A injustiça com Stargate Universe

segunda-feira, junho 03, 2013

Admito. Fui injusta com Stargate Universe. Terminei de assistir às duas únicas temporadas da série, o terceiro seriado baseado no universo ficcional do filme Stargate (1994) e percebi que, mesmo com os problemas óbvios, a série tinha um grande potencial. Uma pena que os "magos" da televisão resolveram cancelar a série tão prematuramente e os fãs, em sua maioria, não entenderam ou não quiseram entender a SGU.



A sala de embarque.

Quem conhece alguma coisa de Stargate deve lembrar que o filme fala sobre um aparato alienígena - o stargate - que consegue criar um wormhole através de seu material super condutor para ligar dois pontos diferentes do espaço. Para isso, é preciso discar o endereço para onde você pretende ir, usando seis pontos fixos no espaço, mais um ponto de origem. A viagem é instantânea. Para voltar, feche a passagem por onde veio e disque o mesmo endereço, apenas mudando o ponto de origem.

Em 1997 começou a série Stargate SG-1, que durou dez temporadas. Já perto do final de SG-1, estreou Stargate Atlantis, que se passava na galáxia Pégaso, mantendo as mesmas características da série principal. E no último ano de Atlantis, que foi cancelada sem uma finalização decente, estreava Stargate Universe, em 2 de outubro de 2009. Os problemas começaram neste exato momento. Fãs órfãos de SG-1 tinham Atlantis. Como eram duas séries caras, a MGM apostou em Universe e cancelou a prima anterior. O descontentamento dos fãs começava aí.

Stargate Universe fala de uma tripulação de mais ou menos 90 pessoas presas na nave Destiny. O Stargate é um aparelho que guarda muitos segredos. Ninguém entendia porque era possível discar até 9 pontos, quando a maioria dos endereços só tem sete. Descobrimos que o 8º chevron abre um portal para outra galáxia, o que requer uma quantidade absurda de energia. Já o 9º chevron, permanecia um mistério. Para tentar descobrir como resolver este problema matemático que ninguém parecia ser capaz de resolver, os militares e os cientistas do comando Stargate colocaram o enigma em um jogo online chamado Prometheus.

E alguém adivinhou a charada. Um rapaz desempregado, mas com inteligência acima da média, o nerd Eli Wallace, jogando muitas horas online, descobriu o enigma. Logo depois, ele recebe a visita dos militares e é convidado a participar do programa, sendo levado até o planeta Ícaro. Este planeta é especial, pois possui grandes depósitos de naquadriah, um mineral semelhante ao naquadah, do qual os stargates são feitos e, portanto, é supercondutor. Com essa energia extra seria possível abrir o 9º chevron para descobrir para onde ele vai.

Mas a base é atacada pela Aliança Lucian, que ocupou o vácuo de poder dos Goa'uld. Eles só tem uma chance de abrir o stargate: ir para a Terra em segurança, ou descobrir o que tem do outro lado do 9º chevron antes que o planeta exploda com a sobrecarga causada pelo ataque nos depósitos de naquadriah. O cientista chefe do projeto, Dr. Rush, vai na segunda opção. Isso os leva à nave Destiny, lançada pelos Antigos, a raça que criou os stargates, há muitos milhões de anos atrás. Ela é velha, está com o suporte de vida saturado, sem suprimentos, brechas no casco e eles são obrigados a sobreviver neste ambiente.

Da esquerda para a direita, Sg. Greer, Camile Wray, Coronel Young, Samambaia, digo Chloe, Dr. Rush, Tenente Scott, Tenente Johansen, Eli e coronel Talford.

Quando a ideia surgiu, os produtores queriam um enredo mais maduro que os das duas séries anteriores, que não fosse repetitivo e que também fosse mais barato de produzir. A premissa de SGU é o drama humano. Como sobreviver em uma nave velha, imprópria para os humanos, que está há bilhões de anos-luz da Terra? Não parece realmente muito lógico que você deixe escapar a chance de ir em segurança para casa para ir em busca do desconhecido, mas o Dr. Rush é um homem que não tem nada a perder na Terra e com isso ele leva todo mundo junto.

Eu realmente estranhei quando assisti SGU pela primeira vez. A série não segue o ritmo das anteriores e tem alguns problemas, como personagens que não fazem absolutamente nada na série. Apelidei Chloe carinhosamente de Samambaia, pois ela não serve para nada naquela tripulação toda, NA-DA. Também tem os estranhos eventos místicos, como uma nave cheia de ex-tripulantes que ficaram para trás num planeta há uma porrada de anos-luz atrás, que do nada aparece no caminho da nave principal. Mesmo assim, os dramas à bordo da Destiny são pertinentes, bem trabalhados. Eles vivem constantemente no limite. Sem café, sem cigarros, sem chocolate, sem televisão, as pessoas precisam cooperar para sobreviver. As poucas missões fora da nave são para conseguir comida e água potável.

A disputa entre militares e civis também merece destaque. Eles constantemente transitam entre uma ditadura e uma sociedade civil. Problemas médicos são difíceis de tratar, pois à bordo existe apenas um paramédico e poucos militares treinados para lidar com emergências médicas. O pouco que eles conseguiram evacuar da base em Ícaro é tudo o que têm. E claro, a disputa entre o Dr. Rush, que esconde informações sobre o funcionamento da nave e o coronel Young, comandante da missão. Atores famosos na televisão como Ming-Na, interpretando Camile Wray, Robert Carlyle como o intrigante Dr. Rush, temas e problemas muito humanos eram temperos que deveriam ter dado certo.

Seu enredo mais maduro, mais focado nas pessoas do que no Stargate e nos mundos os quais ele liga, não é tão repetitivo. E isso não cativa imediatamente a quem assistiu por mais de dez anos da estrutura anterior. Acredito que o erro foi o cancelamento de Atlantis, que teria mantido um certo número de fãs, enquanto outros migravam para SGU. Mas a concordata da MGM e o fim do financiamento para ambas, a greve dos roteiristas em 2007-08 e a produção de Atlantis e do filme para a TV Stargate Continuum obrigou os produtores a cancelar uma delas.


É uma pena que a série não tenha continuado. A premissa dela era muito interessante. Na segunda temporada, o espectador descobre qual era a missão da Destiny, o que torna tudo mais interessante. Mas a terceira temporada nunca veio. Se você assistiu ou não assistiu SGU, deixe seu comentário. Acha que a série poderia continuar? Assistiria com base no que leu aqui?

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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4 comentários

  1. Essa série é Dr.Rush e amigos, e a personagem da MingNa Wen. Eu assisti a primeira quase toda na época em que estava assistindo tudo em que o Robert Carlyle aparecia. Eu tentei ver a sg1, por causa do arco arturiano, mas não rolou não. Até por ser uma série mais antiga, talvez. Pq né, por mais que a Chloe não tenha nada pra estar ali, acho que essa era a intenção mesmo. Ela e o Eli, na verdade, pareciam ter caído ali de paraquedas.
    Quando você assistiu, você quis bater no Rush ou no Young?

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    Respostas
    1. Eu queria quebrar o Rush na porrada, porque o Young cumpria ordens, mesmo não gostando, ele era um pau-mandado. O Rush tinha uma agenda própria, mesmo que isso colocasse a nave em perigo e eu acha isso um absurdo.

      O arco Arturiano de SG-1 precisava de mais tempo pra desenrolar. Foram 7 anos pra derrotar os Goa'uld, como eles derrotariam os Ori, inimigos ancestrais, em apenas 3? Acho que faltou desenvolvimento e tempo mesmo.

      =)

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  2. SG:U pra mim fez com que a diversão "mosntro da semana" de SG-1 e SG:A se tornassem mais adultas, como vc bem apontou, e levou pra um universo que eu realmente gosto demais (desde o filme <3) uma vibe meio battlestar galactica...

    A chloe de fato era uma samambaia na Destiny, atrapalhava mais do q qualquer coisa, e poderia ter sido explorada enquanto personagem crítico, já que não contribuia em praticamente nada na nave, mas continua consumindo reccursos. talvez, num futuro quando a destiny chegar a uma outra galáxia e a tripulação acordar - pq eu sonho q SG:U vai voltar um dia - resolvam melhor algumas dessas pontas soltas

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  3. Eu acho as tres series fantasticas embora apresentem problemas aqui ja mencionados como o hilario fim dos oris em tres temporadas e ainda mais deixando aberto o destino dos pre-oris sendo q estes sem a existencia dos oris, impossivelmente manteriam o poder q tinham, ja q o msmo resultara da existencia dos oris, ou seja, nem sequer pilotar a nave mais eles poderiam, embora o terem feito de qualquer forma. O fim do SG-1 teve na minha opinião, o episódio mais cativante de todos. Eu penso, q o maior erro foi terem investido dinheiro em filmes como continuum. Nao é ruim, mas acho q foi meio desnecessário pois teriam feito melhor investindo nas duas series seguintes. Fato é q a mgm perdeu um pouco de crédito pois o cancelamento de series com grandes potenciais parece ja ser algo de rotina na mgm o q é bastante constrangedor. E ela não é a única nos eua com costume de produzir series e cancelar logo a principio por razões como más investições em coisas extremo-superficiais como programas de pseudo-reality-wannabeshit. De qualquer forma, como grande admirador e fã de Erik van Denniken e suas fantasticas teorias científicas e livros como "Eram Os Deuses Astronautas?" nao posso fazer mais do q tbm continuar rezando para q homenzinhos verdes invandam a sede da mgm e forcem estes a retomar as gravações de SGU, ou q no minimo a propria mgm reconheça q ta na hora de "calar a boca e tirar o dedo do nariz" -como ja diziam mamonas assassinas- e voltar a gravar a universe e arrumar um jeito de eliminar chloe pq se tem uma planta q acho besta, é a samambaia! Abrçs e bom domingo pra todos os fãs de SG e de MS!

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