Viagens interestelares: nave-mundo

quarta-feira, junho 20, 2012

Imaginando uma maneira de alcançar uma estrela próxima, cientistas estão quebrando a cabeça pelo mundo buscando uma maneira de alcançar tal feito. Já falei sobre a questão da animação suspensa, vantagens e desvantagens da técnica que precisaria avançar muito para ser aplicada para uma colonização a longo prazo. Uma saída para o problema pode ser uma nave-colônia ou uma nave-mundo.



Uma nave-colônia ou uma nave-mundo levaria tripulantes para uma estrela "próxima" e teria em seu interior uma réplica do planeta ou um habitat semelhante, capaz de manter por gerações toda a tripulação até chegar ao seu destino. Ela precisaria ser auto-suficiente e capaz de se sustentar, reciclando ar, água, gerando comida e atmosfera. Teria que ser, em essência, uma biosfera 3.

Concepção artística de uma nave-mundo. Fonte: Orion's Arm.

Uma nave deste porte certamente já resolveria o problema da animação suspensa que ainda não é perfeita e cujos experimentos ainda não são totalmente satisfatórios. Um habitat semelhante ao da Terra seria benéfico para os tripulantes que teriam que viver gerações, perdurar por séculos, até chegarem ao seu destino. Teriam produção de comida, um ambiente familiar que traz uma certa identificação com seu local de origem e poderia amenizar os efeitos de viver confinado.

O problema mais óbvio de uma situação dessas é a questão cultural e social. Apontando para o primeiro, a questão da cultura, eles serão considerados humanos no final da viagem, tendo viajado por centenas de anos? Qual o laço que esses humanos nascidos no espaço irão manter com a Terra, ainda mais se a missão for salvar o planeta e sua população? Além disso, como manter a nave funcionando, longe da Terra e de locais conhecidos? Mesmo que cientistas, mecânicos e engenheiros estejam à bordo, esse conhecimento será passado adiante de maneira satisfatória? Imagine colocar um punhado de pessoas em uma ilha e corte suas relações com o continente. Aguarde algumas centenas de anos e talvez consigamos ter uma ideia do que pode acontecer no final dessa viagem. Cultura e tecnologia ficariam estagnados? O que seria dos filhos dos tripulantes?

Uma nave-colônia a caminho.

O habitat de uma nave-mundo também precisaria ter uma avançada engenharia para sobreviver a uma viagem de séculos sem peças de reposição da Terra. Teria que fornecer conforto e todos os meios de sobrevivência. Uma queda na produção de comida levará à problemas de saúde, rebeliões, racionamento, uma situação crítica demais para uma população isolada e sem ajuda. Como podemos mensurar o número de tripulantes que uma nave dessas tem que ter para chegar ao sistema estelar mais próximo? Anos de isolamento poderiam levá-los à Idade da Pedra?

Esta é uma alternativa bastante perigosa a meu ver. Os riscos de se mandar uma nave-colônia ou nave-mundo para um sistema estelar e contar que tudo dê certo com a tripulação é brincar com vidas humanas. Sem contar a questão tecnológica que supera e muito o nosso atual nível para construir uma nave que perdure. Alguns cientistas planetários sugerem uma nave-colônia nos modelos do toróide de Stanford ou do cilindro de O'Neill, mas ainda assim não resolve a conturbada sociabilidade humana e não temos como prever o que acontecerá com uma população isolada e sob o estresse constante de uma viagem espacial. Seria de extrema dificuldade conseguir replicar uma sociedade para a missão e lhe fornecer tudo o que a sociedade aqui no planeta fornece. Como ficaria, por exemplo, o suprimento de remédios? Ou de novas tecnologias?

Nave-colônia. Arte de Adrian Mann.

Na próxima postagem, uma abordagem bem ousada: o envio de embriões. Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





Leia esses também...

0 comentários

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.
O mesmo vale para comentários:
- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.
A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.

Viajantes

Curta no Facebook

❤️


"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris