Como sobreviver mil anos como civilização

quinta-feira, julho 10, 2014

Fiz recentemente uma postagem que falava sobre uma famosa frase de Stephen Hawking. Ele disse que, se não formos para o espaço e colonizá-lo, nós não vamos sobreviver se permanecermos desse jeito. Será o fim da raça humana, permanentemente. Mas vamos tentar ver o ser humano pelo seu melhor, por sua capacidade de resolver problemas e para encontrar soluções. Foi por isso que pedi para a Sam, do blog Meteorópole, meteorologista, que pensasse numa maneira de fazer com que a civilização perdure, pelo viés de sua área de atuação. O resultado disso, você confere no ótimo post abaixo.



Este é um guest post escrito pela Samantha, do Meteorópole

Se eu tivesse que traçar metas para os próximos 1000 anos de civilização, certamente focaria em duas questões que julgo essenciais:

  • Mudanças Climáticas
  • Água

O observatório de Mauna Loa faz observações meteorológicas desde a década de 1950. Um dos parâmetros medidos nesse observatório é a concentração de CO2 na atmosfera. Com ela, é possível ver que a concentração desse gás tem aumentado drasticamente nos últimos 50 anos:

Fonte NOAA.

Muitos formadores de opinião dizem que o ‘aquecimento global é farsa/mentira/pseudociência/etc.’. As pessoas que dizem essas coisas não tem conhecimento da ciência do aquecimento global ou tem interesses escusos, sendo normalmente ligados à indústria dos combustíveis fósseis, de alguma forma.

No entanto, quando conhecemos o funcionamento do IPCC, compreendemos que a maioria dos trabalhos acadêmicos e dos artigos publicados em periódicos sérios (com revisões feitas por outros cientistas da mesma área), observa-se que a maioria das pesquisas conclui que as mudanças climáticas estão em curso. Não podemos pará-las, já que o CO2 presente hoje na atmosfera vai ficar nela por alguns séculos. Além disso, somos altamente dependentes dos combustíveis fósseis no momento. O que podemos fazer é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para que os danos não se agravem. E podemos conviver com as mudanças, fazendo trabalhos de mitigação. Vou tratar esses dois pontos nesse post, para que possamos viver mais 1000 anos como civilização.

Com relação a redução de gases de efeito estufa, é preciso que sejamos menos dependentes dos combustíveis fósseis. A humanidade terá que investir cada vez mais em fontes alternativas de energia, como energia eólica e solar. Os deslocamentos também terão que ser mais inteligentes. Caronas e o uso de transporte público terão de ser mais comuns. Como em muitas cidades o transporte público não é eficiente, investimentos no setor precisam ser feitos de maneira massiva. Além disso, será necessário repensar nas cidades: cidades mais agrupadas, com locais de trabalho próximos das moradias. E claro, trajetos a pé e o uso da bicicleta deverão ser mais facilitados e incentivados.


Outra forma de reduzir as emissões e através da redução da pressão na indústria. Nossa sociedade incentiva e facilita o consumismo. Isso precisará acabar. As pessoas terão que fazer compras mais conscientes, dando preferência para empresas que compensam suas emissões. A criatividade terá que ser empregada: teremos que reformar nossas roupas e acessórios, reaproveitar embalagens e comprar apenas o que é necessário, por exemplo. O consumo de refrigerantes e comida industrializada terá que ser reduzido ou eliminado. Será preciso investir mais em hortas comunitárias.

O consumo de carne, principalmente de animais de grande porte, deverá ser reduzido ou eliminado. A pecuária é uma atividade que contribui muito para a emissão de gases de efeito estufa, principalmente CH4 (metano). Para continuar consumindo proteínas, as pessoas deverão ter pequenos galinheiros em casa. O próprio estrume das galinhas poderá ser usado como adubo nas hortas. As áreas verdes restantes deverão ser protegidas e aumentadas, quando for o caso. Engenheiros Florestais terão uma grande atuação, implantando medidas de recuperação de áreas degradadas.

Muitas das medidas que precisaremos tomar para minimizar os efeitos do aquecimento global são as mesmas para protegermos a água. Cidades mais agrupadas e densas facilitam a distribuição de água. A manutenção poderá ser feita de maneira mais rápida, evitando assim vazamentos.


A preservação da vegetação em torno das nascentes de água também será de vital importância. Multas pesadas e educação para conscientização deverão ser aplicadas. Além disso, o consumo da água deverá ser priorizado para que nenhum ser vivo fique sem água. Se pressionarmos menos a indústria, menos produtos serão produzidos e menos água será utilizada na indústria.

A captação de água da chuva, usando cisternas residenciais, deverá ser algo comum. A água pode ser tratada para o consumo e poderá ser usada para regar as hortas em dias secos. Muitos arquitetos e engenheiros já pensam nesses pontos atualmente, ao projetarem um novo empreendimento. A sustentabilidade já é um diferencial em novos edifícios residenciais e comerciais. O lixo deverá ser totalmente reciclado. Composteiras serão comuns, para uso coletivo e individual.

O coletivo terá que ser colocado na frente de muitas decisões individuais, se quisermos sobreviver por mais 1000 anos. Acredito que esse é um grande desafio, já que nossa sociedade é muito egocêntrica, pelo menos no momento. Percebo muitas atividades grosseiras e mal educadas que desrespeitam a coletividade: lixo nas ruas, desrespeito aos idosos e crianças e o próprio consumismo. Precisaremos mudar os valores da sociedade, pois eu acredito que a redução da emissão de gases estufa e a preservação da água só serão possíveis com a união.

Até mais!


Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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