Resenha: Star Wars - Marcas da Guerra, de Chuck Wendig

quinta-feira, junho 16, 2016

Os fãs de O Despertar da Força não podem deixar de ler Marcas da Guerra, pois ele é o primeiro passo que conduzirá os leitores pelos eventos que sucedem a nova trilogia. Apenas dois nomes são velhos conhecidos dos fãs, mas o ambiente e todo o cenário de guerra, certamente, já são bem familiares dos fãs ávidos por fatos e personagens que estejam ligados aos novos filmes.





Este livro foi uma cortesia da Editora Aleph


O livro
Com a destruição da segunda Estrela da Morte, a galáxia tenta se reorganizar. Há boatos de que o imperador esteja vivo, muita confusão e tomadas de poder em diversos planetas. Tudo parece muito confuso em alguns lugares onde a Nova República ainda não conseguiu chegar.

Marcas da Guerra

Wedge Antilles, anteriormente o Líder Vermelho, está no sistema do planeta Akiva, na Orla Exterior, um planeta quente e que tentou sempre se manter neutro politicamente. Antilles tenta encontrar bases remanescentes do império quando dá de cara com dois destróieres estelares, um deles comandando pela agora Almirante Rae Sloane.

Enquanto isso, a piloto Norra, fiel defensora da Nova República, está voltando para casa, em Akiva, para se juntar ao filho, Temmin, que ela deixou com a irmã e a cunhada para lutar pela Aliança Rebelde e para procurar o marido. Este livro deixou alguns fãs homofóbicos incomodados por causa da presença do casal, mas nós sabemos bem que não passa de recalque. Temmin, por sua vez, tem uma loja e um comércio já bem estabelecidos em Akiva, mesmo com tão pouca idade, junto de seu droide B-1, o Senhor Ossudo, um droide envenenado, tunado e cheio de ossos pendurados pela estrutura. Temmin não recebe bem a mãe e sua ideia de partir do planeta. Ali é seu lar.

Em meio a tudo isso, remanescentes do império resolvem descer ao palácio do sátrapa, em Akiva, para discutir uma possível ofensiva sobre a Nova República e se depara com várias dificuldades e um grupo pouco usual de heróis que acaba entrando no caminho deles. Sei que parece confuso esse monte de acontecimentos, tudo ao mesmo tempo (isso porque eu não falei dos interlúdios que acontecem em outros planetas entre uma parte e outra do livro). Aliás, essa confusão pode pegar alguns leitores desprevenidos, porque Wendig abusou dos nomes. Sério, tá demais, tinha horas que eu precisava voltar a leitura para saber quem está falando com quem.

Existem outros personagens de destaque, como a caçadora de recompensas zabrak, Jas Emari e o ex-agente de lealdade do império, Sinjir, que parece ter perdido o propósito na vida depois da Batalha de Endor. Todo esse grupo diferente e desconfiado vai se juntar em algum momento, todos eles com um inimigo em comum: o Império, que tenta se reerguer para fazer frente à Nova República.

Dos livros de Star Wars que li até agora, esse foi o mais divertido e mais bem escrito. A Aleph caprichou na edição, com essa bela capa e os detalhes internos. Wendig certamente foi detalhista, o que enche um pouco o saco de tantos nomes aqui e ali, muitas vezes sem nenhuma serventia. Mas como é o primeiro de uma trilogia, aposto que todos os nomes vão se acabar se amarrando no final. O que mais gostei foram das personagens femininas diversas, bem descritas, bem feitas. A personagem forte não é forte porque tem que ser. Norra, por exemplo, tem todo um histórico, todo um passado, toda uma luta e ficou marcada por isso. Isso fez uma grande diferença durante a leitura.

A tradução está muito boa, não encontrei os terríveis problemas da primeira edição de Herdeiro do Império.

_ Isso é uma democracia - ela diz. - É estranho, e é uma bagunça. Não é sobre fazer certo, mas sim sobre tentar fazer certo. Sim, é tudo um pouco caótico. Certamente vamos cometer erros. E o Império? Eles não se importavam em nada com a democracia. Valorizavam a ordem acima de tudo. Queriam tanto estar certos que qualquer um que sequer insinuasse que havia algo errado ou que agisse de forma diferente era marcado como inimigo e jogado em uma prisão sombria em algum lugar. Eles destruíram outras vozes, para que apenas as deles restassem. Nós não somos assim. Nós nem sempre estaremos certos. Nunca seremos perfeitos. Mas vamos ouvir. Ouviremos as incontáveis vozes da galáxia e abriremos nossos ouvidos; sempre vamos escutar. É assim que a democracia sobrevive. É assim que você prospera.

Página 399

Ficção e realidade
Para escrever personagens que representem a diversidade, você não precisa estereotipá-los ou se valer de clichês, muitas vezes danosos. Wendig fez personagens diversos com bastante propriedade. Tanto o casal lésbico, quanto as personagens femininas foram descritas de maneira a parecerem reais. Cada uma difere da outra, elas não são uma única personagem cujo nome muda ao longo do livro. Não são um personagem masculinizado com nome de mulher. Personagens negros não foram também estereotipados.

Sei que pode não fazer diferença para um leitor que sempre se viu em livros, filmes, séries de TV e em toda uma cultura nerd e pop, mas faz uma diferença imensa você ler um livro e não revirar os olhos quando uma personagem feminina, por exemplo, é descrita como uma peça de carne pendurada num açougue. Ou quando um negro, um gay, um trans* são alívios cômicos e apêndices do herói principal. Isso também nos mostra que é possível fazer coisas boas, sem ofender ninguém.

Pontos positivos
Jornada para O Despertar da Força
Forte presença feminina
Star Wars
Pontos negativos
Muitos, mas muitos nomes
Perde ritmo em algumas partes

Trilogia Aftermath
Título: Star Wars - Marcas da Guerra
Título original: Star Wars - Aftermath
Autor: Chuck Wendig
Editora: Aleph
Páginas: 464
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Quando a gente lê na capa "jornada para Star Wars - O Despertar da Força", muita gente pode pensar que todos os fatos que levaram ao filme estarão aqui. Não estão. Até porque este é o primeiro livro de uma trilogia, querer adivinhar o que aconteceu até chegarmos a Jakku com base só neste livro, é pedir demais. Mas Wendig conseguiu fazer um livro que se sustenta sozinho. É possível ler de uma ponta a outra, viver uma grande aventura, acompanhando personagens bem construídos e ainda querer um pouquinho mais com o final. Quatro aliens para Marcas da Guerra e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

Veja também:
A polêmica em torno de Star Wars: Aftermath

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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2 comentários

  1. Achei o livro divertido e realmente a preocupação com representatividade é um dos pontos fortes dele, mas confesso que fiquei decepcionado.
    O problema é que ele foi vendido como "O caminho para o despertar da força" e ele me parece mais uma aventura solta naquele universo do que uma ligação propriamente dita. Essa expectativa que eu tinha matou um pouco da experiencia de ler a obra.
    Eu achava que o livro traria a batalha de Jakku, a formação dos cavaleiros de Ren, sei lá... e não encontrei nada disso. Ok, vai ser uma trilogia e pode ser que mais pra frente encontremos algo mais consistente, mas sei lá... achei meio "publicidade enganosa", sabe?
    Enfim, tirando isso. Como eu disse antes, achei o livro divertido e bem trabalhado na parte da representatividade. E em geral, gostei muito do novo grupo de heróis. Em geral. Não via a hora que Temmin morresse, hahah. Que moleque chato!
    Não compartilho sua opinião quanto a qualidade da escrita. Achei bem pobre quanto a isso.
    E por fim, achei um artificio de roteiro horroroso certa personagem ser dada como morta DUAS vezes, pra depois voltar. Poxa, a história ganharia muito com o sacrifício de um de seus protagonistas. Faltou um pouquinho de coragem do autor.
    Eu daria 3,5 aliens.
    Abs

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  2. Bom review, Sybyla! E eu posso falar também que cai no conto do "Jornada para o Despertar da força" achando que ele teria uma ligação mais direta com o filme hahahahahaha
    Eu gostei do livro mas me incomodou muito a forma como o autor conduziu a história. Ele se preocupou tanto em explicar as motivações dos personagens e nos interlúdios que, quando teve que juntar a parte da parte final, parece que faltou página e ele teve que correr pra ligar a parte dos rebeldes com o império.
    Os dois destaques que eu daria pra ele foram o pós-queda do império e como ele teve que se rearranjar para não perder o controle, apesar de ser uma das coisas que mais reclamam da trilogia nova, eu gostei dessa parte das negociações que rolavam e como cada um dos generais e notáveis tentavam puxar o tapete do outro para assumir o controle do império; e o Senhor Ossudo, ele teve mais personalidade que muitos personagens da trilogia nova hahahahahaha

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