Eu já conhecia o nome do autor por outro livro, que está na minha lista de leituras faz um tempão. E nunca surgia a oportunidade de ler, mesmo depois de ler várias resenhas favoráveis sobre ele. Aí vi este lançamento aqui e a sinopse me pareceu muito interessante. Eu vinha enfrentando uma ressaca literária lascada depois da última leitura ser um tanto amarga, mas este livro aqui acabou me engajando!
O livro
No coração de Londres, existe uma livraria cuja missão é a de encontrar e proteger os objetos mágicos. Tem estado na ativa por 80 anos. São objetos que parecem comuns e que a maioria das pessoas desconhece possuir magia. Pode ser um dado, uma peça de xadrez, um colar. Como esses objetos podem ser muito poderosos nas mãos de gente inescrupulosa, é preciso proteger o mundo deles. É para isso que existe a Sociedade dos Objetos Mágicos, que por quase um século vem vigiando, esperando pelo surgimento de um objeto mágico para poder obter e guardar em segurança.
O mundo não precisa dar a pessoas horríveis mais poder do que elas já têm.
Magda Sparks é a mais nova integrante dessa sociedade. Criada pelos membros de quatro famílias, são seus descendentes que agora guardam objetos mágicos no porão da livraria. A mãe de Magda morreu enquanto buscava um desses objetos e a responsabilidade acabou passando para a filha, uma escritora de relativo sucesso e muito animada para ver objetos mágicos de perto. Eis então que surge a chance de ver um deles, pois um artefato foi visto em Hong Kong e Magda se oferece para ir até lá para buscar.
Algo que fica bem evidente desde o começo é que essa sociedade guarda vários segredos. Um dos membros, Henrietta, não se junta ao grupo há muito tempo. O terceiro, Will, é bem relutante em participar das reuniões e sempre reclama ao ter que aparecer. Frank, o mais velho, é o que poderíamos chamar de líder desse grupo, já que a livraria é sua e ele mora o mesmo prédio. A única pessoa que parece bem animada com a existência de objetos mágicos é Magda, que chega a Hong Kong e mal pode esperar para ver esse objeto de perto. Eles também se perguntam como que a pessoa soube da sociedade dos objetos mágicos...
A narrativa se divide em vários momentos, entre várias pessoas, o que amplia o mistério sobre a morte da mãe de Magda, a origem dos objetos, que fim deu Henrietta, os segredos guardados por Frank e a responsabilidade de manter tantos objetos juntos num só lugar. Mas senti que essa divisão entre os pontos de vista acabou prejudicando um pouco o bom desenvolvimento dos personagens. Havia tanto a se explorar ali, entre os relacionamentos, entre suas próprias identidades e como elas poderiam mudar ao saber da existência de um objeto mágico e achei que ficou tudo meio corrido.
A leitura é rápida, dinâmica, com muitas cenas de ação e magia acontecendo nas páginas. Magda corre contra o tempo e nós também, pois é preciso desvendar uma série de mistérios. Admito que um desses mistérios me segurou até o fim e deu uma boa agitada na leitura quando parecia que o autor estava enrolando. Além de toda a tensão a respeito dos objetos mágicos, Magda também vem sendo seguida por um assassino que também tem seus próprios objetivos. A questão é quem chegará à verdade primeiro.
Esse assassino misterioso da primeira metade do livro é só um sujeito genérico e sem nuances, então ler suas partes foi um pouco difícil, o que traz à tona novamente a questão dos personagens serem rasos. Houve alguns momentos em que o livro poderia ter sido muito mais curto se os personagens tivessem feito o que deveriam ter feito, o que deu a impressão de uma escrita era preguiçosa. Devo dizer que o final não me agradou muito. Magda acaba ganhando novas responsabilidades e não me pareceu ser a pessoa certa para o trabalho. Sem contar que o livro parece que vai ter continuação, apesar de as sinopses dizerem que é um livro solo.
A tradução foi de Marcia Blasques e está muito boa. Não encontrei grandes problemas de revisão ou diagramação.
Obra e realidade
No geral, não curto muito livros sobre sociedades mágicas. Mas eu estava com uma ressaca literária bem chatinha e ele acabou me fisgando, de um jeito ou de outro. O que foi mais legal dessa leitura foi que o autor tentou explicar a origem dos objetos. Eles não existem apenas, sem qualquer motivo; há uma razão para isso e acho até que é uma boa explicação.O que também explica o motivo para não deixar esses objetos nas mãos das pessoas. O que alguém poderia fazer com um objeto capaz de trazer os mortos de volta à vida ou de controlar as pessoas?

Gareth Brown é um escritor escocês de fantasia.
PONTOS POSITIVOS
Objetos mágicos
Narrativa rápida
PONTOS NEGATIVOS
Pode ser lento
Construção de personagens
Objetos mágicos
Narrativa rápida
PONTOS NEGATIVOS
Pode ser lento
Construção de personagens
Avaliação do MS?
Foi uma boa leitura, mais puxada para o OK. Senti que o autor poderia ter investido mais nas personalidades e ações dos personagens, isso teria ajudado muito a me fazer simpatizar mais por eles. Três aliens para o livro.
Até mais! ♟️
Já que você chegou aqui...

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