Resenha: Vestígios da Terra, de Beth Revis

sábado, agosto 23, 2014

A jornada de Amy e Elder chega ao fim. O destino da Godspeed e da população é incerto, mas eles têm o direito de decidir o que fazer agora que estão livres do controle exercido pelos líderes anteriores. Beth Revis termina sua trilogia com um livro intenso e cheio de surpresas, uma ótima pedida para os fãs de ficção científica.





Se você não quer spoilers sobre os outros livros, não leia esta resenha, que é a última sobre a trilogia. Infelizmente, eles são necessários.


O livro
Amy e Elder estão ansiosos. Eles, mais metade da tripulação, mais suprimentos e mais os congelados, estão na nave auxiliar sob a Godspeed, criando coragem para descerem e deixar para trás o restante da tripulação. A nave estava de fato parada. Mas Terra-Centauri estava ali embaixo o tempo todo. A pergunta era: por que a tripulação não desceu? Por que o sistema controlador de Eldest se manteve por tantas gerações?


A descida não foi suave. A nave quase se espatifou no chão e tem gente morta ou ferida no compartimento de carga. Apesar de seu funcionamento ser praticamente automático, a nave tem mais de 300 anos de idade e nem tudo ali está em perfeito funcionamento. Assim que estão estabilizados no chão, Amy corre para o compartimento criogênico e começa a tirar os cem tripulantes congelados de seus esquifes, incluindo seus pais. Elder não sabe dizer se isso é prudente, já que ele desconfia destas pessoas nascidas na Terra e que são militares, mas sabe que Amy precisa dos pais.

O pai de Amy é um poderoso coronel, sua mãe uma cientista. Eles parecem surpresos por reencontrar Amy, mas ficam muito felizes de vê-la. Logo que acorda, seu pai assume o comando da missão, mas percebe que tem algo de errado. Não compreende tudo o que aconteceu na Godspeed, pois para ele todo aquele tempo não passou, ele esteve adormecido. Amy é que tem que agir como uma ligação entre o povo de Elder e seu próprio povo, e uma cissão surge na população tão logo eles precisam conviver juntos. Precisando evacuar a nave, todo mundo se vê em um ambiente estranho, onde existem flores tóxicas e animais esquisitos. Além disso, fica uma questão: estão mesmo sozinhos naquele planeta? Se sim, então por que tem pessoas sendo mortas?

Beth criou um ambiente familiar, mas ao mesmo tempo diferente. Os mistérios vão se descortinando aos poucos, deixando o leitor meio que desesperado, às vezes esperançoso e também completamente irritado em alguns momentos. Você passa por picos emotivos durante a leitura, o que é ótimo. Os personagens continuam irritantes, múltiplos, humanos, mesmo aqueles que parecem esconder algo terrível. O planeta guarda muitas surpresas para a população e você pensa, com pena, a respeito da Godspeed e imagina se tudo não teria sido diferente para eles caso a ganância humana não interferisse. Cerca de 300 anos de diferença existem entre as pessoas ali, e lidar com as diferenças não é nada fácil. A autora conseguiu, até certo ponto, forçá-los a conviver, pois se não colaborassem, nunca sobreviveriam.


Ficção e realidade
A primeira coisa a se notar é o desespero de algumas pessoas que estavam livres das paredes da nave pela primeira vez na vida. Um céu azul de ofuscar e um horizonte que parece infinito para quem conheceu limites o tempo todo pode ser bastante opressivo, assim como o contrário também é, o que explica o medo de Amy de permanecer à bordo de Godspeed. Uma população que permaneceu isolada e fechada em uma nave por gerações teme o espaço aberto e teme não se adaptar a ele, mas a sobrevivência precisa falar mais alto.


Terra-Centauri não é o que ninguém esperava. Nem eu. E imagino que a exploração espacial seja assim também, ainda mais se for possível empreender uma viagem como aquela feita pela Godspeed. Colonizar planetas não é apenas se instalar em sua superfície, é reproduzir modos de vida, credos, política e sociedade. Acredito que o trabalho de psicólogos à bordo terá que ser redobrado para tentar apaziguar uma tripulação que esteja nesta situação e conflitos certamente existirão.


Pontos positivos
Protagonista feminina
Viagem para outro planeta
Engenharia genética

Pontos negativos
Final em aberto
Elder é e continua um mala
Algumas cenas longas demais

Título: Um Milhão de Sóis
Título original: A Million Suns
Série: Através do Universo
1. Através do Universo (2012)
2. Um Milhão de Sóis (2013)
3. Vestígios da Terra (2014)
Autor: Beth Revis
Editora: Novo Século
Páginas: 416
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Tive a impressão que essa trilogia terá sequência, mas por enquanto, aqui temos o fim de uma excelente trilogia espacial, com personagens múltiplos e profundos, com uma nave moribunda e um planeta misterioso. Temos todos os conflitos humanos esperados para um ambiente tão restrito e para uma missão tão longa. Fica aqui uma forte recomendação para que você leia toda a trilogia. Quatro aliens para Vestígios da Terra.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris