Resenha: King of Thorns, de Mark Lawrence

sábado, junho 21, 2014

O segundo volume da aclamada Trilogia dos Espinhos chegou ao Brasil com todo o capricho da Editora Darkside. Jorg Ancrath retorna mais violento, vingativo e dissimulado, lutando contra um exército várias vezes maior que o seu, buscando se firmar como soberano e como uma fonte de poder na região. Este é um mundo onde tudo é, estranhamente, familiar.





Leia a resenha do primeiro livro, Prince of Thorns. Este resenha conterá spoilers do primeiro volume.


O livro
O livro começa com um casamento, algo estranho se pensarmos em toda a trajetória de Jorg, que só ama a si mesmo. Entendemos mais para frente que este é um casamento por conveniência, mas viajamos no tempo e pela vida de Jorg para entender como ele chegou ao altar e como acabou cercado por um gigantesco exército que pode massacrá-lo com pouco esforço. Jorg continua tão abusado quanto no primeiro livro, olhando para as pessoas, até mesmo aquelas mais fiéis e próximas, como meros instrumentos para seus desejos e vontades. Não lhe custa nada matar alguém, desde que isso lhe conceda algum benefício.


O mundo de Jorg é estranhamente familiar. Não só pelo uso de certos termos, como "isso está marcado no seu dena [DNA]", mas como também pelo mapa que abre o livro. É fácil reconhecer alguns nomes e alguns contornos do continente europeu. Temos aqui uma visão maior e melhor deste lugar, onde descobrimos que os Construtores acenderam mil sóis (bombas nucleares?) e acabaram destruindo seu mundo. O que restou são algumas coisas reconhecíveis, como máquinas e equipamentos tidos como mágicos por este povo. Existe também muita magia, talvez atrelada à tecnologia, já que vemos alguns seres que parecem ter sido geneticamente modificados.

Jorg é um rei impetuoso, sempre em busca de poder. Vemos como ele corre pelo reino em busca de apoio de familiares distantes para as lutas futuras que deverá enfrentar. Mas Jorg, apesar de ser obscuro e mau, às vezes apresenta um lado mais sensível, em geral relacionado com erros do passado. Ele não consegue perdoar o pai pela morte da mãe e o irmão, e são duas chagas em sua alma por todo o seu caminho. Os espinhos da roseira-brava, onde Jorg foi jogado naquela noite sangrenta, parecem ter envenenado seu espírito. Além de seus próprios demônios, Jorg tem que enfrentar o reino de Arrow, cujo príncipe Orrin é tido como o imperador das profecias, aquele capaz de unir os reinos e, é óbvio que Jorg não aceita tal condição.

Jorg Honório Ancrath

O livro é bastante violento, seguindo um estilo de George R.R. Martin. Jorg não é um herói, portanto os estereótipos básicos não estão aqui, apesar de termos uma jornada do herói bem identificável na obra, porém com algumas desconstruções que deixaram o livro muito bom. Este mundo é obscuro, com magia e tecnologia andando de mãos dadas. Você nunca sabe se o que está vendo é mesmo algo mágico ou apenas uma tecnologia tão avançada que é confundível com magia. Arthur C. Clarke poderia ter descrito A Trilogia dos Espinhos inteira com essa ideia.

Mais uma vez, elogio o acabamento e o capricho da editora Darkside com o livro. Os dois volumes que tenho são em capa dura, com alto acabamento na brochura e na impressão. Infelizmente, isso deixa o livro um pouco caro, mas a editora avisou que vai lançar a trilogia em brochura normal, clássica. Isso já deve baratear muito seu valor.


Uma coisa que me incomodou foi ter que voltar o tempo todo no primeiro livro. Como eu tinha lido há muito tempo, não me lembrava de algumas passagens e dados expostos em King of Thorns. Demorei mais para ler justamente por isso. No entanto, a leitura flui tão rápido que, mesmo com mais de 500 páginas, você nem sente o tempo passar.


Ficção e realidade
O que é mais interessante na Trilogia dos Espinhos é ver um mundo pós-apocalíptico - cerca de mil anos se passaram desde a Era dos Construtores - que voltou a ser uma Idade Média, com todos os obscurantismos típicos que lemos sobre a época. Às vezes pensamos que por estarmos em mundo onde a notícia e as pessoas estão ao alcance do click que este tipo de mundo e visão estão extintos. Mas como seria um mundo destruído, sem os referenciais tecnológicos de hoje? Poderíamos muito bem voltar para uma época sem entendimento, sem compreender como que uma máquina que dessaliniza a água do mar funciona e achar que isso é mágica. Estaríamos assim tão distante do mundo de Jorg?

O mundo de Jorg, uma Europa quase reconhecível.


Pontos positivos
Mundo pós-apocalíptico
Eventos sobrenaturais na medida
Acabamento do livro

Pontos negativos

Muita violência
Muitos eventos precisam do primeiro livro

Título: King of Thorns
Trilogia dos Espinhos
1. Prince of Thorns
2. King of Thorns
3. Emperor of Thorns
Autor: Mark Lawrence
Editora: Darkside
Páginas: 528
Onde comprar: Grandes livrarias (comprei o meu na pré-venda e recebi desconto, mas procure bem antes de comprar, os valores chegam a variar em até 20 reais de uma loja para outra).


Avaliação do MS?
Quem curte um mundo fantástico, mas que seja mais pé no chão, com um ar distópico e extremamente familiar, achou a trilogia certa. Você odeia Jorg por quase toda a narrativa por ele ser essa pessoa tão ruim e má. Má mesmo, no sentido literal da palavra, pois ele não se importa em atropelar quem estiver na sua frente, mesmo que sejam servos fiéis. Para Jorg, as pessoas não importam, apenas ele mesmo. Cinco aliens para King of Thorns e uma recomendação para que você leia os livros urgentemente.


Até mais!



Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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