Resenha: A Morte da Luz, de George RR Martin

sexta-feira, março 15, 2013

Eu prometi a mim mesma, desde que comecei a fazer resenhas de livros aqui no Saga, que não falaria de livros ruins que tive o desprazer de ler. Mas acho que devo deixar para cada um o direito de ler ou não o que indico por aqui. E mesmo que eu não tenha gostado, não quer dizer que você também não goste. O livro de hoje é um que me fez perder tempo.





O livro

A Morte da Luz é o primeiro livro do aclamado autor de As Crônicas de Gelo e Fogo, que deu origem à série Game of Thrones, da HBO, George R.R. Martin, publicado em 1977. Ele fala sobre um planeta errante chamado Worlorn, cuja glória do passado levou povos de diferentes outros mundos a criar imensas cidades para um festival maravilhoso. O planeta estava em um sistema formado por 6 estrelas amarelas e pequenas quando comparadas à gigante vermelha que rodeavam, formando o sistema Roda de Fogo.


Dirk t’Larien, um dos personagens principais, recebe então uma joia-sussurrante, capaz de armazenar e buscar memórias de um amor esquecido. Quem a enviou foi Gwen Delvano, sua amada Jenny, voltando à uma promessa antiga estabelecida por ambos: se quisessem se reencontrar, em qualquer momento do futuro, bastava mandar a joia para o outro, que ele ou ela voltaria. Dirk tentou por muito tempo voltar para sua Jenny, sem sucesso. Mas então, Gwen enviou a joia para Dirk em uma situação totalmente inusitada: ela era betheyn (um tipo de escrava-esposa) de um Jadeferro e seu irmão de caça, de Alto Kavalaan, um planeta próximo.

Como é característico de Martin, o livro tem muitos nomes, designações, tradições e uma excessiva (ou obsessiva?) fixação por nomes e o que eles significam. Em um dado momento, Gwen dá um esporro em Dirk que insiste em chamá-la de Jenny e diz que esse nome não deve ser mais usado, pois ela se sentia mal com ele, diminuída, sem se sentir quem de fato era. Enquanto todo esse imbróglio com Gwen anda e desanda, ata e desata, Dirk fica conhecendo a situação complicada em que Jenny se encontra com os irmãos Jadeferro.

planeta errante

O problema do livro? Todos, apesar de gostar muito da escrita do Martin. Até porque você lê, lê, lê, chega no final e nada, N-A-D-A se resolve. Você é jogado em um universo com tantos nomes, tantas designações, tantos detalhes culturais e mundos diferentes, que precisa consultar o Glossário o tempo inteiro. E ainda assim se perde, pois já não sabe mais o que é o que e tem que voltar o parágrafo constantemente para entender a complicada situação de Jenny, que te obriga a dar várias voltas no mesmo lugar e quando chega no final, nada acontece.


Ficção e realidade

O aspecto mais legal do livro é o fato de o enredo se passar em um planeta errante, já que a ciência falou muito sobre isso a pouco tempo com a descoberta de planetas que não orbitam nenhuma estrela pelo universo. Worlorn acabou se fixando no sistema Roda de Fogo depois de muito vagar pelo espaço e depois de tanto atrair civilizações, é um mundo moribundo.

colonização

Além disso, é possível ver culturas diversas que se estabeleceram no espaço depois de sair da Terra muito tempo antes. Quanto mais distante dela, mais diversas ficaram algumas civilizações e em alguns aspectos acabaram até meio medievais, com pactos de sangue e caçadas em planetas distantes ou exóticos. Poderia essa ser uma tendência depois de tanto tempo longe do planeta de origem? Algo a se pensar na nossa futura colonização do espaço.


Pontos positivos
Livro do Martin
Escrita madura
Boa análise da civilização humana

Pontos negativos
Fim não fecha o enredo
Excesso de nomes, detalhes, culturas
Enredo confuso

Título: A Morte da Luz
Autor: George R.R. Martin
N.º de páginas: 336
Editora: Leya
Onde achar: grandes livrarias

Avaliação do MS?

Ahhh, bem. Vejamos. O livro certamente trouxe um assunto interessante quando fala sobre o planeta em si, seu sistema estelar, a complexidade das culturas retratadas, mas nem de longe lembra o fenômeno de As Crônicas de Gelo e Fogo, onde até os livros chatos merecem ser lidos. A Morte da Luz, por ser o primeiro, pode de fato apresentar problemas, mas eu esperava uma coisa e encontrei outra completamente diferente. A avaliação mais baixa até agora, dois aliens para Martin.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris