Resenha: A Heroína da Alvorada, de Alwyn Hamilton

E chegamos ao final da jornada de Amani, a Bandida de Olhos Azuis! A garota da Vila da Poeira está agora à frente da rebelião que precisa libertar seu país do domínio de um sultão perigoso e egoísta. Mas os desafios e as dificuldades são muitos. Poderia Amani ser capaz de unir a rebelião sem pagar com a própria vida? Como este é o terceiro livro de uma trilogia, pode conter alguns spoilers dos dois livros anteriores!



Parceria Momentum Saga e
Editora Seguinte


O livro
A situação da rebelião não poderia ser pior. Com as prisões de pessoas importantes para o movimento, Amani e Jin estão sozinhos, no comando. Já fique sabendo que a autora não tem dó de ninguém neste livro, então não se apegue demais a algumas pessoas. Ainda conhecendo e se aprofundando em seus poderes, Amani sente que não tem a força nem o carisma necessários para poder combater o sultão e os inimigos deste, já que alguns vão se aproveitar do momento de instabilidade política para atacar.


Mas antes de conseguir unir a rebelião e buscar um exército, eles precisam deixar a cidade, que está protegida por tecnologia djinni e qualquer pessoa que tenta se aproximar é praticamente pulverizada contra a barreira de fogo. Gostei muito da forma como Alwyn usou magia e tecnologia para criar este universo. Lembro de começar a ler e achar que seria uma história de gênios da lâmpada, mas o que encontramos na trilogia é um faroeste mágico, onde criaturas imortais e orgulhosas se misturam com os humanos, onde cavalos mágicos correm pelas areias.

Amani continua sendo a personagem mais importante neste livro, aliada a seus amigos, mas senti que aqui ela ficou extremamente repetitiva ao ter que se justificar por suas ações. Era o tempo todo essa garota tento que repetir para si mesma que ela estava fazendo algo terrível porque era necessário, coisa e tal. Amani, miga, você já está mostrando como a situação está difícil, se lamentar só vai te atrasar. Teve horas que eu revirava os olhos, porque foi demais mesmo.

Outros personagens continuam bem descritos, como Hala, Jin e Shazad. Gostei muito da forma como a autora descreve e trabalha com Jin e há também uma discussão bem legal sobre sexo, consentimento, primeira vez, que veio bem a calhar em um livro cujo principal público alvo são garotas adolescentes. Alwyn não tem medo de mudar os destinos de alguns de seus personagens e gostei de ser surpreendida por isso durante a leitura.

Um problema muito comum de determinados livros que concluem séries é que eles podem ou não fechar os enredos; fechar os ciclos. Tem livro que não consegue fazer isso e a trilogia parece ter ficado incompleta. Neste caso, Alwyn conseguiu amarrar as pontas soltas, fechar os ciclos de seus personagens e ainda avançar no tempo para contar sobre a situação do país que eles tanto lutaram para salvar. Você tem a sensação de que chegou a fim da história e que foi revigorante ler todos os livros.

Eu devia saber melhor do que ninguém a distância que separava as lendas da verdade. As histórias nem sempre eram contadas inteiras. Os monstros das histórias eram menos ferozes no mundo real; os heróis menos puros; os djinnis mais complicados.

Página 79

Não encontrei grandes problemas de tradução ou revisão, a edição em si está muito bonita, com uma linda capa vermelha com detalhes em dourado e um mapa (amo mapas!) no começo para você se situar na leitura.

Ficção e realidade
Uma obra de fantasia discutindo democracia, direitos civis, liberdade e fim da opressão? Sim, este livro e a trilogia em si discutem esses temas, tudo envelopado em um enredo ficcional. E aí quando você vê tags por aí dizendo que livros assim "não precisa pensar", é bem decepcionante. Você precisa pensar para ler qualquer coisa, ainda mais um universo ficcional. Livros são realidades paralelas que precisam no nosso cérebro para serem completas. O autor começa de um lado, você continua essa construção do outro, ao ler.

Alwyn Hamilton

Alwyn Hamilton nasceu em Toronto, mas cresceu em uma pequena cidade na França. Estudou na Universidade Cambridge, formando-se em História da Arte.

Pontos positivos
Protagonista feminina
Faroeste e fantasia
Universo bem construído
Pontos negativos

Repetitivo
Meio devagar até a primeira metade

Título: A Heroína da Alvorada
Título original: Hero at the Fall
Série: A Rebelde do Deserto
1. A Rebelde do Deserto
2. A Traidora do Trono
3. A Heroína da Alvorada
Autora: Alwyn Hamilton
Tradutor: Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 382
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: AmazonCompre A Heroína da Alvorada, de Alwyn Hamilton

Avaliação do MS?
Tinha muito medo de que este livro não conseguisse finalizar a trilogia. É um mal do qual muitas sagas padecem. Felizmente, Alwyn escreveu um terceiro livro que não é perfeito, mas que entrega o que promete e que te fazer querer chegar até o final. Amani é uma personagem cativante e sua história merece ser lida. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

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