Vida e cores em outros mundos

quarta-feira, abril 27, 2011

A ficção científica realmente faz um grande serviço em mostrar outros mundos, mesmo que sejam muito semelhantes à Terra. Isso nos tira da mesmice de nossa rotina e explora um universo vasto e pulsante (pena não podermos explorar essa vastidão toda). Mas ela também não explora tudo o que a ciência pode oferecer e que seria fantástico de se ver. Você sabia que plantas em outros planetas podem não ser verdes? Pois é, isso, os filmes e as séries não mostram.




FOTOSSÍNTESE
Para começo de conversa, você deve se lembrar das aulas de ciência, onde aprendeu fotossíntese, certo? Então, só para refrescar a memória, uma definição do termo:

Fotossíntese é um processo fisioquímico realizado pelos vegetais clorofilados. Estes seres sintetizam dióxido de carbono e água, obtendo glicose, celulose e amido através de energia luminosa. 6H2O + 6CO2 → 6O2 +C6H12O6. (Wikipedia)

Simplificando, quando a luz solar atinge a superfície dos vegetais que possuem clorofila, ocorre uma reação fotoquímica onde o dióxido de carbono e água se transformam em nutrientes para a planta. Mas isso não explica a cor das plantas que são verdes na maioria esmagadora. O que nós vemos como cor verde é a luz solar refletida pela planta, pois ela absorve luz azul e vermelha, o primeiro pela qualidade da reação, o segundo pela quantidade. O que a planta não aproveita, vem no espectro verde. Estudos da NASA em conjunto com outras universidades têm mostrado que o modo como as plantas se adaptaram a absover a luz de suas estrelas vai definir qual cor terá suas folhagens.

Hoje para caçar planetas, os cientistas estudam o espectro da atmosfera para tentar identificar possíveis gases, assinaturas bioquímicas e assim sua composição. Dependendo da quantidade de vermelho, azul ou verde que a atmosfera tenha, por exemplo, pode-se saber se tem plantas na superfície e vida por sua vez, e que cor ela possa ter, pois a clorofila é resultado direto da adaptação de algas e depois plantas terrestres ao ambiente que temos aqui. Tudo isso depende, logicamente do tipo de estrela está no sistema e para isso existe uma classificação.

CLASSIFICAÇÃO MORGAN-KEENAN

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Esta é uma classificação já conhecida. Apelidaram de "Oh Be A Fine Girl, Kiss Me". Já deu para entender porque. Ela abrange praticamente todas as estrelas mais comuns e vistas no céu. Existem outras classificações mais complexas, mas para o que precisamos, esta é perfeita.

Classe O - muito quentes e luminosas, em geral azuis; a maior parte de sua irradiação situa-se na região do ultravioleta e são relativamente raras. Cerca de 1 em 3.000.000 das estrelas da sequência principal na vizinhança do Sol são estrelas deste tipo. São muito grandes e com núcleo muito massivo, e devido ao seu brilho imenso, planetas não costumam se formar ao seu redor. Exemplo: Zeta Orionis.

Classe B - muito luminosas, seu espectro possui linhas de hélio neutro e linhas moderadas de hidrogênio. Assim como as de classe O, elas duram relativamente pouco tempo. Não se deslocam muito da área de onde se formaram uma vez que não possuem muito tempo de vida. Costumam ser aglomeradas nas chamadas associações OB1, que estão associadas com nuvens moleculares gigantes. A associação OB1 de Orion é um braço espiral inteiro da nossa galáxia e contém toda a constelação de Orion.

Classe A - são as estrelas mais comuns que podem ser vistas a olho nu. Elas são brancas e possuem linhas intensas de hidrogênio e também linhas de metais ionizados. Exemplo: Deneb em Cisne e Sírius em Cão Maior.

Classe F - são bastante potentes, mas elas tendem a ser estrelas de sequência principal. Sua cor é branca com uma pequena quantidade de amarelo. Exemplo: Fomalhaut em Piscis Austrinus.

Classe G - nosso Sol está nesta classe bem conhecida. São estáveis, durando muitos bilhões de anos, costumam ser amareladas, com linhas mais fracas de hidrogênio e metais ionizados.

Classe K - a temperatura e o brilho vão decaindo a partir daqui. São mais frias que o Sol, podendo ser estrelas gigantes e supergigantes. São mais avermelhadas, com linhas de hidrogênio muito fracas. Exemplo: Alfa Centuro B.

Classe M - se classificarmos as estrelas pela quantidade, essa certamente ganharia, pois existem em abundância por aí. Todas as anãs vermelhas são classe M, e mais de 80% das estrelas de sequência principal também o são. Hidrogênio ausente, metais neutros e pesados tendem a ser comuns, indicando um período de fim de atividade intensa. Exemplo: Betelgeuse, Orion.

Plantas negras. Jack O’Malley 
James/University of St. Andrews.

Aí você pergunta: E daí? E daí que se a luz da estrela muda, a planta também terá uma cor diferente, pois a intensidade da luz também o será. Lembre-se: as plantas terrestres absorvem o vermelho e o azul, refletindo o verde. Se uma estrela libera apenas luz vermelha e fraca, como a planta vai se sustentar? Ela terá que absorver o máximo que puder e a cor que absorve todas as outras é o preto. Então num planeta orbitando uma estrela classe M, por exemplo, os vegetais, provavelmente, teriam esta cor.

Planetas girando em torno de estrelas da classe F, por exemplo, provavelmente teriam pigmentos vegetais que absorvem principalmente no azul, com o resultado que essas plantas parecem vermelho ou laranja para os nossos olhos.

Plantas vermelhas
Fonte: NASA

Já pensou a quantidade de planetas com atmosferas diferentes, estrelas diferentes e a variedade de plantas e cores que podem existir pelo universo? É muito cômodo para o ser humano se acomodar em seu cantinho, imaginando que beleza, exotismo e variedade existem apenas aqui. Se existissem meios de explorar mundos assim, fisicamente digo, com certeza não pararíamos de ter surpresas. Esse novo ramo - a astrobiologia - com certeza trará surpresas, pois as combinações e possibilidades são amplas e variadas. É só aguardar.


REFERÊNCIAS
The color of plants on other worlds - Scientific American/Abril 2008
Fall colors on Alien Worlds - Astrobiology
Beyond the Red Edge - Centauri Dreams

Estrelas de sequência principal são aquelas que geram luz através de fusão nuclear em seu núcleo (hidrogênio em hélio). Nosso Sol, juntamente com a maior parte das estrelas visíveis a olho nu, está na sequência principal.

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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