Resenha: Descobertas Perdidas, de Dick Teresi

quinta-feira, setembro 05, 2013

Eu tenho esse livro faz algum tempo e nunca tinha terminado de ler. Tomei vergonha nessa cara e consegui terminá-lo. O autor explora o universo científico e tecnológico das antigas civilizações humanas e mostra que algumas descobertas tidas como recentes, na verdade, já eram bem conhecidas no passado. E sem a influência alienígena.




O livro

Dick Teresi sai da perspectiva ocidental e navega entre grandes civilizações mundiais para explicar conceitos e tecnologias que temos como modernas. Logo no começo, ele diz:

A realização científica mais importante na história ocidental é comumente atribuída a Nicolau Copérnico, que no seu leito de morte publicou De revolutionibus orbium coelestium (Sobre as revoluções dos orbes celestes). O historiador da ciência Thomas Khun deu à realização do astrônomo polonês o nome de Revolução Copernicana. Ela representou uma ruptura final com a Idade Média, um movimento da religião para a ciência, do dogma para o secularismo esclarecido. (...)

Copérnico fez mais do que mudar o centro do sistema solar da Terra para o Sol. A própria mudança é importante, mas matematicamente trivial. Outras culturas a haviam sugerido. Duzentos anos antes de Pitágoras, alguns filósofos do norte da Índia tinham compreendido que a gravitação mantinha o sistema solar unido e que, portanto, o Sol, o objeto mais volumoso, tinha de estar no seu centro.


Isso não é ensinado em nenhuma escola, já que somos todos filhos de uma colonização e de uma ciência ocidental. Se ela estabeleceu os parâmetros científicos hoje, não podemos desmerecer tudo o que foi feito antes por outros povos e que apenas em tempos mais recentes têm despertado a atenção dos estudiosos.

O autor dividiu o livro nos seguintes temas:

  • Matemática;
  • Astronomia;
  • Cosmologia;
  • Física;
  • Geologia;
  • Química;
  • Tecnologia.

As civilizações analisadas vão desde os indígenas norte-americanos aos egípcios, incas e civilizações do Pacífico. O autor analisou diversas fontes antigas, livros de estudiosos e arqueólogos e ressalva para o olhar cético e acurado cientificamente que norteou a obra que deve ser adotada também pelo leitor. Quanto mais longe no passado, mas dúbia se torna o registro, mas achei bastante coerente as observações que ele faz. O capítulo sobre a Matemática é delicioso, assim como o da Geologia. Os numerais egípcios e até maias são reproduzidos nas páginas e o autor mostra operações básicas e avançadas que estes povos faziam, mesmo desconhecendo o zero, cuja história ela também reconta.

À civilização indiana é reconhecido o uso do zero e de números negativos quase mil anos antes do uso destes na Europa. Aristóteles dava aos egípcios todo o crédito sobre o desenvolvimento da matemática antes dos gregos:

As ciências matemáticas originaram-se nos arredores do Egito, porque ali a classe sacerdotal tinha direito ao ócio.

Aristóteles

E é dos Vedas (Índia), que vem este dístico sânscrito, onde os antigos astrônomos indianos perceberam que as estrelas visíveis eram semelhantes entre si:

Há sóis em todas as direções, estando o céu noturno cheio deles.



Ficção e realidade
O que eu mais gosto deste livro é que ele coloca na mão do ser humano a responsabilidade por suas descobertas e pelo surgimento e uso do conhecimento do qual dispunham. O autor mostra que as antigas civilizações eram muito mais avançadas do que querem nos fazer crer os livros escolares e que não tinham contato com alienígenas, como os entusiastas do alien do passado querem nos fazer crer também.

Mesmo que boa parte desta ciência estivesse envolvida de misticismo e de religião, as descobertas destes povos não pode ser relegada a um segundo plano apenas por isso. Muita gente leva a sério o criacionismo que é completamente ridículo e não tem qualquer embasamento. Enquanto a astronomia antiga estava envolvida com o misticismo e com a astrologia, ela tinha sua fundamentação na observação do céu, no movimento de estrelas e planetas séculos antes de termos observações mais acuradas disso. Tais descobertas e inovações dos antigos povos não devem ser desconsideradas e sim creditadas a eles, cujos passos nos trouxeram até onde estamos hoje.

Pontos positivos
Ciência antiga
Explicações científicas compreensíveis
Conhecimento de outros povos
Pontos negativos
Falta ritmo em várias partes
Um pouco chato do meio para o final

Título: Descobertas Perdidas
Título original: Lost Discoveries: The Ancient Roots of Modern Science - from the Babylonians to the Maya
Autor: Dick Teresi
N.º de páginas: 439
Editora: Companhia das Letras
Onde comprar? Amazon

Avaliação do MS?
Mesmo sendo um pouco chato e técnico demais em algumas partes, ele não trata em geral de termos desconhecidos do público que curte ciência. Ao contrário, a linguagem é clara e acessível, pecando em algumas páginas por conta do ritmo adotado pelo autor. Pode ser uma característica dele mesmo. Por isso, quatro aliens para este livro.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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