Fiquei muito empolgada com o livro anterior, então logo peguei a conclusão para terminar de uma vez e saber o destino de vários personagens cativantes. A guerra estava a todo vapor quando terminamos o livro anterior, a jornada de Bayaz nos confins do mundo terminou e muita coisa ainda precisava ser revelada. E não é que eu quebrei a cara?
Pode haver spoilers do livro anterior!
O livro
Terceiro e último livro da trilogia A Primeira Lei, as tramas iniciadas nos dois primeiros volumes levam a várias revelações neste aqui. Ele começa exatamente onde o anterior parou, usando as várias perspectivas para contar a história. Bayaz e seu grupo chegaram aonde queriam, do outro lado do mundo, mas não encontraram o que precisavam e acabaram voltando para casa, para Adua, com o rabo entre as pernas. Enquanto isso, o inquisidor Glokta escapou de Dagoska e não sabe o que vai ser do seu futuro. E quanto aos nórdicos, eles estão correndo, buscando um último refúgio para organizar uma ofensiva.
— Aprendi todo tipo de coisas com meus muitos erros - comentou Cosca, que esticou o pescoço e o coçou. - A única coisa que nunca aprendi foi a parar de cometê-los.
E no meio de tudo isso, o trono da União está em jogo já que os herdeiros morreram e as famílias nobres estão agindo como urubus sobre a carniça. São vários elementos interagindo e se influenciando, e Abercrombie é muito habilidoso em mostrar tudo isso sem misturar as bolas. Glokta e Logen Nove Dedos são personagens excelentes e conseguem carregar o enredo todo. Mas admito que fiquei decepcionada com o tratamento dado a outros personagens importantes, como a minha favorita, Ferro Maljinn, e a Jezal dan Luthar.
Luthar é uma mala, mas ainda tinha seu apreço ao longo da narrativa. No segundo volume, ele parecia estar se regenerando, tornando-se um homem melhor depois de tudo o que ele passou nas terras ermas do outro lado do mundo, alguém destinado a ser um homem decente. Ele até tem seus momentos, mas não gostei da maneira como o autor tratou sua jornada. Mas gostei menos ainda da saída vazia e sem sentido dada a uma das poucas mulheres fortes e bem construídas da trilogia inteira, Ferro. Porque Jezal pode ter uma redenção e Ferro não? Até Glokta acabou se dando bem no final, apesar de tudo o que fez.
Para quem curte mais ação e batalhas, este livro está cheio delas, principalmente no cerco a Adua. Gostei da maneira como os pontos de vista iam mudando conforme as tropas chegavam perto da cidade. Temos West, um personagem que mudou bastante ao longo dos três livros, temos Logen e sua tropa de nórdicos, temos Jezal tentando fazer a coisa certa, com Glokta correndo pelos esgotos da cidade para parar um ritual que é bem pouco explicado ou justificado; e temos Bayaz...
A saída (des)elegante de Abercrombie para todos os problemas que encaramos desde o começo é com o Primeiro dos Magos Bayaz estar nos bastidores puxando as cordinhas de seus bonecos. Me pareceu uma saída Deus ex machina. Esta é uma expressão literária e cinematográfica usada para descrever quando um problema aparentemente sem saída é resolvido de forma repentina e improvável, geralmente por uma intervenção externa. Foi bem agridoce chegar ao final e descobrir que nada mudou! E que havia uma explicação mágica e poderosa por trás de tudo, não era uma simples corrupção da moral das pessoas, já que os personagens fizeram coisas bem questionáveis o tempo todo.
É importante ressaltar que o autor não deixa ninguém impune por seus erros passados. Para cada um ali, há um passado vivo e presente, mesmo após tantos anos. Para Logen, é bem evidente que as pessoas não conseguem esquecer que ele foi o Nove Sangrento, e que enquanto ele estiver respirando, haverá sempre uma ameaça de vingança, uma lembrança de algo feito a alguém. Mas quando Logen pensa que está evoluindo, o passado volta para assombrá-lo. Essa deve ter sido uma das jornadas mais tristes entre todos os personagens ali. Nem mesmo seus conterrâneos e companheiros parecem convencidos de que ele é um homem melhor.
O poder torna todas as coisas certas. Essa é a minha primeira lei e a última. É a única lei que eu reconheço.
A tradução é de Alves Calado e está ótima. A revisão e a diagramação também, já que praticamente não há erros ao longo da leitura. De novo, não há mapa algum nesse livro. Destaque para a capa, ilustrada por Wagner Willian.
Obra e realidade
Uma das grandes inspirações para a trilogia é As Crônicas de Gelo e Fogo, de George RR Martin. O primeiro livro, A Guerra dos Tronos, foi lançado em 1996 e foi um fator determinante para muitas vozes da fantasia na década seguinte. Abercrombie também se inspirou na Guerra Civil norte-americana e na Renascença para compor sua trilogia, com personagens que não fossem idealizados, sem uma clara dicotomia entre bem e mal, mas com personagens moralmente ambíguos, que habitassem uma zona cinzenta.As obras também são apoiadas no realismo, pelo menos em grande parte. A magia até existe, mas sua função é bem menor, mais pontual, pois o que importa são os conflitos, os personagens, suas ações e personalidades.

Joe Abercrombie é um escritor inglês de fantasia.
PONTOS POSITIVOS
Jorgen, Ferro e Bayaz
Mundo complexo e em guerra
Mistério sobre magia
PONTOS NEGATIVOS
Violência
Poucas protagonistas femininas
Não tem mapa!
Jorgen, Ferro e Bayaz
Mundo complexo e em guerra
Mistério sobre magia
PONTOS NEGATIVOS
Violência
Poucas protagonistas femininas
Não tem mapa!
Avaliação do MS?
A primeira metade do livro foi boa, intensa e me vi presa ao enredo. Mas quando vamos chegando ao final e parece que as coisas não avançaram, que foi tudo meio que em vão, sabe? Acho que esta trilogia, se fosse dos anos 1980, estaria bem localizada. Não é uma trilogia ruim, mas não vai mudar a vida de ninguém. Três aliens para o livro e para a trilogia inteira.
Até mais! ⚔️
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