Resenha: O Clube do Crime das Quintas-Feiras, de Richard Osman

Eu andava com uma ressaca literária braba, começando livros e largando, e queria algo mais leve para ler. Este livro estava no meu Kindle já faz um tempo e a sinopse garantia que tinha passagens muito engraçadas. Aqui temos aposentados cheios de vida e curiosidade que se reúnem toda quinta-feira para comentar e solucionar crimes!





O livro
Elizabeth, Ibrahim, Joyce e Ron já estão aposentados. Viveram suas vidas, educaram seus filhos e agora moram em um retiro de alto padrão, em Kent, na Inglaterra, chamado Cooper's Chase. Segundo consta da agenda do retiro, às quintas-feiras eles se reúnem para discutir ópera japonesa. Mas na real mesmo, eles discutem casos antigos de crimes que ficaram sem solução, na esperança de encontrarem eles mesmos os culpados. E comem bolos, é claro. Todos os membros do clube estão acima dos 70 anos, o que achei genial, porque eles não são convencionais e não estão nem aí em quebrar regras ou contrariar a polícia. Quem é que vai prender septuagenários tão pacíficos?

Resenha: O Clube do Crime das Quintas-Feiras, de Richard Osman


Dos quatro, apenas Elizabeth não tem sua profissão esclarecida (Joyce foi enfermeira, Ibrahim foi psiquiatra e Ron foi líder sindical), mas pelas indicações dadas pelo autor, é bem possível que ela tenha trabalhado para o MI6, já que ela tira soluções da manga como ninguém e tem uma rede de contatos poderosa demais para uma simples aposentada. O clube tem um contato na polícia, com a policial Donna de Freitas, mas quem disse que eles precisam da polícia? Na verdade é a polícia que acaba precisando deles.

Cooper's Chase é um empreendimento muito bem sucedido. Assim, seu dono, Ian Ventham, quer expandir o negócio, comprando um um terreno adjacente, que antes fizera parte de um convento. O problema é que ele pisa em muitos calos de pessoas preocupadas com a perturbação do local. A coisa complica mesmo quando Ian é morto em sua casa. O Clube do Crime então entra em ação e começa a investigar o caso, sem saber que vai puxar uma linha repleta de segredos.

Independente do que digam sobre o tempo curar tudo, certas coisas na vida acabam se quebrando e não tem como ser consertadas.

A narrativa tem dois pontos de vista: um é em terceira pessoa e a outra é pelo diário escrito por Joyce. Não sei porque ele escolheu justo Joyce para narrar os fatos, mas sinto que ela é bem ponderada e curiosa, além de determinada e talvez acrescentasse a ponderação necessária ao grupo. Achei o começo um cadinho confuso, com tantos personagens de uma vez, mas depois o enredo engata e vai que é uma beleza.

Se você estiver pensando que este é um thriller de investigação com grandes mistérios e reviravoltas, longas sequências de ação e violência, esqueça. O tema gira em torno de crimes, é claro, mas é um livro divertido, até leve, já que o autor não descreve cenas grotescas com sangue e carnificina. É impossível não se pegar rindo em vários momentos, ainda que seja um humor britânico e mordaz que possa não agradar a todo mundo. O livro me divertiu bastante e me vi impossibilitada de parar a leitura até desvendar o crime. Ou melhor, crimes! Sim, tem mais de um que acaba sendo descoberto sem querer.

Mas o mais legal do livro é justamente seu grupo inusitado de protagonistas que não têm escrúpulos de usar a idade avançada como forma de conseguir informações e até de barganhar com a polícia. E os detetives do caso sabem que não podem fazer muita coisa contra eles, que estão com todas as vantagens. Esqueça a visão de idosos fazendo crochê ou tomando sol na varanda, esses senhores e senhoras são inteligentes, irônicos e muito bons no que fazem. Ibrahim é a mente científica da equipe, preciso até demais para o gosto dos outros membros e sempre vidrado na explicação científica das coisas. Ron é o cara da praticidade, aquele que considera todos suspeitos até que se encontre os responsáveis. Os policiais ficam até tontos com as entortadas que recebem dessa galera.

Depois de certa idade, você pode fazer basicamente o que quiser. Ninguém vai repreendê-lo, exceto os médicos e os filhos.

Elizabeth foi a personagem que mais gostei e leria fácil sua biografia, que deve ser incrível. Junto de Joyce, elas perambulam pela cidade em busca de pistas e fazem visitas inusitadas à policial De Freitas quando precisam de informações confidenciais da polícia. Além destes quatro, também conhecemos outras pessoas residentes do retiro que acabam se envolvendo com a investigação do grupo. Muitos segredos acumulados serão descobertos com essa investigação.

Não li o livro físico, li o ebook, mas o livro está muito bem revisado e diagramado, com tradução de Jaime Biaggio. Não encontrei problemas ao longo da leitura que flui rapidamente, com seus capítulos curtos e rápidos. Achei que o final ficou meio que em aberto, sem uma resolução de fato, mas como tem um segundo volume desse clube inusitado, talvez algumas respostas estejam nele.


Obra e realidade
Adoro livros com idosos. Acho que são um grupo bem negligenciado na ficção, aparecendo mais como coadjuvantes do que protagonistas. E muitas vezes em enredos dramáticos. Aqui não apenas eles são protagonistas como também ajudam na solução de crimes sem solução. E faz total sentido usar a experiência de vida, maturidade e inteligência desse grupo que precisa preencher seu tempo agora que estão aposentados.

Além disso, a população está vivendo mais. Os avanços da medicina e as melhores condições de vida estão estendendo a expectativa de vida das pessoas. Quem sabe no futuro, grupos como este, sejam cada vez mais comuns!

Richard Osman


Richard Thomas Osman é um comediante, produtor, apresentador de televisão, escritor e criador e co-apresentador inglês do programa de perguntas e respostas da BBC One, Pointless.

A primeira vez a gente sempre sabe qual é, certo? Mas a última, raramente.

Pontos positivos
Clube do Crime
É muito divertido
Personagens irritantes
Pontos negativos

Final em aberto


Título: O Clube do Crime das Quintas-Feiras
Título original em inglês: The Thursday Murder Club
1. O Clube do Crime das Quintas-Feiras
2. O Homem que Morreu Duas Vezes
Autor: Richard Osman
Tradutor: Jaime Biaggio
Editora: Intrínseca
Ano: 2021
Páginas: 400
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Este livro é mais uma comédia do que uma investigação criminal, mas é tão gostoso de ler, que fica difícil parar a leitura até que você chega ao final, com um gostinho de quero mais. Esses septuagenários são mordazes, inteligentes e não têm nada a perder! Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


MUITO BOM!


Até mais! 👓


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1 Comentário

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