A 6ª extinção

quinta-feira, março 26, 2015

Nem todo mundo sabe que o planeta Terra, com seus 4.5 bilhões de anos, já passou por diversos revezes e extinções, situações de clima extremo, snowball earth e níveis mil vezes superiores de CO2 do que os atuais. O planeta é calejado em situações de desastre, onde 96% das espécies que já existiram foram extintas. Não se engane, nós também seremos extintos um dia. A questão é: quando?





A Terra passou, até agora, por cinco grandes extinções, chamadas de extinções em massa, porque os eventos mudaram os rumos do planeta nos milhões de anos seguintes. As extinções costumam ser usadas para marcar a passagem de uma era geológica para outra. Temos "cinco grandes extinções" que com certeza aconteceram, com algumas outras que ainda levantam dúvidas. As "cinco grandes" seriam as do Cambriano, do Ordoviciano superior, do Devoniano superior, a do fim do Permiano, do Triássico superior e a do fim do Cretáceo. A tabela abaixo ilustra melhor o que eu quero dizer.

A imagem está em alta resolução, só clicar para abrir em outra janela. 

A maior de todas as extinções foi a do Permiano (251 Ma), que dizimou cerca de 96% dos gêneros marinhos e 50% das famílias existentes. Plantas, animais, muita coisa "estranha" se foi para que o mundo mais parecido com o que conhecemos hoje surgisse depois dela, no Mesozoico. Meu mestrado foi sobre plantas do início do Permiano e elas não sobreviveram ao final do período.

A mais recente delas é a do Holoceno, período onde nós vivemos, mas muito se debate sobre sua abrangência, que nem se compara com as extinções que a precederam. Tivemos perda significativa de animais da megafauna e o ser humano é até apontado como um causador, inclusive no caso dos mamutes. Seja como for, a matança generalizada causada por vulcanismo, asteroides, cometas, alterações na insolação, raios cósmicos, alterações bioquímicas nos oceanos, são comuns.


O que muitos cientistas temem é que estaríamos nos encaminhando para a Sexta Extinção em massa. Uma das grandes, como aquela do Permiano. Tem gente que subestima o poder transformador de um evento desses, mas veja o setor de horti-fruti do seu supermercado preferido. Cerca de 70% dele depende da polinização feita por insetos. Se as abelhas sumirem amanhã, mais da metade do que você compra no supermercado, simplesmente, sumirá.

Dados indicam que nos últimos 500 anos, cerca de 322 espécies de vertebrados desapareceram. Existem cerca de 5 milhões e 9 milhões de espécies de animais no planeta, sendo que de 11 mil a 58 mil estão sumindo todos os anos. O principal problema está na diminuição nas populações de invertebrados, como os insetos, cujo papel no equilíbrio e manutenção dos ecossistemas é fundamental. E os insetos são o grupo de animais menos estudados atualmente. Cerca de 67% das poucas espécies de invertebrados monitoradas apresentaram um declínio médio de 45% na sua abundância nos últimos 35 anos, período em que a população humana do planeta dobrou.

Nos próximos anos, 41% dos anfíbios, 26% dos mamíferos e 13% dos pássaros do planeta podem sumir. Somente no Brasil temos 1173 espécies em risco iminente de extinção, 75% a mais do que há 11 anos. O tempo de duração de uma espécie depende de vários fatores, como habitat, reprodução, características evolutivas, predação, mas segue uma média de 1 a 2 milhões de anos. No entanto, nos dois últimos séculos, a taxa de extinção considerada natural aumentou cerca de 100 vezes. E a previsão, para o futuro, é que seja multiplicada por dez. Somente a Europa perdeu 421 milhões de pássaros em 30 anos.


Podemos reverter o quadro? Ou ao menos minimizá-lo para evitar um desastre maior? Sim, podemos. É possível parar com a extinção do rinoceronte branco africano se a caça ilegal parar e o habitat dele for reconstruído, por exemplo. É claro que podemos mudar vários cenários, a raça humana tem a capacidade para resolver problemas. Mas se uma extinção em massa for desencadeada por eventos que estejam fora de nosso controle, como mudanças bioquímicas nos oceanos ou na insolação, sinto que não tenha muito o que possamos fazer, já que ultrapassa nossa capacidade técnica.

Criar novas reservas de conservação, banir táticas predatórias, investir em maneiras mais eficazes de manejo ambiental e redução de áreas degradadas ajudariam a garantir locais de reprodução e manutenção de espécies já seria um ótimo começo. Mas não se engane. O fim chegará um dia. O que podemos fazer é manter nossa civilização com o mínimo de impacto possível e aguardar as mudanças para podermos nos adaptar. Ou perecer.

Talvez no fim, Stephen Hawking esteja certo. Ir para o espaço e colonizar outros planetas pode ser a única forma de preservar a raça humana.

Até mais!



Como a vida na Terra se recupera depois de uma extinção em massa?
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A ameaça da sexta extinção
Are We in the Midst Of a Sixth Mass Extinction?



Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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