Você seria útil em um apocalipse?

terça-feira, outubro 29, 2013

Acompanhando à 4ª temporada de The Walking Dead e vendo os sobreviventes lutar contra os zumbis na cerca da prisão, fiquei pensando "eu não conseguiria fazer isso". Não teria a força física e moral necessárias para pegar um pé de cabra e enfiar na cabeça de um walker, vulgo zumbi. Na certa, eu já seria um, rondando por aí, buscando carne fresca. Será que essa nossa sociedade deixaria pessoas aptas para sobreviver a um apocalipse?




A ficção especulativa adora um fim do mundo, um apocalipse, uma caos básico. Apesar de curtir distopias, filmes e enredos apocalípticos me deprimem muito. Acho que seria bastante difícil alcançarmos o nível de apocalipse que alguns enredos mostram, a menos que seja algo muito drástico como um meteoro, uma praga zumbi, coisas do gênero. Tais cenários seriam bastante catastróficos para a civilização, que precisaria dar um jeito de se reorganizar.

Alguns enredos mostram isso. The Walking Dead mostra a luta de um grupo de sobreviventes em meio ao apocalipse zumbi e como eles conseguiram se reorganizar. Eles conseguiram entrar numa prisão, a limparam e já instalaram uma horta funcional no gramado da prisão. Eles não continuam longe do perigo, entretanto. Já que todo mundo está infectado com a praga, quem morrer de alguma causa natural voltará para bagunçar o coreto. Mas mesmo assim, eles conseguiram uma horta, porcos, as crianças têm aulas de leitura e de defesa pessoal. O Governador tentou a mesma coisa, mas em um regime de terror.

Em Revolution, temos um bom exemplo de sociedade que se reorganizou depois que a eletricidade acabou e não voltou. Eles precisaram reaprender a viver e a cooperar para sobreviver. A série se passa nos Estados Unidos, onde surgiram pequenos "feudos", ou pequenas repúblicas e ditaduras que vivem e se sustentam na antiga estrutura das grandes cidades. O que aconteceu com a eletricidade, ainda é um mistério.

Porém, para que as coisas funcionem, é preciso ter um grupo apto a realizar tarefas básicas para sustentar uma população ou sociedade. Precisaríamos de braços para arar a terra, plantar, construir, colher madeira e gente com esse conhecimento para passar adiante. Gente que tenha sangue frio para criar animais e depois abatê-los (muita gente não conseguiria). Precisaríamos de médicos, gente que também precisaria de sangue frio para cuidar de pessoas em um mundo sem os sofisticados aparelhos hospitalares, com poucos remédios, com alimentação deficiente.


Olhando para a sociedade como está hoje, vemos com clareza que serão poucas as pessoas aptas e úteis depois que um apocalipse se instalar - pelo motivo que for - e que precisará ralar muito para ter utilidade. Supondo que sobreviva. Pessoas que trabalhem com áreas que não sejam úteis certamente serão as primeiras a ter problemas. Eu até poderia ser de alguma utilidade neste novo mundo, dando aulas para as futuras gerações, ajudando a fazer mapas dos arredores, mas duvido muito que eu tenha a força física necessária para viver neste novo lugar. Ainda mais com uma coluna desse jeito.

Acredito que veríamos um retorno forçado ao campo e aos costumes do mesmo. Produzir comida é algo que não é imediato. Mas estamos acostumados a ir ao mercado, comprar, colocar no microondas e voilá!, estamos com um prato pronto para consumo. E em um mundo sem eletricidade? Sem combustível? Sem baterias? Em uma sociedade onde toda a estrutura industrial, comercial, científica, política pare de uma hora para outra, teríamos um batalhão de desocupados que precisariam aprender uma nova função, e alguns seriam na marra. Vejo muita gente dando piti por ficar sem smartphone ou tablet. É o fim do mundo, honey.

A pressa do mundo atual acabaria. Mas teríamos problemas em pouco tempo com a degradação das estruturas urbanas, o fim da comida em conserva e dos combustíveis. Só a Terra Permanece, de George R. Stewart acompanha um grupo que precisa sobreviver e vemos a preocupação do protagonista ao ver que seus filhos e netos são incultos, mas ele decide lhes dar algo para poderem permanecer sem os espólios da civilização que passou. Ele os ensina a fazer um arco e a atirar com ele. Assim, poderiam caçar. Ele logo percebe que as aulas de Geometria e Literatura de nada valiam para sua família e com isso ela jamais sobreviveria.


Pouca gente percebe a fragilidade de nossa civilização. Não quer dizer que seremos extintos, mas nossa estrutura é sensível demais, apoiada em tecnologias que, se nos deixam na mão, instala um caos generalizado. Quem já viveu vários apagões deve lembrar da situação e do medo que a escuridão causa. O ser humano ainda teme as noites ao relento, onde sua vida estava em risco a todo momento. Revolution, neste ponto, acertou ao tratar de como a sociedade se ajustaria ao novo mundo sem eletricidade e vemos que ela voltou a um estágio pré-industrialização de massa, uma vida provinciana, onde as pessoas precisaram se ajustar ao que o novo mundo lhes oferecia. Famílias separadas pelos continentes, mas unidas pela tecnologia ficaram permanentemente distantes, pois tudo o que era elétrico deixou de funcionar e as pessoas não tinham o conhecimento básico de navegação para cruzar as imensas distâncias oceânicas.

Muito possivelmente, eu seria um peso nessa nova civilização que surgisse de um apocalipse ou depois de um evento catastrófico. Posso ter alguma função como professora, talvez, mas fora isso teria sérias dificuldades. Aposto que você também teria, estamos muito habituados ao mundo que nos cerca e isso não é ruim. Mas vale um esforço ao pensar sobre isso. Se fosse um apocalipse causado por uma praga zumbi então... eu já seria uma, com toda a certeza.

Mas fica um pensamento interessante para você fazer. Será que você, ou sua família, seus amigos, seriam úteis para este novo mundo? Conseguiriam se adaptar à perda dos confortos diários, da tecnologia para viver de subsistência? Não acho que a sociedade das metrópoles esteja preparada para este mundo do avesso.

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris