Resenha: O Enigma de Andrômeda, de Michael Crichton

Minha relação com o Michael é complicada, pois já li vários de seus livros e apenas um deles me agradou, que é Dentes de Dragão, publicado postumamente. Acho que só curti esse porque lida com paleontologia. A Editora Aleph publicou ano passado uma nova edição do 'esgotado há muito tempo' O Enigma de Andrômeda em uma bela edição e nova tradução. Eu já tinha lido há um bom tempo esse livro e achei que seria legal fazer uma releitura.




Parceria Momentum Saga e
editora Aleph


O livro
Publicado pela primeira vez em 1969, na febre das missões espaciais, o livro fala do risco de contaminação indo para ou vindo do espaço. O governo norte-americano fora avisado do risco por um grupo de cientistas, especialistas em suas devidas áreas, que temiam a vinda de patógenos alienígenas durante as missões. Eles sugeriram um rigoroso controle e assepsia ao preparar os equipamentos para não tornar microrganismos da Terra mais resistentes, tampouco trazer algum micro viajante do espaço.

Resenha: O Enigma de Andrômeda, de Michael Crichton

Um dia, um satélite em órbita cai perto de uma pequena cidade no Arizona. Os habitantes a resgatam antes da chegada dos militares e liberam acidentalmente uma bactéria mortal, que mata em minutos, dizimando com a pequena cidade. Só existem dois sobreviventes: um velho bêbado e um bebê de colo.

Os cientistas designados para o programa Wildfire precisam, então, correr contra o tempo para descobrir o que está matando as pessoas com tamanha rapidez para impedir uma contaminação em uma grande área metropolitana ou global. Trancados em uma grande instalação de pesquisa biomédica, com rígidos protocolos de segurança e assepsia, eles investigam os dois sobreviventes e tentam isolar a tal bactéria mortal que coagula o sangue das vítimas, tornando-o algo parecido a um pó.

O fato de Michael ter sido médico faz do livro preciso em quase todas as suas explicações biológicas. O livro tem um tom de relatório confidencial, em especial pelo trabalho gráfico, então você tem a impressão de ler um arquivo secreto legítimo. Essa parte da precisão científica, que talvez seja o que mais encante os fãs de Crichton, porém não tem como salvar a questão da narrativa em si e da construção de personagens, algo em que Michael era péssimo.

Essa é uma característica intrínseca do autor, assim como sua precisão científica. Personagens rasos são difíceis de engolir e de se conectar. Mas OK, é um estilo, tem quem goste. O problema é você chegar ao final e... nada. É isso aí, nada acontece. Depois de passar por tudo aquilo, a contaminação, os estudos, os protocolos, todo o medo de que o país seja contaminado, chegamos ao final e PLOFT! O livro foca nessa investigação e nem é o primeiro a fazer isso, mas outros autores conseguiram fazer uma exploração muito mais interessante e instigante, como Encontro com Rama.

A edição da Aleph está lindíssima, com um belo trabalho gráfico, pintura trilateral e uma ótima tradução de Fábio Fernandes. Não há grandes problemas de revisão ou tradução no livro.


Ficção e realidade
A preocupação com a contaminação vindo ou indo para o espaço é muito pertinente, tanto que decidiram sacrificar a Cassini com medo que ela pudesse cair por engano em algum lugar que pudesse abrigar vida. Assim como missões espaciais que coletam material precisam de uma rigorosa assepsia para não contaminar o ambiente externo, precisa também de um isolamento e uma quarentena ao chegar à Terra. Não temos evidências concretas de vida fora do nosso planeta e não temos como mensurar como um organismo se comportará em um novo ambiente.

Além disso, se vamos mesmo colonizar o espaço temos que pensar que nossos corpos são também agentes contaminantes, com cerca de 100 trilhões de microrganismos. Onde quer que nos estabeleçamos no futuro, os lugares intocados serão mudados para sempre apenas com a nossa chegada.

Michael Crichton por Jonathan Exley

Michael Crichton foi um escritor, roteirista, diretor de cinema, produtor e ex-médico norte-americano, conhecido por seus livros de ficção científica. Teve vários de seus livros adaptados para o cinema e vendeu mais de 200 milhões de livros pelo mundo. Ele faleceu em 2008 devido a um linfoma.


Pontos positivos

Rigor científico
Ciência bem escrita
Pontos negativos

Personagens rasos
Final em aberto

Título: O Enigma de Andrômeda
Título original em inglês: The Andromeda Strain
1. O Enigma de Andrômeda
2. The Andromeda Evolution (dezembro 2019)
Autor: Michael Crichton
Tradutor: Fábio Fernandes
Editora: Aleph
Páginas: 304
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Tudo o que lida com as questões de saúde é assustador, pois a segurança biológica é necessária e nem sempre seguida por empresas e pessoas. Algo vindo do espaço é ainda tão ou mais preocupante, pois produzir vacinas e soros leva tempo, o que pode ceifar vidas enquanto a cura é buscada. É só uma pena que o livro fique maçante, em especial perto do final. Ele até começa bem, aí fica bem chato e termina abruptamente. Uma pena. Três aliens para Crichton.



Até mais!


As melhores ofertas em celulares!

COMPARTILHE

Seja o primeiro a comentar.

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, com Desconhecido ou Unknown no lugar do nome, em caixa alta, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.

O mesmo vale para comentários:

- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.

A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.