Resenha: A Espada de Herobrine, de Jim Anotsu

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Comprei este e outro livro do Jim na Bienal de Minas neste ano e demorei um pouco para ler, me arrependendo logo em seguida por isso. Adoro a escrita do Jim e o considero uma das grandes vozes da ficção especulativa no Brasil. Já faz um bom tempo que não jogo Minecraft, mas mesmo que você nunca tenha quebrado bloquinhos no jogo, não terá problemas de entender o enredo básico. E ficará com uma pulga atrás da orelha. Quem sabe assim você se joga no mundo pixelado?



O livro
Arthur e sua irmã Mallu são adolescentes. Arthur é aquele típico garoto que acha que os gostos da irmã são bobos, coisa de criança, como ficar na frente do computador o tempo todo jogando Minecraft. Além disso, por ser o mais velho, é obrigado a cuidar dela toda vez que os pais precisam sair.


Enquanto preparava o jantar para os dois, reclamando da irmã em seus pensamentos, ele encontra uma coisa arcaica e esquecida na gaveta de talheres: um disquete (lembra disso??). A letra na etiqueta era de seu pai, mas foi para Mallu que Arthur foi questionar o porquê do disquete estar ali. Quando colocam o disquete no computador, eis que eles são transportados para dentro do jogo! Foram transportados para o Mundo da Superfície. Começa aí uma aventura dentro do universo pixelado de Minecraft e quem comanda a maior parte das ações é Mallu, profunda conhecedora do game.

Zumbis, creepers, endermens, monstros que povoam o universo de Minecraft aparecem aqui e acolá, enquanto Mallu precisa usar de toda a sua agilidade e conhecimento para manter a si mesma e seu irmão vivos. Eles se deparam com um povo dominado e assustado por figuras como Herobrine e o Rei Vermelho. Este último é um usuário como eles, mas que toca o terror no Mundo da Superfície. A única maneira que de voltar para casa é conseguir a Espada de Herobrine, isso se o Rei Vermelho deixar.

Jim escreve muito bem e suas personagens femininas sempre são fortes, sem os estereótipos típicos. Mallu lidera, luta e se arrisca para salvar as pessoas, enquanto seu irmão demora para entender o que está havendo. De quebra, Jim faz críticas sociais, de como não devemos julgar pelas aparências, de como unidos somos mais fortes.

Minha crítica principal é para a revisão da editora. Não é o primeiro livro da Nemo que leio e que tem vários problemas de revisão, de cacofonia e de pleonasmos. Isso deixa a narrativa com um ar amador e sei bem que não é um problema com o autor. Achei o final muito apressado, esperava uma resolução um pouco mais elaborada. Entre os capítulos estão algumas informações importantes sobre o jogo e pensamentos da Mallu.

Ficção e realidade
Acredito que muita gente já se imaginou caindo no universo de seus jogos favoritos. Admito que eu mesma já tentei imaginar como seria viver no universo de Starcraft, um dos meus favoritos. Os games, assim como os livros, nos trazem a imersão em mundos e pessoas diferentes. Mas o livro nos mostra que não é porque conhecemos o jogo que seremos bem sucedidos logo de cara. Imprevistos acontecem.

Minecraft tem um ar simplista, mas dentro dele é possível construir mundos inteiros com seus blocos pixelados. Não se deixe enganar pela aparente simplicidade das coisas, elas podem esconder muitos segredos e diversão.

Pontos positivos
Minecraft
Mallu
Personagens bem construídos
Pontos negativos
Revisão falha
Final apressado
Acaba logo

Título: A Espada de Herobrine
1. A Espada de Herobrine
2. A Vingança de Herobrine
Autor: Jim Anotsu
Editora: Nemo
Páginas: 206
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Gostaria que o livro fosse maior (e melhor revisado), mas tenho que constantemente lembrar que ele não é para a minha faixa etária. Mesmo quem não conhece o jogo conseguirá ler este livro. Foi bem escrito, tem personagens cativantes e ação. Uma aventura gostosa e que diverte. Quatro aliens e uma recomendação para você ler também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris