Verticalização é a tendência?

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

cidade do futuro
Eu vejo muitas ilustrações de designers sobre colônias humanas e cidades futuristas e a principal característica destas belas imagens é a acentuada verticalização das construções. São prédios imensos, no melhor estilo Burj Khalifa (antigo Burj Dubai), onde moram milhares de pessoas. Estas megaconstruções são muito comuns ao imaginarmos o futuro da ocupação humana, seja na Terra, seja lá fora. Podemos prever um padrão? É viável?



O que é verticalização?

Trocando em miúdos, é o processo de construção de edificações dotadas de elevador. Não é o mesmo que acontece nas periferias das grandes cidades, onde o cidadão constrói sua própria residência ao longo dos anos, um andar sobre o outro, para adicionar espaço à construção. Esse processo é ampliação vertical. A verticalização é o processo urbano mais visível no panorama das cidades, pois vemos a reestruturação de bairros velhos, bairros industriais ou bairros que estão sendo urbanizados baseados na construção de condomínios. Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro e Jardim Anália Franco em São Paulo, por exemplo, apresentam aqueles muros corridos com guaritas e só. Nada de vizinhos no portão conversando, crianças jogando bola na rua. Nada.

É notória também a necessidade de construção de edifícios. Neles cabem mais pessoas por metro quadrado de terreno, o que agrega valor ao mesmo. Não esquecendo que espaço, especialmente o urbano, é uma mercadoria como outra qualquer, com valor de uso e especialmente de troca. Existem vantagens e desvantagens em se morar em um condomínio, mas o principal, a meu ver é que ele mantém uma segregação social, pois não é todo mundo que pode pagar pelos valores cada vez mais altos de condomínios. Isso continua empurrando as pessoas para as franjas periféricas das cidades ou até de outros municípios, enquanto a acentuada verticalização de bairros inteiros continua.


Pois bem. Esta é uma tendência que não deve parar. Ao contrário. Ela vai se manter na curva acentuada para cima e já tem se tornado o padrão de moradias. Bairros que não foram verticalizados são aqueles que ainda são protegidos pelo zoneamento urbano. Existe uma preocupação evidente com relação à construção de uma cidade com base em construções térreas que pode ser uma preocupação também para os administradores coloniais do futuro (se chegarmos lá): a tendência ao espalhamento. Constrói uma casa aqui, outra acolá, e de repente temos um processo de urbanização descontrolado.

Se chegarmos a estabelecer colônias pelo espaço no futuro, obviamente que teremos que acomodar os colonos de maneira cômoda para poderem lá viver. E por se tratar de um ambiente que não é a Terra, onde conhecemos mais ou menos seus perigos e riscos, uma colônia não pode se dar ao luxo de se espalhar. Ela com certeza será construída a partir de módulos já trazidos na missão. Mas sabemos que ela não poderá continuar sempre assim. Ao se estabelecer uma comunidade próspera, sua tendência é sempre aumentar, ter mais habitantes e a demanda por espaço vai aumentar.


É uma característica inerente ao ser humano de produzir e reproduzir continuamente seu espaço. Ele vai levar seus modos de vida e seus aspectos culturais para onde for. Vimos isso com a colonização ao longo dos séculos da história humana. E se analisarmos fotos antigas dos centros urbanos e compararmos com o que temos agora, podemos ver uma mudança drástica na paisagem, em especial no centro antigo, onde os povoamentos começaram. Com o aumento do valor do metro quadrado, os prédios surgem como se brotassem do chão.

Blade Runner foi bem além das expectativas ao mostrar megaconstruções. É possível que as reuniões de condomínio tivessem que acontecer em estádios. E sabemos que onde muita gente se aglomera, sempre teremos conflitos. Quem nunca viu briga de vizinho? Em prédios é ainda pior, já que tudo acaba sendo usado em conjunto. Imagine conflitos acontecendo em um ambiente estressante onde as bases de uma nova sociedade estão sendo ainda fincadas? Teremos que contar com uma tecnologia avançada e segura, capaz de nos dotar de meios para construir centro urbanos coloniais de maneira rápida e eficaz a fim de evitar espalhamento. Megacidades verticais podem ser uma saída para colônias em ambientes hostis, por exemplo. Mantendo uma estrutura vertical hermeticamente fechada, com todos os confortos de uma cidade horizontal. Mas novamente, será que o confinamento pode ser prejudicial?

Panorama da cidade de Blade Runner

Coruscant, de Star Wars, é talvez o melhor exemplo do que estou tentando ilustrar. Verticalizada, todo o planeta é densamento urbanizado. Bilhões de pessoas vivem ali em seus apartamentos. A verticalização acabou sendo espalhada para toda a sua superfície, mas serviu para agregar todo mundo num mesmo lugar. Ganhar os céus para poupar espaço é algo que já fazemos hoje. Acredito que nossas colônias futuras acabem seguindo essa mesma tendência.

E você? O que acha? Vive em casa ou apartamento? Consegue imaginar colônias humanas verticalizadas? Deixe sua opinião. Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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