Rei Arthur (2004) é um dos meus filmes favoritos! Aqui temos uma reimaginação da lenda arturiana, mais crua e violenta da ascensão histórica de Arthur ao poder. Arthur é um líder militar romano que vê os saxões invadindo a ilha da Bretanha e a retirada dos soldados do Império, o que expõe a população local à violência dos invasores. Assim, Arthur convoca seus cavaleiros para proteger o povo e repelir a invasão, mas ninguém disse que seria fácil!

Dirigido por Antoine Fuqua e produzido por Jerry Bruckheimer, o longa custou 120 milhões de dólares e teve um retorno tímido de bilheteria, apenas 203 milhões, recebendo críticas mistas por ter mostrado Arthur não como um rei medieval e sim como um cavaleiro romano.
10. Produção
O diretor queria algo mais “sujo” e realista. Antoine Fuqua tentou fugir do estilo fantasia tipo O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. A ideia era mostrar um mundo mais brutal, político e plausível do que o mundo mágico e idealizado da lenda arturiana. Quando Fuqua pegou o projeto, ele queria Daniel Craig no papel de Arthur, mas Jerry Bruckheimer vetou a indicação, querendo Clive Owen no lugar, um ator britânico com uma presença forte e madura para uma abordagem "realista" e desmistificada da lenda. Também havia muita especulação sobre a indicação de Owen como o novo James Bond... que acabou sendo Daniel Craig. Stellan Skarsgård recusou o papel de Cerdic, o líder saxão, três vezes antes que o diretor Antoine Fuqua conseguisse convencê-lo a aceitá-lo. Fuqua nunca abordou nenhum outro ator para o papel. E o ator italiano, Ivano Marescotti, o bispo Germanus, não falava uma palavra em inglês e teve que aprender o idioma enquanto ensaiava suas cenas.Segundo relatos, Fuqua ficou bem insatisfeito com o resultado final, o que ele atribuiu à interferência da Disney. Fuqua disse sobre a experiência: "Consegui fazer o filme que queria? Não e não", diz ele sobre ambas as versões. "Comecei fazendo o filme que queria, mas isso foi antes de eles (a Disney) começarem a me controlar. Eles disseram: 'Tente não mostrar tanto sangue'. Se você concorda em fazer um filme cru, sombrio e realista, então tudo deve ser assim. Quer dizer, a história se passa na Idade das Trevas, quando as pessoas eram massacradas e sangravam por toda parte." Tanto é que existe a Versão do Diretor de Rei Arthur, mais sombria e mais sangrenta, como ele queria.
9. Plágio?
O historiador e escritor italiano Valerio Massimo Manfredi afirmou que o filme era quase um plágio de seu romance de 2002, A Última Legião, devido a diversas semelhanças entre as duas obras. Essas semelhanças incluem a reutilização de alguns tropos e acontecimentos presentes no livro e, principalmente, a tentativa de conferir credibilidade histórica aos personagens principais com o conceito de que o Rei Arthur teria origens romanas. Os eventos do filme sugerem uma teoria bastante diferente daquela em que se baseia o romance de Manfredi, na qual Artorius Castus sequer é mencionado, assim como o exército auxiliar sármata. Segundo Manfredi, o lançamento de Rei Arthur e seu fracasso comercial estiveram entre as principais causas dos problemas relacionados à adaptação cinematográfica de seu romance, que ficou em desenvolvimento por um longo período até seu lançamento em 2007, com Colin Firth no papel principal.8. Pelágio
No longa, Pelágio é um bispo que é praticamente um pai para Arthur. O Pelágio verdadeiro era um monge, que debateu com Santo Agostinho de Hipona sobre a questão teológica da relação entre graça e livre-arbítrio. O filme confunde a questão das liberdades políticas e das escolhas sociais (que não eram temas de debate político nos séculos V e VI) com o princípio do livre-arbítrio em relação a Deus. Quando Arthur informa o povo que "Vocês eram livres desde o primeiro suspiro!" ele está antecipando em cerca de mil anos a noção de que todos nascem livres, ignorando o detalhe de que seus cavaleiros foram forçados à servidão involuntária. A heresia pelagiana negava o pecado original com sua doutrina da servidão da vontade e a necessidade de cura pela graça de Deus. Pelágio também não foi executado por heresia em Roma, como o filme indica. Acredita-se que ele tenha morrido décadas antes de 467 d.C., provavelmente de velhice.7. Os saxões
No longa, os saxões desembarcam na Escócia e descem até a Muralha de Adriano, mas historicamente, eles se estabeleceram no sudeste da ilha. Além disso, a retirada do Império Romano da Bretanha aconteceu 75 anos antes do que é mostrado no filme. Os saxões foram um povo germânico originário da região norte da Alemanha e sul da Dinamarca, notáveis por sua expansão costeira, atividades de pirataria no Mar do Norte e migração para a Grã-Bretanha nos séculos V e VI.6. A Guinevere guerreira
Guinevere (Keira Knightley) é bem diferente da versão clássica das lendas arturianas. Aqui ela é uma guerreira, inspirada em povos celtas, nada a ver com a “rainha passiva da corte” que trai o rei com um de seus cavaleiros. Mas se Arthur é “talvez histórico, talvez não", Guinevere é quase certamente mítica. Não há referências histórias à sua existência. O nome “Guinevere” vem do galês Gwenhwyfar, que significa algo como “espírito branco”, “fantasma branco” ou “mulher branca”, sugerindo que ela pode ter sido uma figura mitológica celta, possivelmente ligada a temas como soberania, fertilidade e realeza. Em várias tradições celtas, o rei só governa legitimamente ao se unir a uma figura feminina simbólica (a “terra” personificada). Nesse sentido, Guinevere pode representar o próprio reino da Britânia. Já o famoso triângulo amoroso com Lancelot é bem tardio à lenda arturiana e surge bem depois, na literatura medieval francesa. Keira não gostou nadica de ver seu busto aumentado via Photoshop nos pôsteres americanos do filme.5. Batalha de Monte Badon
A última batalha do filme levou cinco semanas para ser filmada. Havia câmeras vestidos de guerreiros portando equipamentos para filmar detalhes sangrentos das lutas, bem como cavalos munidos de câmera. Essa batalha é inspirada em uma batalha real que ocorreu entre 500-504 EC, na Inglaterra. O local exato é desconhecido, mas ela é atestada por documentos históricos, como o relato de São Gildas, escrito por volta de 543-547. Ela teria sido travada entre bretões e anglo-saxões na Grã-Bretanha pós-romana no início do século VI. Foi considerada uma grande vitória para os bretões, detendo, por um período, o avanço dos reinos anglo-saxões para o oeste da ilha.4. Muralha
A réplica da Muralha de Adriano construída para o filme tinha um quilômetro de comprimento, quase 12 metros de altura, com uma passarela de três metros de largura no topo, e precisou de 300 membros da equipe ao longo de quatro meses para ser construída. O diretor Antoine Fuqua não queria usar computação gráfica para criar a muralha, pois queria que os atores pudessem vê-la e ficar em cima dela.3. Quem eram os Woads?
Os Woads são o povo que os cavaleiros de Arthur combatiam havia anos ao norte da muralha, onde seria seu território. Mas quem eram eles? O termos Woads foi criado para o filme, porque os produtores acharam que o termo Pictos não soaria legal em tela. Os pictos foram um povo real, que viveu na Escócia (aprox. 300–900 EC), ao norte da Muralha de Adriano e que de fato teria combatido os romanos. A existência de uma muralha indica que os romanos tinham muitas dificuldades com eles. Mas o fato de Merlin aparecer como um líder dos Woads é pura invenção. Já a pintura corporal azul é exagerada, pois há debate entre historiadores se os pictos realmente usavam esse tipo de pintura em combate. Picti significa "pessoas pintadas" em latim, provavelmente devido a tatuagens ou pinturas corporais. A língua falada pelos Woads é uma combinação de gaélico e galês antigos. A língua falada pelos pictos se perdeu.2. Os cavaleiros sármatas
No filme, os cavaleiros de Arthur, Tristan (Mads Mikkelsen), Gawain (Joel Edgerton), Galahad (Hugh Dancy), Bors (Ray Winstone) e Dagonet (Ray Stevenson), são guerreiros vindos das estepes da Eurásia, os Sármatas. Essa é uma ideia defendida por alguns historiadores, sugerindo que tradições desses cavaleiros poderiam ter influenciado lendas locais, incluindo histórias que mais tarde dariam origem ao ciclo arturiano. Os sármatas eram povos nômades iranianos das estepes (região ao norte do Mar Negro). No século II EC, um grupo deles de fato foi incorporado ao exército romano. Por volta de 175 EC, o imperador Marco Aurélio teria enviado cerca de 5.500 cavaleiros sármatas para a província da Britânia romana (a atual Inglaterra). Eles eram famosos por sua cavalaria pesada, algo relativamente raro entre os romanos da época. Há evidências arqueológicas e textuais de que esses soldados e seus descendentes permaneceram ali por gerações e se misturaram com a população local.1. “Baseado em uma história real”… mais ou menos
O marketing vendeu o filme como uma versão “historicamente precisa” da lenda do rei Arthur. A ideia vem de uma teoria: Arthur teria sido um comandante romano-britânico e não um rei medieval clássico. Inclusive há um rei que alguns acadêmicos acreditam que preencha os requisitos do Arthur histórico: Riothamus ou Riotamo, que lutou contra os godos numa aliança com o Império Romano em 470 EC, quando o império via suas últimas luzes se apagando. Ele é chamado de "Rei dos Bretões" pelo historiador Jordanes, do século VI, mas a extensão de seu reino não é clara.As atividades de Riothamus na Gália têm uma semelhança com a campanha gaulesa do Rei Arthur, conforme registrada pela primeira vez por Geoffrey de Monmouth em sua Historia Regum Britanniae. Já se sugeriu uma ligação entre a suposta traição de Riothamus por Arvandus e a traição de Arthur por Mordred na Historia Regum Britanniae. Também se sugere que a última posição conhecida de Riothamus foi perto da cidade de Avallon, na Borgonha (não mencionada por nenhuma fonte antiga mencionando Riothamus), que acredita-se ser a base para a conexão arturiana com Avalon.
O Arthur de Clive Owen é chamado de “Artorius” várias vezes no filme. Isso vem da hipótese de um comandante romano vindo da aristocracia, chamado Lucius Artorius Castus ser a inspiração para a figura lendária do rei medieval. Essa hipótese tem sido bastante criticada por acadêmicos arturianos, devido ao fato de o Artorius Castus histórico ter vivido bem antes do Rei Arthur, ter muito pouco em comum com as lendas arturianas e os argumentos se basearem excessivamente em especulação e pela similaridade do nome.

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