Resenha: Brinquedos Mortais, de Tibor Moricz e Saint-Clair Stockler (Org.)

sexta-feira, maio 10, 2013

O mercado nacional de ficção científica e especulativa vem crescendo de uns anos para cá e os autores nacionais estão conquistando cada vez mais espaço. Novos lançamentos mostram que ainda há esperanças para os leitores que buscam sair da mesmice.





O livro

Brinquedos Mortais é uma reunião de doze contos de terror, ficção especulativa e científica, organizada por Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz, que mostra brinquedos que nem de longe lembram os brinquedinhos inocentes da nossa infância. Eles são perigosos, vingativos, sádicos, com aparência inocente, seja no nosso tempo ou no futuro. Em alguns momentos você ri, em outras você se excita, nas outras você se assusta ou fica com puro nojo a respeito das coisas que estes brinquedos são capazes de fazer.


Os formatos são variados. Pode ser a estátua sensual de uma mulher, pode ser um jogo de computador, um bichinho alienígena que lê nossos pensamentos, uma boneca com desejo de ser um humano, um tablet, uma boneca perfeita que retrate personagens célebres da literatura. O que importa é que eles sentem algum desejo poderoso de ser como nós ou nos destruir e enlouquecer com seu poder. É interessante ver como os autores conseguiram dar sensações, voz e movimento a objetos que teoricamente são inanimados e que são em geral inocentes, acompanhando nossos sonhos infantis.

Alerto que este não é um livro infanto-juvenil. Existem cenas fortes e bem detalhadas de sexo, submissão e assassinatos. Também tem alguns problemas, como um conto ou outro em que o autor não consegue passar o que quer ou não soube escrever de uma maneira bacana sobre sua ideia. Confesso que pulei algumas páginas por não gostar do estilo do autor. Pode ser só o meu gosto mesmo. Também senti falta de autoras na coletânea. Mas no geral, os contos são carregados de descrições e cenas fortes, sanguinárias e divertidas.


Ficção e realidade

Exemplos de brinquedos mortais existem na ficção científica e no terror. Como esquecer de Chucky e sua risada demoníaca, ou a boneca de Arquivo X que comandava os desejos de uma criança? Sem contar as inúmeras lendas urbanas sobre a boneca da Xuxa e do Fofão. Transformar algo ingênuo em um instrumento maligno tem sido feito com bastante frequência na ficção.

Será que seria possível ter um aparelho eletrônico capaz de mudar a estrutura do espaço-tempo e assim adaptar a realidade para o nosso gosto pessoal? Ou quem sabe surgir um organismo que entre em simbiose conosco a ponto de satisfazer nossos desejos? Sabemos que a tecnologia avança a passos largos, mas conhecer o nosso íntimo, o nosso lado mais sujo e perverso a ponto de explorar isso comercialmente é correto?

Mas isso já acontece. O mercado hoje nos explora para que possamos nos sentir únicos, especiais, com produtos cada vez mais personalizados e ligados a nós. Somos instigados a consumir cada vez mais para nos satisfazer, o que de fato acaba não nos satisfazendo. Para surgir alguma parafernália tecnológica que possa nos preencher de maneira completa deve faltar muito pouco.


Pontos positivos
Tema interessante
Escrita madura e concisa
Terror e ficção especulativa juntos

Pontos negativos
Alguns contos mal trabalhados ou chatos de ler


Título: Brinquedos Mortais
Formato: ebook
Organização: Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz
N.º de páginas: 196
Editora: Draco
Onde comprar? Amazon, Livraria Cultura, Livraria Curitiba
Preço: 19,90



Avaliação do MS?

Muito interessante o modo como o brinquedo foi transformado nestes contos. Desde uma simples boneca até os jogos de computador e aparelhos tecnológicos que hoje fazem a farra da criançada. Repetindo que este não é um livro para crianças. A abordagem de alguns contos é bem forte, bem como o vocabulário. Foi uma leitura divertida e muito agradável. Quatro aliens para os brinquedos.



Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris