Resenha: Interestelar, de Jonathan Nolan, Christopher Nolan e Greg Keyes

quinta-feira, outubro 13, 2016

Interstelar é um filme que divide opiniões: ou amam ou odeiam. Não tem meio termo. Eu sou do time que ama, que chorou no cinema, que chorou vendo o filme em casa, que acha o filme um novo épico espacial, mas que não chorou lendo o livro.



O livro
Ele segue o roteiro sem tirar nem pôr. Mas tem cenas melhor explicadas, ciência mais detalhada e personagens mais aprofundados do que vemos no filme. Acaba sendo uma consequência natural de uma novelização, onde você tem mais detalhes e mais caracterização. Ele começa com idosos contando como era viver na Terra quando ela passava por drásticas mudanças ambientais. O livro, assim como no filme, não explica o que aconteceu, apenas que uma praga vem matando plantações, uma atrás da outra, o que tornará o ar irrespirável.


A única opção é viajar por um wormhole, colocado perto de Saturno por uma entidade desconhecida e encontrar um planeta habitável em uma galáxia distante. Como quase todos os recursos da Terra estão voltados para a agricultura, tudo isso é feito em segredo e Cooper, um ex-piloto e fazendeiro a contragosto é escolhido para ser o piloto. Mas seus filhos e sogro ficam na Terra, o que deixa sua filha Murphy extremamente irritada por ver o pai ir embora e deixá-la.

As explicações científicas que tanto deixaram parte da audiência confusa são melhor explicadas no livro, desde que a pessoa tenha um conhecimento básico de física (especialmente a física da ficção científica). No entanto, o livro tem vários problemas: problemas de tradução, de digitação e uso de termos errados. Avalanche, por exemplo, é um termo que só se usa para neve, portanto "avalanche de rochas", como aparece no final é totalmente inadequado.

Achei que a editora não foi cuidadosa com ele. Ou vai ver estou mal acostumada ao ver livros que são novelizações de filmes com muito mais informações. Temos agradecimentos do autor, uma biografia dos autores e é isso. Nada de informações, por mais básicas que fossem, da produção, do longa, a parte científica. Nada. Traduziram e imprimiram o livro e acabou.

Ficção e realidade
Muita gente reclamou que um filme que prezou tanto pela precisão científica viajou na maionese em vários pontos. Então... é um filme. É uma produção de entretenimento. É uma obra de ficção. Por que ninguém reclama de Star Wars e seus disparos de laser com som no vácuo do espaço? Porque precisamos suspender nossa descrença quando lidamos com obras assim.


Não podemos exigir tanta precisão científica de obras de ficção. Se exigirmos aí vira documentário. E olha que o filme prezou por muita coisa que foi representada corretamente, mas ainda não podemos viajar até Saturno em dois anos. Ainda não temos animação suspensa. Então vamos curtir as obras sem exigir tanto.

Pontos positivos
Novelização do filme
Ciência melhor explicada
Personagens mais profundos
Pontos negativos
Problemas na revisão
Faltam informações
Termos errados


Título: Interestelar
Título original: Interstellar
Autor: Jonathan Nolan, Christopher Nolan e Greg Keyes
Editora: Gryphus
Páginas: 268
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Uma pena. Comprei o livro porque amei o filme, portanto achei o livro atenderia às expectativas de quem já era fã. Infelizmente, os erros de revisão e problemas na tradução deixaram o livro com certo ar amador. Algo feito às pressas na tentativa de acompanhar a fama do filme e saiu mal feito. Três aliens.


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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3 comentários

  1. Também não acho justo cobrar fidelidade científica de Star Wars. Afinal, SW está para a FC assim como Alexandre Dumas está para Arthur Clarke. Basta aceitar a Estrela da Morte como um castelo inexpugnável onde o senhor feudal se cerca de seus exércitos, e tudo fica mais fácil.

    Antes que pergunte, sou trekkie.

    Quanto à falta de cuidado da editora, está cada vez mais normal. Sou revisor e padeço da falta de trabalho. Provavelmente a diagramação também é amadora (não vi o livro), afinal seriam gastos a mais que teriam de repassar ao leitor. E, convenhamos, poucos leitores se importam com qualidade hoje em dia, com raras exceções. Esse livro não vai vender para amantes de FC, mas para a galera da pipoca na matinê.

    É uma pena. Lembro das obras do Asimov pela editora Hemus nos anos 70 e 80 e sinto o olho embaçando. Mesma sensação de quando vejo fechar uma Cosac Naify. Mas isso é outra história.

    De resto, adoro seu blog, é uma referência pra mim. As editoras é que deviam patrociná-lo. Beijos.

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    1. E o livro, que é pequeno, custou 39,90 na Livraria Cultura. Acho que a editora repassou tudo para o leitor, mas a obra em si...

      Obrigada pelo comentário!

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  2. Não li o livro, ainda, e não assisti ao filme, ainda! Há muiiito tempo quero assistir ao filme, já ouvi tantos falarem bem, mas sempre adio a experiência. E, agora fiquei até triste em saber que não tiveram um cuidado com o livro, que é normalmente a parte da produção que mais me interessa :*
    Enfim, ótima resenha!

    Blog Insaturada

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James W. Harris