Resenha: Brilho, de Amy Kathleen Ryan

sábado, abril 05, 2014

Dei de cara com este livro meio que por acaso, pois a capa e o título dão uma enganada no leitor mais incauto. Você pensa que é só mais uma obra adolescente, mais um livrinho com romancezinho adolescente no meio de algum mistério e depois percebe porque ele está sendo comparado com Jogos Vorazes na questão de complexidade de personagens e de discurso.





O livro
Kieran e Waverly namoram e estão juntos há algum tempo. Ele está nervoso, pois quer pedi-la em casamento, mas não sabe como falar. Estava tão nervoso que acabou tocando em um ponto sensível para todos jovens e as crianças da nave: a sobrevivência da raça humana. Waverly não gosta dessa pressão, como se fosse apenas uma parideira e não uma pessoa que tem seus sonhos. Ela sabe que essa pressão recai sobre cada moça e menina da nave Empyrean. A nave ruma a Terra Nova e pouco se fala ou se sabe de Terra Velha, já que os adultos acham difícil falar sobre isso.


Empyrean é uma nave-mundo. Tem plantações, pomares, celeiros, galinheiros, tudo o que uma tripulação que precisaria atravessar gerações necessitaria para chegar a um novo planeta. Ela saiu da Terra Velha rumo a Terra Nova, mas na sua frente foi a New Horizon, também com as mesmas especificações. O capitão da Empyrean fica surpreso ao ver, nas telas dos radares, que sua nave irmã está se aproximando.

Uma tensão surge entre a tripulação, pois o capitão reluta em conversar com a New Horizon. Então, eles mandam uma nave com uma delegação e atracam a força na Empyrean. Kieran percebe que há algo errado, pois todos os adultos foram para as docas de atracação, enquanto as crianças eram reunidas num lugar seguro longe dali. Temendo uma agressão da nave irmã e despreparados para um confronto verdadeiro, os adultos aguardam ansiosamente pela chegada da delegação.

Enquanto isso, Waverly se junta à todas as crianças e jovens e é surpreendida por pessoas desconhecidas, que conduzem todas as meninas e moças para uma nave auxiliar e deixam a Empyrean. A alegação? Um resgate, pois a nave deles corria o risco de descompressão. Mas quando chegam à New Horizon, Waverly e algumas das meninas mais velhas percebem que o tal acidente com a Empyrean não cola. Ela estão ali como prisioneiras, apesar de toda a amabilidade da tripulação. E então, elas descobrem. A tripulação da New Horizon não pode ter filhos. Ele estão mais velhos e fracos que a tripulação da Empyrean e fazem de tudo para mostrar às meninas que ali é seu novo lar, alegando sua nave e suas famílias foram destruídas.


Na Empyrean, a maioria dos adultos é morta, a outra está morta ou morrendo na tentativa de consertar os motores, danificados por uma sabotagem da nave irmã. Radiação inunda os motores e as anteparas estão fechadas para preservar o restante da nave. Os meninos estão sozinhos em uma nave à deriva, sem supervisão, sem caminho, sem destino. É este o cenário de Brilho logo no seu começo.

O que é mais interessante é ver como os personagens são complexos, enfrentando situações estressantes e como vários assuntos são tratados nesta obra. Temos debates intensos sobre religião, fanatismo, abuso sexual, sobrevivência, maternidade, estupros. Você teme pela segurança das garotas, teme pela segurança dos meninos e percebe o modo como cada grupo conseguiu lidar com a adversidade. Eles erram, pisam na bola, enganam-se a respeito de outras pessoas e situações. São personagens bem humanos como os que vemos em Jogos Vorazes. Este cenário, combinado com a ótima escrita de Amy, fazem do livro um dos melhores lançamentos do gênero ultimamente.

Uma coisa que me incomodou foi a excessiva repetição de termos. Isso enche o saco em alguns momentos e acho que alguns termos como airlock poderiam ter sido traduzidos para o português para evitar tantos estrangeirismos e repetições. Aliás, é algo que não entendo. Existem termos que podem ser perfeitamente traduzidos, mas que ficam em meio ao texto em português. Como por exemplo, marines, que nada mais são que fuzileiros navais, mas que em vários livros não foi traduzido.


Ficção e realidade
É difícil imaginar como as pessoas vão reagir em meio à situações estressantes. Vejo que em Brilho a autora conseguiu pensar com bastante clareza a respeito das reações das crianças e dos adolescentes em meio à desgraça que se abate sobre eles. Muito tomaram decisões equivocadas, houve até uma tentativa de uma ditadura em uma das naves, enquanto na outra havia uma teocracia. Existem muitos aspectos que podem ser relacionados com a sociedade atual para tentarmos entender as reações dos personagens.

Outra questão que fica é como manter a humanidade em meio a tudo isso. Longe da Terra, sem muitos referenciais sociais além daqueles das pessoas à bordo, como explicar algumas coisas como céu em um ambiente fechado de uma nave? E vento? Como explicar o movimento do ar que parece ser gerado pelo nada? Tais perguntas ficam na mente das crianças que não entendem como que falar da Terra Velha é algo tão doloroso. Suas ingenuidades são genuínas, já que elas não conheceram este ambiente. Vão se acostumar com o próximo?



Pontos positivos
Ficção científica
Distopia
Personagem feminina
Pontos negativos

Repetição excessiva de termos

Título: Brilho
Título original: Glow
Autor: Amy Kathleen Ryan
Editora: Geração Jovem
Páginas: 353
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

A vantagem deste livro para Jogos Vorazes é que a autora escreve melhor que Suzanne Collins, o que faz o livro ser lido com bastante rapidez. O texto flui rápido e os capítulos são fechados de maneira a deixar o leitor curioso para o próximo. Assim como Jogos Vorazes, este livro também terá continuação, que estou ansiosa para ler. Quatro aliens para Brilho e uma recomendação para que você também leia.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





Leia esses também...

0 comentários

Viajantes

Curta no Facebook

❤️


"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris