Depois de ler O casal que mora ao lado, senti que tinha sido injusta com a autora. Assim, peguei outro livro dela, também um thriller de suspense, pra tirar a impressão ruim que ficou do primeiro. Aqui, um casal rico é assassinado e os suspeitos são ninguém menos que seus próprios filhos. Mas algo de errado não está certo nesse livro...
O livro
É preciso ser rico para morar em Brecken Hill, um bairro de luxo ao norte de Nova York. Uma das famílias mais ricas e visadas da região é a dos Merton. Fred e Sheila são ricos, exibidos, membros do Country Club e têm três filhos que virão para o jantar de domingo de Páscoa. A gente percebe que tem algo muito estranho nessa família assim que a mãe abre a porta e os filhos começam a chegar. A tensão que os companheiros sentiam toda vez que iam pra lá. A frieza educada dos pais com seus filhos, a cobrança intensa para seguir padrões altos. Cada um deles, Dan, Catherine e Jenna Merton, a mais nova, tem seus motivos para não ir nesse jantar, mas precisam ir ou vai pegar mal.
As relações e os padrões são estabelecidos cedo e não mudam. As dinâmicas familiares vivem se repetindo.
Quando a cozinheira, Irena, que também tinha sido a babá das crianças, chega na casa pela manhã, encontra um cenário de caos. Sheila foi estrangulada e Fred foi esfaqueado diversas vezes e teve a garganta cortada, morrendo no chão da cozinha. Os investigadores chegam logo à cena e começam a investigação, sendo os responsáveis por dar as notícias aos filhos, que ficam arrasados. Ou é o que se esperava deles. Cada um deles herdará milhões de dólares e dinheiro é um motivo muito comum para assassinatos, em especial entre famílias. Então é óbvio que os policiais começam a pensar: será que um deles pode ter feito isso? Quem teria a frieza necessária para matar os próprios pais?
Ainda que dinheiro e joias tenham sido levados da casa, a polícia não é besta, então começa a investigar os filhos. E para a surpresa de ninguém, muita podridão começa a surgir, conforme navegamos entre os vários personagens e seus motivos para ver o casal morto. Na real mesmo, os três filhos estariam muito melhor com os pais mortos. Vamos descobrindo na leitura que aquela família vivia só de aparências, que o pai era ausente e distante, com um gosto particular de ser desagradável com Dan. Tinha momentos em que eu até sentia pena daquelas crianças, mas os adultos que eles se transformaram era intragável.
Esse é aquele tipo de livro de mistério e suspense em que todos os personagens mencionados são também suspeitos. Não foi difícil adivinhar quem era o verdadeiro assassino ali e admito que não foi algo que me pegou de surpresa. Sem dar spoilers, digamos que a autora escolheu a situação mais fácil para solucionar o caso e isso estragou todo o ambiente de mistério que ela criou. A grande revelação do assassino acaba sendo uma revelação de pouco impacto, parece algo que a autora menciona brevemente e o livro acaba. Na verdade, essa é a sensação que o livro todo transmite. A história é apresentada de uma maneira tão... passiva, que fica difícil criar um envolvimento emocional com ela.
Pra quem curte um livro rápido de mistério e investigação, algo que vai deixar poucas lembranças depois que você ler, então pode se jogar aqui. Depois de dois livros, percebo que a maneira da autora escrever é essa, sem impacto, sem altos e baixos, portanto não é uma leitura super complicada que vai exigir que você quebre a cabeça para solucionar. O lado bom é que a leitura foi fácil e rápida, mas o lado ruim é que o texto era muito repetitivo; muitas coisas que já haviam sido ditas antes eram mencionadas repetidamente. A narrativa da autora é enxuta até demais e é difícil se conectar com a história com personagens e escrita tão apáticos.
Os personagens também não ajudaram, pois nenhum deles era interessante ou cativante o suficiente. Não acho que personagens precisem ser 100% simpáticos, mas eles precisam causar impacto nos leitores e esse livro aqui deixou a bem desejar nesse aspecto. A parte que mais gostei foi ver como um evento como um assassinato em família pode abalar e transformar relacionamentos que antes pareciam sólidos. Como alguém pode deixar de confiar em outra pessoa e passar a questionar suas intenções, mesmo que, antes do grande acontecimento, jurasse pela própria vida por ela.
O livro está bem traduzido por Anna Carla Castro e está bem diagramado. Não encontrei problemas de revisão ou diagramação nele.
Obra e realidade
Uma frase famosa de um clássico universal, escrito por Tolstói, diz que "todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." A família Merton nesse livro era infeliz e vivia de fachada. Aliás, seus filhos viviam de fachada também. Era uma família com tão poucas conexões emocionais que, quando descobrem que os pais morreram, eles pensam que seus problemas finalmente acabaram. Além dos milhões que herdariam, tinha também o fim da humilhação constante, da sensação de inadequação, fim da distância emocional.Crimes em que filhos matam os pais (chamados de parricídio) não são frequentes; eles representam uma porcentagem muito pequena do total de homicídios registrados, embora choquem muito a sociedade quando acontecem. Eles são chamados de raridade estatística justamente por isso. Mas o fato de os assassinos serem os próprios filhos, o casos chocam a sociedade e são comumente lembrados.

Shari Lapena é uma escritora canadense. Antes de se dedicar integralmente à escrita, foi advogada e professora.
PONTOS POSITIVOS
Segredos
Narrativa rápida
Investigação criminal
PONTOS NEGATIVOS
Pode ser lento
Construção de personagens
Final
Segredos
Narrativa rápida
Investigação criminal
PONTOS NEGATIVOS
Pode ser lento
Construção de personagens
Final
Avaliação do MS?
Foi uma leitura OK. É um livro pra quem curte narrativas rápidas, sem muita enrolação e sem muito envolvimento com os personagens. Essa é a característica que mais me incomodou durante a leitura. Três aliens para o livro.
Até mais! 🔪
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