bem em O Feiticeiro, não funcionou bem aqui. Entendo o tom paternalista de Ged com Tenar em alguns momentos como sendo um fruto da época em que foi escrito (e Ursula explica um pouco sobre isso no posfácio, mas me incomodou bastante). Este livro, porém tem bem menos ação, bem menos momentos de ambiguidade e luta quanto o primeiro. Senti que ele caiu muito da segunda metade em diante e o final terminou em aberto, além de óbvio, depois de toda uma expectativa criada pela autora. Não há surpresas no livro, você já sabe o que vai acontecer desde o começo, diferente do primeiro livro onde ela demora a entregar o jogo.

Tenar é uma ótima personagem, mas a força que a autora lhe deu no começo desvanece na segunda metade do livro e você acompanha um rascunho de Tenar para que Ged acabasse tendo mais destaque. Ambos os personagens são bons, são fortes, então por que Ursula escolheu esse caminho? Isso me desagradou muito durante a leitura, que acabei terminando à força. Tirando isso, o livro está bem diagramado, com poucos erros de tradução ou revisão e uma bela capa da artista brasileira Ursula Dorada.

Ficção e realidade
O livro fala, especialmente, sobre crescimento, amadurecimento, erros a se cometer e o que se aprender com eles. Achei bem interessante o fato de Ged, um feiticeiro renomado e o mais poderoso de toda Terramar, acabar preso no labirinto sob as tumbas e depender exclusivamente de uma adolescente para poder viver, estando sob seu jugo e misericórdia. Até mesmo o mais forte de todos comete erros. E Tenar, apesar de sacerdotisa e de achar que conhecia o mundo, percebeu que conhecia muito pouco dele. Quando a gente jovem, é exatamente assim que nos sentimos.

O que havia começado a aprender era o peso da liberdade. A liberdade era um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito carregar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim.

Página 143

Pontos positivos
Tenar e Ged
O labirinto
Tem mapa!
Pontos negativos
É lento
Final em aberto


Título: As Tumbas de Atuan
Título original: The Tombs of Atuan
Ciclo Terramar
1. O Feiticeiro de Terramar
2. As Tumbas de Atuan
3. A Praia Mais Longínqua
4. Tehanu, o Nome da Estrela
5. Num Vento Diferente
Autora: Ursula K. Le Guin
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 160
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?

Não sei se tive uma expectativa alta demais com o livro, mas fiquei bem infeliz ao chegar ao final e ver uma sombra da Tenar que começou o livro. Com dois personagens tão bons, Ursula não tinha porque enaltecer um e diminuir o outro personagem. Tenar certamente merecia mais. Este livro não depende dos acontecimentos do primeiro, então você pode ler sem medo de spoilers. Três aliens para As Tumbas de Atuan.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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