Resenha: Grande Magia, de Elizabeth Gilbert

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Normalmente eu não leria esse tipo de livro, pois ele não me atrai. Nunca fui fã de auto-ajuda, mas a sinopse desse aqui não me pareceu aqueles livros com frases manjadas, que praticamente parecem cópias um do outro. E não me arrependi da leitura, que degustei aos poucos, rindo, me divertindo e aprendendo muito sobre o processo criativo. O principal ensinamento dele? Relaxe...





O livro

Você não precisa da permissão de ninguém para levar uma vida criativa.


Dividido em seis partes: Coragem, Encantamento, Permissão, Persistência, Confiança e Divindade; Elizabeth nos leva em uma caminhada. Mundialmente, conhecida com o livro Comer, Rezar, Amar, que depois foi adaptado para o cinema, a autora nos conta de forma divertida, porém determinada, sobre sua trilha como escritora e sobre como qualquer pessoa pode levar uma vida criativa se quiser.


E levar uma vida criativa não significa que você será um artista famoso, dando autógrafos por aí. Ser criativo não requer fama, requer paixão, requer agir quando você sente aquela coceirinha mental, quando você fica curioso o suficiente para se dedicar a algo e buscar por ele. Ser criativo é ser como minha mãe, que cria belíssimos trabalhos em crochê apenas de olhar para eles, sem precisar de nenhum gráfico. Ser criativo é ir para a cozinha e criar um prato gostoso com aquelas sobrinhas que ficam na geladeira.

Elizabeth nos conta muitos fatos e causos em seu livro. Alguns são hilários, como a do irmão de um conhecido seu que ao ser convidado para uma festa à fantasia, fabricou sua própria roupa e foi, todo alegre para a festa. Porém, não o avisaram que a fantasia era da realeza francesa e quando o viram, a festa parou. Ele estava vestido de lagosta, com um collant vermelho, duas imensas pinças na mão e uma cabeça de espuma vermelha. Ele poderia ter corrido dali e ido se esconder de vergonha, mas escolheu se jogar na festa e se divertiu muito.

Há momentos em que somos a lagosta da festa. Há momentos também em que nos sentimos tão derrotados e infelizes com algum fracasso ou crítica, que sentimos que nunca mais vamos conseguir criar algo. E há momentos em que vamos falhar. Mas Elizabeth nos dá a dica: faça outra coisa. Cuide das plantas, pinte uma bicicleta, faça sua fantasia de lagosta, se jogue na festa. A inspiração, as ideias, estão aí ao nosso redor. Se ela não encontrar em você um terreno fértil, ela vai para outro jardim.

Quanto mais envelheço, menos impressionada eu fico com a originalidade. Ultimamente sou mais movida pela autenticidade. Se seu trabalho é autêntico o bastante, acredite-me, ele será original.


Ficção e realidade
Eu escrevo desde os 14 anos. Mas sempre tive uma grande dificuldade de me considerar uma escritora. Minha mãe adora me deixar com vergonha quando me apresenta como "escritora" e eu sempre respondo "nhaa, eu só escrevo umas coisas por aí". As pessoas sempre me olharam torto só por eu dizer que gosto de escrever, quando mais dizer que sou escritora. Algumas pessoas entendem que você só é uma escritora se tiver livro publicado por editora e na vitrine da livraria.

Venho tentando superar esse complexo de inferioridade, mas não é fácil. E esse livro me ensinou muitas coisas. Me ensinou a pegar leve comigo mesma. Sim, eu vou falhar, mas eu posso ficar irritada com isso, ou posso aprender a seguir adiante. Eu não preciso encarar a escrita como algo doloroso e difícil, que aliás é algo que vemos muito por aí. Não, eu me divirto quando estou escrevendo e já cheguei a pensar que era errado não sofrer nesse momento. Você não tem que sofrer.


Pontos positivos
Bem escrito
Bem humorado
Criativo
Pontos negativos
Acaba logo



Título: Grande Magia
Título original: Big Magic
Autor: Elizabeth Gilbert
Editora: Objetiva
Ano: 2015
Páginas: 192
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS
Apesar de ter menos de duzentas páginas, o livro é muito rico em experiências, em ensinamentos bacanas, em leveza. Volta e meia Elizabeth dá uma escorregada, ao ter uma fala privilegiada. Sinto que ela pensa que é só se esforçar e puff!, as coisas magicamente acontecem. As pessoas têm vivências diferentes e é preciso levar muitas coisas em conta. No entanto, o livro cumpre sua tarefa em nos mostrar que dá sim para levar uma vida criativa sem estresse, sem dor. Se você quer, você deve fazer. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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5 comentários

  1. Me deixou curiosa com o livro. Principalmente para quem trabalha com coisas criativas, é sempre bom ser lembrando que a) não precisamos ser "geniais" para sermos criativos e b) as ideias estão por toda parte, é só saber enxergar com carinho. Aliás, me lembrou um pouco a linha do "A Arte de Pedir" da Amanda Palmer. Se não leu ainda, eu recomendo.

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    1. Eu tenho esse livro no Kindle, só ainda não estou na vibe de ler ainda. rs

      As ideias sempre estão buscando mentes que possam cuidar delas. A gente não pode é se sentir culpada porque naquela hora não deu.

      Obrigada pelo comentário, So!

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  2. Gostei da resenha... Assim como você, não costumo me chamar de "escritora",me defino mais como "escrevinhadora" e mesmo já tendo lançado um livro ( na verdade, dois) e colaborado em outros, só agora estou perdendo um pouco a "vergonha" e me divulgando um pouco mais.
    Gostei imenso sobre a parte de ser " a lagosta da festa", se estou na festa da vida e o traje não é adequado, uma vez que eu possa dançar, que seja!
    Também concordo que há muitos, mas muitos livros de auto-ajuda que parecem forçar a barra no sentido de dizer que basta querer e tudo se consegue, mas sabemos muito bem que não é assim que funciona.
    Fique curiosa em lê-lo.
    Ah, você resenha muito bem! Adoro ler suas resenhas de livros (e o resto do Saga também, óbvio!)
    Boa semana!

    Marina Carla- Devaneios e Desvarios

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    1. Eu preciso fazer um esforço diário também. Sempre me senti culpada por escrever e depois não conseguir me divulgar, nem deixar as pessoas lerem. Sempre me sabotei nesse sentido. E é péssimo, porque com o tempo a gente pode perder a vontade.

      Muito obrigada pelo comentário, Mari! =)

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  3. Adorei a resenha e a indicação do livro, Sybylla! Ano passado concluí uma pós-graduação em Ludicidade e desenvolvimento criativo e, da mesma forma que você, aprendi que não devemos temer os erros e falhas, pois são essenciais para que a criatividade flua - observe as crianças brincando e toda a sua criatividade: elas não têm medo de errar, enquanto nós, adultos, bloqueamos diversos canais de expressão.

    "O trabalho criativo é divertimento; é a livre exploração dos materiais que cada um escolheu. A mente criativa brinca com objetos que ama." (NACHMANOVITCH) Você e Gilbert brincam com as palavras, eu brinco com meus rabiscos (inclusive em sala de aula), outros brincam com os sons, a música e por aí vai. Não deixemos estes canais de expressão se perderem. =)

    Até mais, Sybylla!

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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris