Sol de limão vem aí!

Essa semana entrou na pré-venda meu novo livro, chamado Sol de limão, que vai sair pela editora Aleph! Com lançamento programado para setembro e com presença confirmada na Bienal do Livro de São Paulo, estou roendo as unhas de ansiedade para esse livro chegar nas suas mãos. Assim, achei que seria interessante trazer um pouco da história dele pra cá!

Sol de limão vem aí!

Sol de limão caminhou bastante para chegar até o formato em que está hoje. O primeiro rascunho que eu tinha se chamava Aroma e estava escrito pela metade, lá pelos idos de 2017. No ano seguinte, enquanto perambulava pela Bienal do Livro de São Paulo, a Gabi Colicigno me disse que estava abrindo uma agência literária, a Magh. E ela perguntou se eu tinha algum trabalho pra enviar pra Magh.

Eu não tinha, obviamente, então peguei aquele esboço chamado Aroma e comecei a trabalhar nele. O título, Sol de limão, surgiu depois e ficou um bom tempo na minha cabeça, até que eu consegui juntar lé com cré e as duas coisas se fundiram num megazord literário que se tornou o primeiro rascunho do livro. Nele, uma ilustradora chamada Letícia recebe o diagnóstico de Alzheimer precoce e perde a capacidade de identificar palavras. De posse de uma inovadora nanotecnologia médica, ela vê sua vida mudar, afetando a todos ao seu redor.

Quem viveu o ano de 2018 e os anos seguintes, sabe que foram anos difíceis, e isso acabou influenciando na escrita de Sol de limão. O enredo se passa num Brasil que se recupera de uma ditadura teocrática e ainda cata os escombros daquele período. O que eu queria mostrar é que era possível sair de um período ruim e reconstruir. Que nós podíamos e devíamos lutar por um mundo melhor. Mas ainda assim, contar uma história de ficção científica que se passa no Brasil e com uma protagonista feminina.

Sei que muitos autores temem o processo de edição. Temem que o editor vá cortar cenas e capítulos, mutilando a obra que você levou tanto tempo pra escrever. Mas com Sol de limão foi justamente o contrário. Tanto a Gabi, quanto Sol Coelho, que também trabalhou no livro nos anos seguintes, como a Vitória Zavattieri, da Magh e a Luara França, da editora Aleph, me pediram para aumentar, explicar melhor, acrescentar trechos e clarear um pouco algumas cenas ou situações. Não houve cortes drásticos de nada.

Quando a Vitória me disse que enviaria Sol de limão para a Aleph, no começo de 2025, eu nem alimentei as esperanças. Escrevo a tempo suficiente pra não fazer mais isso. Fiquei na minha e meio que tirei isso da minha cabeça pelas semanas seguintes. Foi então que ela me avisou que a Luara França queria conversar comigo porque ela queria o livro. E eu: O____O. Ainda estou esperando pelo Sérgio Mallandro aparecer e berrar "IEIÉ, RÁAA, GLU-GLU, É uma pegadinha do Mallandro!! Conheço o trabalho da Aleph faz tempo e o único autor nacional que a editora tinha publicado era o André Vianco. Foi então que soube do projeto de lançar vários autores nacionais ao mesmo tempo, a tempo da Bienal do Livro de São Paulo, em setembro de 2026.

Mas em 2025, quando o processo de edição da Luara, da Aleph, começou, eu estava um caco. Sem brincadeira, eu chegava em casa como se tivesse passado o dia numa obra, enchendo laje o dia todo. Isso me deixou em pânico, porque o tempo estava passando e eu sabia que a Luara precisava das minhas correções. Felizmente, tanto a Vitória como a Luara me pegaram pela mão, me acalmaram e o processo fluiu. Sofro de síndrome de impostor? Sofro. Mas faz muita diferença ter profissionais do seu lado pra te ajudar.

A arte da capa ficou nas mãos de Rafael Sarmento, que parece ter o poder de olhar dentro da minha cabeça, pois a capa ficou lindíssima e com cores que gosto muito. Meu maior medo é que tivesse tons de verde, por causa do título! Aliás, ele pegou uma cena extremamente importante do livro e você vai ter que ler pra descobrir por quê.

Por muito tempo, os autores nacionais de ficção especulativa (aqui abro um termo guarda-chuva para englobar ficção científica, fantasia e terror) tiveram que se autopublicar, financiar seus livros em plataformas coletivas ou lançar por microeditoras. E não é uma estrada fácil de seguir quando você tem que escrever o livro, revisar, diagramar, editar, pensar na capa, e depois ainda pensar na publicação e em como chegar nos leitores. Como resultado, muitos autores acabavam circulando dentro de uma bolha literária, mas não chegavam às prateleiras das livrarias, onde há maior visualização pelo público.

Quando editoras de grande porte decidem abraçar os autores nacionais, elas mandam uma mensagem clara para os leitores. Seja do gênero que for, isso fortalece a literatura do nosso país. E quando um autor é publicado, a editora percebe a demanda por essas histórias. E começa a procurar por mais escritores, por mais livros, por mais projetos. Percebe como isso forma uma corrente? A demanda aumenta, então novos nomes são chamados, (re)descobertos e começam a ganhar o tratamento que sempre mereceram.

Além de Sol de limão, outros três livros de autores nacionais incríveis sairão pela Aleph este ano e mais em 2027. Fique com os títulos e os links!


Inclusive, você encontra aqui no blog resenhas dos livros dessas três feras da nossa literatura. Quando você lê um livro nacional, você impulsiona o cenário do nosso país, garante que histórias feitas aqui no nosso puxadinho sejam conhecidas e incentiva editoras e escritores a trazer novos títulos.

Por isso, muito obrigada!

Até mais!

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