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Anomalia Magnética do Atlântico Sul

Pouco conhecida pelo público em geral e científico, quase nunca abordada em sala de aula, esta anomalia se apresenta sobre o Atlântico Sul e aqueles que são bons de Geografia já perceberam que o país que tem seu litoral inteiramente imerso nesta parte do Atlântico é o Brasil. Causada por uma interação de fatores pode apresentar sérios riscos à toda a região, em especial nosso país, no caso de intensas tempestades geomagnéticas.





O nosso planeta possui uma camada de proteção proporcionada por seu campo magnético, que é gerado em seu interior, chamada de magnetosfera. Felizmente a temos, pois isso nos protege da ação tempestiva do Sol e alinha o ponteiro da bússola. Entretanto, este campo não é uniforme ao redor da Terra, ao contrário, ele apresenta uma espécie de abaulamento, uma região onde ocorre um mergulho dos cinturões de radiação que envolvem o planeta.

Estes grandes cinturões de radiação, também chamados de cinturões de Van Allen, são formados por partículas de alta energia como elétrons, prótons e íons atômicos, aprisionados pelo campo magnético terrestre. Existe um cinturão interno, formado por vento solar e pela ionosfera, que vai de 400km a 12 mil km acima da superfície, e um externo, formado por partículas energéticas solares e as reações da atmosfera com os raios cósmicos galácticos, que vai de 12 mil até 60 mil km. A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) se caracteriza por uma diminuição no campo magnético terrestre, o que acaba aproximando estes cinturões da superfície.

A área em azul corresponde à AMAS

E daí?, você pergunta. Não existem muitos estudos sobre a influência da AMAS pois ela ainda não foi estudada com profundidade. Supõe-se, no entanto, que esse enfraquecimento do campo numa determinada área do planeta cause uma série de problemas, tanto em equipamentos quando em organismos. O que já se sabe é que satélites e naves espaciais que cruzem esta região em suas rotas normais precisam de blindagem adicional, pois elas correm um risco maior de ter pane elétrica. A Estação Espacial Internacional, por exemplo, não tinha uma blindagem eficiente e foi preciso um reforço na estrutura para que a exposição à radiação da AMAS não causasse danos aos tripulantes.

Se o Sol começar a emitir grandes quantidades de radiação em uma de suas tempestades, esta radiação virá para a Terra e atingirá nossa magnetosfera. Mesmo uma parte dela sendo irradiada, áreas mais frágeis do campo magnético, como nos polos e na AMAS, receberão maiores cargas de radiação. Isso interfere e até interrompe os sinais de satélites de telecomunicações, sinais de TV, de GPS e de internet. Linhas de transmissão de energia, sistemas elétricos de transporte como o metrô, cabos telefônicos mesmo que sejam submarinos, poderão sofrer sobrecarga e panes. Satélites em órbitas baixas (200 a 1000km de altitude) já apresentam danos consideráveis ao passar pela AMAS.

Algumas pesquisas em andamento indicam correlação entre mudanças geomagnéticas em locais onde o campo sofre redução ou perturbação, com:

  • AVCs;
  • ataques cardíacos;
  • diversos tipos de câncer;
  • alucinações e esquizofrenia;
  • mudanças de comportamento de animais migratórios como pombos, baleias, golfinhos e tartarugas;

A AMAS é uma das maneiras mais acessíveis de se estudar estes efeitos nocivos para o caso de uma grande tempestade geomagnética acertar a Terra. O que será de nossa infraestrutura numa situação dessas? A resposta é que ninguém sabe ao certo. Mas como nossa tecnologia ainda é frágil e deficiente, como a escala da Kardashev mostrou, não duvido que os efeitos sejam sentidos por anos. Só reforça o que muitos ainda não perceberam: a fragilidade de nossa civilização.

Cinturão de Van Allen - descoberto em 1958 por James Van Allen, são regiões com altas concentrações de partículas no campo magnético terrestre. Não existe uma delimitação entre os dois campos, eles se fundem em altitudes variáveis, ocorrendo em geral na região equatorial do planeta. São os responsáveis pelas auroras boreais. Ao contrário do que muitos teóricos da conspiração dizem, eles não são resultados de testes nucleares norte-americanos na alta atmosfera.

FONTES:

Scientific American - Abril/2004 nº23 - Anomalia Magnética do Atlântico Sul, páginas 20-29;
Ceticismo Aberto;
Estudo da propagação de rádio e das descargas atmosféricas na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul - LEITHOLD, A. A.; Download
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