Resenha: Princesas Dark, de Charles Perrault, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm e Jeanne Marie Leprince de Beaumont

As animações da Disney cristalizaram na mente do público a imagem das princesas em filmes açucarados onde elas encontram o amor verdadeiro depois de uma longa aventura ou resgate por um príncipe encantado. Entretanto, as animações deram uma suavizada nos enredos do contos originais aos quais muita gente não tem acesso. Pois a DarkSide preparou esta coletânea com algumas das princesas mais importantes do panteão da Disney em suas versões originais, com ilustrações sombrias do jeito que a gente gosta.





Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O livro
Os contos de fadas que a cultura pop conhece mostram, em geral, uma donzela que precisa ser resgatada pelo valoroso príncipe em um cavalo branco. Moldados para um momento muito específico e machista da cultura, eles mostram um padrão de vida que não condiz mais com a condição feminina. Muita gente desconhece, por sua vez, que os contos originais eram não apenas mais violentos, mas que também colocam a mulher na condição de protagonista.

Resenha: Princesas Dark, de Charles Perrault, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm e Jeanne Marie Leprince de Beaumont


As princesas se tornaram arquétipos e fenômenos culturais, viraram símbolo de beleza e de comportamento, mas muitas vezes o comportamento que mais nos interessa não nos é mostrado nos filmes. Por isso é importante conhecer o material original. Traduzidos de seus idiomas originais, francês, dinamarquês, alemão e chinês, os contos nos motram uma outra face daquelas belas mulheres em seus vestidos esvoaçantes.

Tolos nunca reconhecem a própria ignorância.

Página 105

Princesas Dark

Os contos traduzidos são Branca de Neve, A Pequena Sereia, Rapunzel, A Bela e a Fera, A Gata Borralheira, A Balada de Mulan, A Bela Adormecida no Bosque e A Rainha da Neve. A maioria desses contos eu já conhecia da lendária série Teatro dos Contos de Fadas, que foi ao ar de 1982 a 1987, criada pela renomada atriz norte-americana Shelley Duvall. Passando na TV Cultura nos anos 1990, os contos também suavizaram um pouco as cenas sangrentas, mas contavam as histórias na íntegra. E admito que foi um choque para mim. A Bela Adormecida era um dos meus contos favoritos, junto de A Pequena Sereia, e assisti aos filmes incontáveis vezes quando era criança.

Entendo porque eles foram suavizados, mas não concordo com a ocultação dessas partes. Os contos foram criados num contexto histórico e cultural que acabam refletidos em sua escrita. Conhecê-los na íntegra abre portas para um passado que já não é mais acessível a não ser pela literatura e por seus mitos. Os temas desses contos vão se renovando, ganhando novas camadas e significados, tratando de amor, ódio, bem e mal, cruzando barreiras e territórios.

Acompanhados pelas sombrias ilustrações de Asya Yordanova no miolo, com capa de Marina Mika, os contos estão bem traduzidos, diagramados e com poucos erros de revisão. Com apresentação de Marcia Heloisa e Nilsen Silva, o livro é curtinho e com um trabalho gráfico impecável, tal como todos os livros da caveira. Como já é de costume, ele vem em capa dura e fitilho marca-página, além de uma pintura trilateral vermelha como os lábios de Branca de Neve. Se você comprar no site da editora, ganha um brinde exclusivo com cada ilustração separadamente!


Obra e realidade
Desde muito cedo na história da humanidade, os seres humanos buscam nas histórias, nos mitos, nas lendas e fábulas uma forma de interpretação, de compreensão do mundo que nos cerca. Similares aos nossos sonhos e fantasias mais secretas, os contos de fadas falam diretamente com as pessoas. Segundo Marie Louise Von Franz:

Para mim os contos de fada são como o mar, e as sagas e os mitos são como ondas desse mar; um conto surge como um mito, e depois afunda novamente para ser um conto de fada. Aqui novamente chegamos à mesma conclusão: os contos de fada espelham a estrutura mais simples, mas também a mais básica — o esqueleto — da psique.

Princesas Dark


Charles Perrault foi um escritor e poeta francês do século XVII, conhecido como "Pai da Literatura Infantil".

Hans Christian Andersen foi um escritor e poeta dinamarquês de histórias infantis.

Jacob e Wilhelm Grimm foram dois irmãos, ambos acadêmicos, linguistas, poetas e escritores alemães conhecidos por suas fábulas infantis.

Jeanne-Marie Leprince de Beaumont foi uma escritora francesa.


Pontos positivos
Ilustrações
Contos originais
Projeto gráfico
Pontos negativos
Errinhos de revisão
Acaba logo!


Título: Princesas Dark
Autores: Charles Perrault, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm e Jeanne Marie Leprince de Beaumont
Ilustrações: Marina Mika (capa) e Asya Yordanova (miolo)
Tradutoras: Ana Vestergaard, Flora Manzione, Inty Scoss Mendoza, Marcia Heloisa
Editora: DarkSide (selo Fábulas Dark)
Páginas: 176
Ano de lançamento: 2022
Onde comprar: na Amazon ou na loja da DarkSide com um brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
O livro é uma excelente porta de entrada para todas as pessoas que desejam mergulhar nos contos de fadas sem a pasteurização da Disney. Belo e sombrio, o livro é muito bonito, está bem traduzido e nos traz algumas das mais importantes princesas da Disney em suas versões originais e macabras. Não é um livro muito extenso, dá para ler em um dia tranquilamente. Quatro aliens para Princesas Dark e uma forte recomendação para você ler também!




Até mais! 🖤


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