4 tecnologias da ficção científica que não fazem sentido

terça-feira, outubro 07, 2014

Não é obrigação da ficção científica em ficar prevendo o futuro. Ela já fez isso, brilhantemente, em muitos casos como em enredos de Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e nas séries de Star Trek, mas nem sempre tudo o que está sendo retratado, por mais científica que seja sua explicação, faz real sentido. Até aqueles aparatos que mais amamos, quando paramos para pensar, não fazem sentido algum.



Dizer que não fazem sentido não quer dizer que são impossíveis. A tecnologia nunca cansa de nos espantar, assim como a ciência. Dizer que hoje é impossível pode ser um tiro no escuro tremendo daqui décadas ou séculos. Apenas pensemos que, na ficção científica, elas parecem muito mais legais e críveis do que na realidade.

4. Armas laser
Vamos concordar, essas armas são demais. Duvido que um filme de FC que tenha batalhas espaciais seja a mesma coisa sem armas laser e seus poderosos canhões. Temos muitas variações desta arma. De canhões poderosos a bordo de cruzadores espaciais, a armas pessoais, de punho, que podem tontear ou até mesmo desintegrar.


Mas o problema é que na FC essas armas parecem viajar até que de maneira lenta, já que um laser é feito de luz, quando na verdade ele se move à velocidade... da luz! E também não deveríamos ver essas armas em funcionamento. Lasers só são visíveis quando a luz reflete em alguma coisa. Um show ou uma danceteria, com aquela fumaça toda, nos permite ver o laser, mas e no vácuo do espaço?

3. Gravidade artificial
Não sei se você já reparou, mas quando o suporte de vida de uma nave falha miseravelmente e a população está ali, quase morrendo sem ar, sem temperatura estável... a gravidade está impecável. Em um dos episódios de Star Trek Voyager em que a nave toma uma surra homérica e perde suporte de vida em vários decks, a gravidade continua lá, isenta de qualquer dano.


Acho que a única vez em que vi uma falha de suporte de vida crível, com perda de escudos, em que resultou na perda da gravidade foi em Stargate Atlantis. Ok, compreendo que simular a falta de gravidade em terra sempre vai ser difícil, mas poderiam tentar, não é mesmo? Além do mais, como funciona o disco gravitacional da Voyager? Como ele se mantém funcionando mesmo com a queda de suporte de vida (afinal, ele faz parte do suporte)?

2. Interface universal
Pode reparar: na ficção científica a interface entre tecnologias humanas e alienígenas são facílimas. Convenhamos, tem hora que a gente não consegue sincronizar uma pasta no Mac e no Windows, quanto mais entender de navegação ou comunicação alienígena e ainda parear com um equipamento humano. Mas na FC tudo funciona que é uma beleza. Em Independence Day, os alienígenas têm naves com quilômetros de extensão, capacidade de voo interestelar... e usam DOS.


Até mesmo aquelas tecnologias alienígenas descobertas em ruínas, com milhares de anos, além de funcionar, também são totalmente compatíveis com equipamentos humanos. Uau, hein? Se isso não parece assim tão sentido, tente essa experiência: construa do zero uma maneira de conectar seu vinil com seu tocador de mp3. Aí dá pra gente ter um referencial.

1. Teletransporte
Temos visto que a ciência vem assinalando cada vez mais positivamente que o transporte mais amado da ficção científica pode ser sim possível. No entanto, é preciso muita cautela na hora de aplicar isso para a ciência real e, principalmente, para a ciência do agora. O grande problema desta tecnologia é que ela não transporta, ela destrói.


Para que você seja transportado da superfície de volta para a nave, você será destruído. Todas as partículas, cada pedaço atômico do seu ser, cada implante cibernético, roupa, cera do ouvido e remédio para gastrite será destruído e depois reconstruído, parte por parte, no destino. Nós já vimos o que o mau funcionamento deste sistema fez em várias franquias, de seres deformados, à fusão de dois indivíduos em um.

O principal problema talvez nem seja tecnológico, seja moral mesmo. Ninguém, nunquinha, em todo enredo, seja ele qual for, não tem restrições morais e/ou religiosas com o fato de ser destruído e depois reconstruído novamente? Muita gente pode se perguntar: e a alma, ou espírito? Isso permanece igual? Ou o que for reconstruído do outro lado será totalmente diferente do que nós éramos? Podemos ser considerados demônios por algumas pessoas, tendo perdido a alma no processo? Percebe quantas implicações existem?


Lembrou de mais alguma coisa que parece não fazer sentido na vida real? Deixe nos comentários.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris