Resenha: Mad Max: Estrada da Fúria (2015)

quinta-feira, maio 21, 2015

Um dos filmes mais aguardados de 2015, finalmente, estreou no Brasil! E debaixo de polêmicas a respeito do discurso feminista da obra, a estrada segue furiosa e Mad Max continua tentando sobreviver em um mundo hostil para a raça humana que conseguiu enaltecer o que temos de pior. Será que ainda há esperança?




Para explicar a polêmica sobre o filme, precisei dar alguns spoilers, de leve, sobre ele. Mas não chega a entregar a trama. Se você não se importa, ou se já viu o filme, pode continuar a leitura. Caso não queira saber de nada, assista ao filme e depois volte para cá!

O filme

Mad Max (Tom Hardy) segue na estrada e acredita que a única maneira de sobreviver é se seguir seu caminho sozinho. O mundo é um grande deserto, com colossais tempestades de areia, onde água e combustível são os maiores bens que alguém pode ter. Neste imenso deserto distópico, existe a Cidadela, controlada por mãos de aço por Immortan Joe, que possui um harém e ordenha - sim, ORDENHA - mulheres grávidas para consumir o leite (uma das cenas mais perturbadoras do filme todo). Uma cena que exemplifica bem a objetificação feminina, tanto atualmente, quanto num futuro distópico, onde certamente seríamos alvos de muitas atrocidades.


Immortan Joe tem um 'Q' de Darth Vader, com sua armadura para proteger o corpo deformado e uma máscara para respiração. Joe trata tanto suas mulheres como seus "súditos" como objetos. Ele não tem escrúpulos na hora de usar alguém para qualquer fim. Ele tem buchas de canhão para situações de combate, que possuem um culto estranho envolvendo auto-sacrifício e carros, distribui um pouco de água para os miseráveis vinda de um aquífero, reiterando que as pessoas não podem se viciar na água e não vê problema em utilizar o próprio Max como um BloodBag, um doador de sangue.

Imperatriz Furiosa, vivida por Charlize Theron, parte em missão para Joe, mas no meio do caminho muda de ideia. Furiosa é magnífica, uma grande guerreira do deserto com um braço mecânico. Dirigindo uma máquina de guerra, ela muda de direção, o que não deixa de ser percebido por um dos filhos de Joe, que logo parte em perseguição ao saber que suas "propriedades" foram roubadas. Estas propriedades são suas cinco escravas sexuais, objetificadas e utilizadas apenas para parir seus filhos e que possuem um horrível cinto de castidade, que é cortado em outra grande cena do filme.

Cinto de castidade de uma das escravas.

Mesmo o filme tendo o nome de Max, Furiosa é quem lidera a missão. Ele meio que cai de paraquedas na fuga de Furiosa que precisa lidar com toda a tropa de Immortan Joe atrás de si. A partir daí ou eles cooperam uns com os outros, ou não vão sobreviver mais um quilômetro na estrada, que será disputada ao extremo. E mesmo as cenas de ação, o que podem afastar algumas pessoas do filme, não são cansativas como as de Transformers, por exemplo. Aliás, isso é algo que fica evidente no filme: ou os dois cooperam, ou nenhum verá o nascer do sol novamente.


Ficção e realidade

Surgiu uma polêmica de um grupo de "defensores dos direitos dos homens", que pedia que outros homens boicotassem Estrada da Fúria porque "a masculinidade deles estava ameaçada" pelo discurso feminista da obra. Um deles chegou ao absurdo de dizer que "ninguém grita com Mad Max". O mais interessante é que essa "ameaça" toda apenas serviu para levar multidões para o cinema para assistir ao filme. O diretor, George Miller, também é o diretor e roteirista dos três filmes anteriores com Mel Gibson, que chegou a ser cogitado para voltar neste, porém Tom Hardy dá conta do recado como Max e deu fôlego novo ao personagem.

Valeu, Mad, cê é foda, meu velho. 

O filme possui mulheres nas cenas de ação, uma mulher FODA como Furiosa liderando o grupo e descendo porrada nos bad guys, um resgate de mulheres tratadas como mercadorias e escravas, Mad e Furiosa cooperando juntos para sobreviverem e para dar segurança às meninas. Sem contar de uma gangue de motoqueiras idosas. E todas as mulheres do enredo participam de sua libertação enquanto a máquina de guerra percorre a estrada.

Sério mesmo que isso incomodou tanto aos mocinhos mimados, cuja "masculinidade" é tão frágil? Quem é que se sente ameaçado por verem mulheres emponderadas e lutando por sua liberdade? Acho que só aqueles que não querem que elas se libertem. Isso deve incomodar mesmo. O mais legal de Estrada da Fúria é poder ver um filme de ação, normalmente dominado por homens ter tantas mulheres diferentes, lutando para sobreviver, sem se preocupar com romance ou com quem vai ficar no final. E isso nos representa. ❤️


Pontos positivos
Imperatriz Furiosa
Mad Max
A estrada

Pontos negativos
Violência



Título: Mad Max: Estrada da Fúria
Título original: Mad Max Fury Road
Direção: George Miller
Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 2015
Onde ver? estreou no Brasil em 14 de maio de 2015


Avaliação do MS?

Se eu recomendo que você assista a esse filme? É óbvio que eu recomendo! Só a atuação de Hardy e Theron valem o filme inteiro, quanto mais seu enredo que tem lógica, tem começo, meio e fim. Não são apenas explosões e efeitos especiais como aqueles que vemos nas produções de Micha Bay. Mad Max Estrada da Fúria é um dos melhores filmes do ano por, finalmente, sair do óbvio onde tantos outros filmes caem frequência absurda. Cinco aliens para ele e corra para o cinema!


Até mais!



Leia mais:
Imperatriz Furiosa e as mulheres feministas em Mad Max: Estrada da Fúria
Mad Max: Estrada da Fúria (Feminista)

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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