Another Life (2019) é tão ruim que chega a ser engraçada

A Netflix tem investido em muitas produções de ficção científica em sua plataforma. No entanto, algumas delas acabam antes mesmo de poder mostrar a que vieram ou a ponto de engajar expectadores. A série The OA, que teve uma segunda temporada muito bem comentada, não vai sobreviver o bastante para ver o raiar do dia em uma terceira temporada. Nightflyers mal respirou e a segunda temporada também não vingou. Mas se tem uma série que definitivamente não deveria ganhar uma segunda temporada, essa série é Another Life.



Another Life (2019) é tão ruim que chega a ser engraçada

Em um futuro próximo, uma nave alienígena pousa na Terra e se torna uma torre cristalina incomunicável. Seis meses depois, sem conseguir estabelecer nenhum contato com ela, uma nave chamada Salvare é despachada para o espaço na tentativa de chegar em um planeta, Pi Canis Majoris, que está há 95 anos-luz de distância e vem trocando sinais com o aparato alienígena na Terra. Para comandar a Salvare, a comandante Niko Breckinridge (Katee Sackhoff) é indicada, o que desagrada o capitão atual da nave.

Admito que só comecei a assistir a série por causa de Katee, que interpreta em Battlestar Galactica uma das minhas personagens favoritas, a Starbuck. Mas a diferença entre uma personagem e outra não poderia ser mais gritante. Enquanto Starbuck é brilhantemente interpretada, Katee parece atuar com uma das mãos atadas nas costas. Não sei sé um problema de roteiro ruim, direção ou ambos, mas sua personagem Niko é muito ruim. Não tem desenvoltura, não tem carisma, tem a simpatia de uma porta. Acho que miraram em uma capitã que tivesse figura de autoridade, um tanto distante de seus tripulantes, mas definitivamente não conseguiram.

Quando Niko é tirada da hibernação, é aí que a gente conhece a tripulação. E descobre também que o RH das empresas de ficção científica precisam seriamente passar por uma renovação, pois depois de Alien Covenant, essa é a tripulação mais incompetente da galáxia. A começar que o agora segundo em comando, o capitão anterior, parece ter um problema com hierarquia, pois logo de cara, quando discorda da Niko, que toma uma decisão de comando, ele já ataca sua capitã e a coloca na hibernação. Poxa, cara, perfeito, hein?

Michelle Vargas (Jessica Camacho) interpreta o já batido e danoso estereótipo da latina quente e barraqueira e ela faz barraco o TEMPO TODO. E ainda dá uma explicação pra lá de sem noção do porque a nave ter tripulantes entre os 20 e 30 anos: de que os 27 anos são uma idade amaldiçoada e que depois dessa idade todo mundo fica mais cauteloso e covarde para missões tão perigosas como aquela. Ahhh, não, sério mesmo que essa é a explicação para a quantidade de bobagem que esse povo faz?

Se essa é a missão mais importante da humanidade, não deveria estar cheia dos melhores e mais brilhantes especialistas, pessoas capazes de trabalhar sob pressão e que não ataquem seu oficial superior por qualquer discordância? Sei lá, né? Talvez eu esteja exigindo demais. Mas sei que colocar um jovem senador, filho de outro político, sem nenhuma experiência no espaço em uma nave que vai para um outro sistema solar, é uma decisão pra lá de idiota.

A tripulação passa a maior parte do tempo flertando ou discutindo. É uma série de erros de roteiros que me levam a crer que quem escreveu esses episódios nunca teve experiência com ficção científica na vida, pois todas as situações dos episódios são absolutamente clichês e mal feitas. Nada contra o clichê, mas ele precisa ser bem trabalhado. Ou você acaba vendo episódios como os que vemos em Another Life, com uma tripulação despreparada, que se irrita fácil, desobedece ordens do comando e comete todo tipo de erro possível, como tirar os capacetes para respirar um ar alienígena sem nem ao menos mandar analisar para saber se é seguro.

Trabalhando com temas já bem recorrentes dentro da ficção científica, é preciso encontrar maneiras inovadoras de contar tais histórias e Another Life não conseguiu. Alguns episódios são muito semelhantes a Star Trek, de onde a série bebe da fonte de garrafada. Dois personagens valem à pena ser mencionados, que é a inteligência artificial da nave, William (Samuel Anderson), e o médico não-binário, Zayn Petrossian (JayR Tinaco), que fazem um bom trabalho com roteiros tão ruins. De resto, a série peca até mesmo nas premissas mais básicas.

Por exemplo, os personagens mencionam que a Terra passou por significativas mudanças climáticas por conta do aquecimento global. Água, comida, tudo isso ficou muito caro de se conseguir, o que obviamente geraria uma séria crise alimentar e aumentaria a pobreza. Vemos isso na série? Não! Vemos belos subúrbios canadenses, paisagens verdejantes. E a pobreza? E os problemas ambientais? E o aumento dos níveis dos mares? Nada disso é mostrado nem ao menos uma vez.

E quando chegamos ao final e temos a revelação sobre a vinda dos aliens e tal... Bem, não acrescenta muito ao enredo, pois é novamente algo bem batido e sem nenhuma criatividade. E é quando a capitã Niko solta a frase: "É hora de deixarmos as emoções de lado e começarmos a agir como soldados!" AGORA?? Agora não dá mais tempo de salvar nada! Sendo justa com a série, a primeira temporada de muitas séries deixa a desejar (Star Trek A Nova Geração taí que não me deixa mentir). Se Another Life for renovada para uma segunda temporada, que seus roteiristas, produtores e atores aprendam com os erros da primeira, porque não há algo memorável para se elogiar e lembrar dela nessa primeira.

Até mais!


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2 COMENTÁRIOS

  1. e é uma pena. A premissa era tão boa!
    Demoram tanto para lançar uma série de fic, mas quando sai, não são tão boas.

    Melhor rever star trek, e aguardar a próxima série.

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  2. Também comecei a assistir por causa da Katee e acabei com a sensação de "William e Zayn salvaram o rolê". Mas me divertiu por algumas horas. Verei a segunda temporada se tiver.

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