Resenha: A filha da rainha sereia, de Tricia Levenseller

Curti tanto o primeiro livro, uma aventura de piratas com uma capitã explosiva e poderosa, que logo fiquei ansiosa pelo segundo volume. Alosa está de volta com sua tripulação quase inteiramente de mulheres, em busca de um grande tesouro e de da verdade a respeito de suas origens. Será que ela vai conseguir tudo o que quer? E a que custo?

Esta resenha pode conter spoilers do primeiro livro!

O livro
Começamos nossa jornada onde o primeiro livro parou. Alosa conseguiu completar sua missão, estando com as três partes do mapa que tanto seu pai desejava. Comentei na resenha do livro anterior que Alosa não é uma mocinha em perigo, não é uma jovem virginal que treme só de pensar no rapaz que ama. Alosa é corajosa, destemida, forte e bastante passional. Seus objetivos sempre vem na frente.

Resenha: A filha da rainha sereia, de Tricia Levenseller

Posso não ter nascido no mar, mas nasci para governá-lo. Sou a filha da rainha sereia.

Antes de se dirigir para a fortaleza dos piratas, onde seu pai governa os sete mares com mão de ferro, ela precisa dar cabo de uma vingança. Outro líder pirata escapou de suas mãos, depois de torturá-la, e ela se afasta do mar, indo para terra firme em busca do safado. A operação dá certo, mas as coisas que ele lhe revela são desconcertantes. O suficiente para fazer balançar sua lealdade pelo pai, que batia na filha, a deixava nos calabouços sem água ou comida, com a desculpa de "deixá-la forte".

Os piratas são retratados com a brutalidade e o machismo que esperamos deles. Alosa é constantemente questionada por sua tripulação quase exclusivamente composta por mulheres, sempre tem sua beleza comentada e desejada, mas ela não é boba. Sabe bem onde está pisando e sabe bem a quem pertence seu coração: Riden. O rapaz era o imediato no navio do irmão, de onde Alosa voltou com a última parte do mapa. Mas ela ainda não sabe direito o que fazer com ele. Joga pela prancha? Manda desembarcar com o irmão? O que ela deve fazer?

Uma coisa que me impressionou nessa série é a violência. Tricia não poupa as descrições e as cenas com sangue e pancadaria. São cenas vívidas de lutas de espadas, com facas, socos e pontapés, canhões disparando e muita gritaria. A leitura é muito rápida e ágil, tão rápida que às vezes senti falta de um melhor desenvolvimento dos parágrafos e dos personagens. Algumas construções de frases são muito ruins, mas para quem procura uma aventura divertida, que não exija demais de quem está lendo então encontrou.

Alosa e Riden ficam o tempo todo se provocando e teve horas que o excesso de DR desses dois encheu o saco. É o tempo todo! Sério, eu entendo que eles se gostem, coisa e tal, mas acho que uma discussão sobre o relacionamento deles já basta, mas querer ficar o tempo todo sabendo o que Alosa quer da vida, sendo que ela já tem problemas demais nas mãos, cansou minha beleza. Riden é um personagem legal, mas ele foi bem chato neste livro, diferente do primeiro, em que ele está bem melhor construído.

Uma coisa que se destaca são os personagens secundários. Não quer dizer que seja de todo bom, porque em geral as vozes deles se confundiam, pela falta de desenvolvimento. A autora dá nomes para cada personagem, mesmo que ela esteja lá só pra morrer. Alguns, como Sorinda, são fantásticos. E Alosa se preocupa com suas piratas. A tripulação é sua família, ela sente cada morte, cada ferida, cada perda. Ter uma tripulação feminina faz todo sentido em um oceano cheio de sereias, capazes de afogar homens com seu canto.

A tradução foi de Marcia Blasques e está ótima. Não encontrei problemas de diagramação ou revisão nele.

Obra e realidade
Piratas são figuras conhecidas do cinema, mas em geral são sempre representados por homens. A história da pirataria, por sua vez, tem grandes mulheres piratas, que comandaram milhares de piratas. Uma das mais poderosas foi Ching Shih (1775–1844), importante pirata que atuou durante a metade de dinastia Qing na China, aterrorizando o mar da China no início do século XIX. Comandou entre 20 mil e 40 mil piratas, homens, mulheres e crianças. Foi uma das poucas capitãs piratas da história a se aposentar da pirataria, o que indica como era um ramo perigoso.

Há quem diga que Dido, a lendária fundadora da cidade de Cartago, tenha sido uma pirata, já que sua lenda envolve uma expedição marítima. Artemísia I de Cária também é considerada uma das primeiras piratas documentadas da história, tendo liderado a maior frota do Mediterrâneo. Grace O'Malley foi uma pirata irlandesa que assumiu a frota do pai após sua morte. Entre os nórdicos há muitas mulheres piratas, como a famosa Lagertha, que aparece na série Vikings. Ou seja, como se vê pirataria é coisa de mulher sim!

Tricia Levenseller

Tricia Levenseller é uma escritora norte-americana de ficção especulativa para jovens adultos.

PONTOS POSITIVOS
Alosa
Divertido
Piratas!
PONTOS NEGATIVOS

Acaba rápido!


Título: A filha da rainha sereia
Título original em inglês: Daughter of the Siren Queen
1. A filha do rei pirata
2. A filha da rainha sereia
3. Vengeance of the Pirate Queen
Autora: Tricia Levenseller
Tradutora: Marcia Blasques
Editora: Planeta Minotauro
Ano: 2023
Páginas: 288
Onde comprar: na Amazon!

Avaliação do MS?
Não esperava gostar tanto desse livro! Me diverti, gostei de navegado ao lado de Alosa e fiquei bem curiosa para o que o próximo livro trará. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


AHOY! 🏴‍☠️


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