Resenha dupla: O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick

sexta-feira, março 29, 2013

Essa é uma resenha especial, pois fala tanto do livro quanto do filme O Lado Bom da Vida. É, sei que devem existir N resenhas sobre o mesmo por aí, que ele está em voga por causa do Oscar e do sucesso que fez. Mas mesmo sendo uma comédia dramática-romântica, acho que vale à pena tanto um quanto outro por causa da mensagem que ele tem e por ser uma ótima pedida para o feriado.



O livro
The Silver Linings Playbook, ou O Lado Bom da Vida em português, é o romance de estreia de Matthew Quick. Ele é narrado por Pat Peoples, um professor de História que sai de um hospital psiquiátrico e vai para a casa dos pais. Ele tenta juntar as memórias em sua cabeça sobre o que aconteceu e como se recuperar do período ruim para voltar para Nikki, sua esposa, por quem é fascinado e até obcecado. Muitas coisas estranhas acontecem ao seu redor, como as fotos sumidas do seu casamento, o sumiço do vídeo da festa e o fato de não conseguir se comunicar com Nikki, por mais que queira. Ela, por ser professora de literatura, recomendava várias leituras para seus alunos, que Pat devora para poder ter papo com a esposa, dizer o quanto estava arrependido de ter debochado de seus gostos e de seus livros.

Capa do livro. 

Tudo, tudo, absolutamente tudo na vida de Pat gira em torno de sua esposa. Ele perdeu peso, malha e corre praticamente o dia inteiro, apenas para ficar bonito para Nikki. Vai ao terapeuta, toma seus remédios, tenta ser educado e gentil, pois sabe que Nikki gosta disso. Pat se descontrola com facilidade, o que irritava a esposa, mas a música de Kenny G. o tira completamente do eixo e ela inclusive o persegue enquanto dorme. Mas ele acredita de verdade que vai voltar com Nikki. Nesse meio tempo, Pat conhece Tiffany, irmã da esposa de um grande amigo seu, cujo marido falecera recentemente. Os dois começam uma relação estranha e tensa, pois Pat é casado e sua intenção é voltar com Nikki, mas ele aceita a amizade de Tiffany por sugestão do terapeuta e aceita também ser seu parceiro em um concurso de dança, já que Tiffany disse que falava com sua esposa constantemente e diz que armaria um encontro com ela se Pat fosse seu parceiro.

Pat tem uma relação difícil com o pai, fanático torcedor dos Eagles. Sua mãe é quem tem que fazer o meio de campo para que Pat volte a se ajustar à sociedade, mas o que ele não sabe é que os meses passados no hospital psiquiátrico foram na realidade anos. É com a ajuda da perturbada Tiffany, talvez tão ou mais louca do que o próprio Pat, que ele consegue sair da fossa e tenta reconstruir a vida com cerveja, remédios psiquiátricos, corridas e jogos dos Eagles.

O filme
Apesar de o filme ser baseado no livro, ele apresenta um enredo que achei mais conciso, mais amarrado. Não muda muita coisa, mas do meio para o final percebe-se que existem diferenças sutis de um para o outro. Pat volta para casa, obcecado pela esposa Nikki e conhece Tiffany, tal qual está no livro. Ambos começam a correr todo dia de manhã, mas a vida e os problemas de Tiffany são mais evidentes e mais claros no filme do que no livro. Ela entrou numa depressão profunda com a morte do marido Tommy e extravasou sua frustração e tristeza transando com todo mundo do trabalho, que inclusive ainda a procuram para transas casuais.

Tiffany, por Jennifer Lawrence.

O pai de Pat é mais presente no filme, interpretado pelo grande Robert de Niro. A atuação dos dois protagonistas, por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper rendeu duas indicações a melhor atriz e ator. Aliás, Bradley está ótimo no papel do perturbado Pat, totalmente irreconhecível dos papéis anteriores das comédias pastelão que ele costuma fazer. Seus atritos com Tiffany são mais explorados no filme e sua participação no concurso de dança está atrelada à uma aposta em cima de um dos jogos do Eagles na final do campeonato nacional.

Bradley Cooper é Pat.

A lógica de fazer Pat dançar com Tiffany é a mesma do livro: arranjar um encontro com Nikki, mas este concurso é oficial para profissionais, enquanto que no livro é um tipo de grupo de auto-ajuda contra depressão. Mas o fato de terem ensaiado, trabalhado em conjunto, confiado um no outro traz melhoras para a situação de ambos.

Ficção e realidade
Levante a mão quem nunca surtou ou teve vontade de surtar, pirar, dar a louca ou que realmente precisou de remédios para melhorar e assim sair de um buraco sujo e escuro que a vida às vezes nos coloca? Quem nunca cometeu uma loucura ou saiu da linha, ou sentou e chorou até dormir? Em Vaca Profana, Caetano já dizia: "De perto ninguém é normal". A sociedade nos impõe uma postura rígida, às vezes colocando um padrão inalcançável para a maioria das pessoas, onde todo mundo tem que ser bem sucedido, bem de vida, gastar muito, ser feliz em casa e no emprego. E se algo dá errado em algum momento, a culpa é sua que não sabe ser feliz, que não sabe se fazer feliz ou que não tem ninguém para te fazer feliz.


Tanto o livro quanto o filme mostram que mesmo com todos os problemas que uma pessoa tenha e que enfrenta todos os dias, as pequenas coisas como ver a um jogo de futebol, ensaiar para um concurso de dança, mesmo que você não dance bem, comer cerais com leite com um amigo ou segurar um bebê na praia fazem a diferença. Tiffany e Pat percebem que as pessoas os tratam diferente por conta de seus surtos e seus problemas, mas tudo o que eles queriam era que essa loucura fizesse sentido, que fizesse alguma diferença depois de tudo o que passaram.

Pat ficou buscando isso numa Nikki que recomeçou a vida longe dele e que preenchia o seu ideal de Nikki, mas percebe que Tiffany precisa dele e que também precisa dela, pois os dois se compreendem. Ambos passaram pelo lado mal da vida e viram que podiam buscar e viver o lado bom.

Os pais de Pat Peoples.

Pontos positivos
Pat e Tiffany
Transtornos mentais discutidos
Vilões
Pontos negativos
O livro se arrasta em algumas partes
Alguns personagens mal trabalhados


Título: O Lado Bom da Vida
Título original: The Silver Linings Playbook
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Ano de lançamento do filme: 2013
Ano de lançamento do livro: 2012
Onde comprar o livro: Amazon

Análise do MS?
Não é ficção científica, é um drama com comédia, ou uma comédia com drama. É mais um livro que virou filme. Seria mais uma história romântica se não fossem as circunstâncias dos protagonistas e o modo como encaram a vida e os problemas dela. Eles cometeram erros, foram insanos e surtados, mas merecem uma segunda chance. Afinal, quem nunca? Cinco aliens e uma recomendação de ver e ler O Lado Bom da Vida.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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