Resenha: Febre Vermelha, de Francis Graciotto

Livros de zumbis e que se passem no Brasil me chamam a atenção imediatamente. Eu mesma escrevi um, se passando em São Paulo! O que pode acontecer no Brasil durante um apocalipse zumbi? Estamos preparados? No auge do verão e com milhares de pessoas no litoral para as festas, um navio encalha em Praia Grande. Sua tripulação foi brutalmente morta. Começa aí a correria para se salvar e chegar vivo até o final da semana.



Este livro foi uma cortesia do autor


O livro
Vários núcleos diferentes, em Santos e alguns em São Paulo, contam a história. Com o feriado de réveillon, Santos tem gente saindo pelo ladrão. Assim, as pessoas que começam a passar mal, têm febre alta e olhos injetados acabam passando despercebidas no mar de gente. Os sintomas que parecem de uma doença hemorrágica evoluem e logo os doentes passam a demonstrar agressividade e uma fome descomunal.


Uma família religiosa, cientistas, policiais, bandidagem e jovens de férias acabarão compondo um grupo que tenta sobreviver a qualquer custo. As cenas sangrentas são bem descritas e vívidas, você não terá problemas em ver o cenário de caos que vai se estabelecendo. E sabemos que caos é algo que no Brasil se instala rápido com a desorganização de nossas autoridades. Uma população em pânico acaba sendo ainda mais mortal que uma doença.

Apesar de ser bem óbvio que Francis não tentou reinventar o gênero de zumbis, pois vários signos que conhecemos deste tipo de história estão aqui e foram, em geral, bem trabalhados, os personagens precisavam de mais profundidade. Achei todos eles rasos, invisíveis, que se perdiam no meio das cenas de sanguinolência e violência. Não consegui simpatizar com nenhum deles e quando alguma característica pessoal aparecia, ela era jogada e depois não mais era relevante.

Como os apocalipses zumbis, de fato, pouco mudam de um enredo para o outro, o que nos prende em suas jornadas são os dramas de seus personagens. Esse é o segredo com The Walking Dead, por exemplo, que se concentra nas histórias do núcleo de Rick Grimes e sua vontade de sobreviver. Se os personagens falharem em se conectar com quem está assistindo ou lendo, você meio que não se importa com o que acontece com eles. Só tiro, porrada e bomba não seguram os fãs. Outra coisa de que senti falta foi o de adaptar o enredo de um apocalipse zumbi para o nosso cenário. As dinâmicas sociais e políticas aqui e nos Estados Unidos são bem diferentes e não senti mudança quanto a isso ao trazer a trama para cá.

O trabalho gráfico do livro está bem bacana. A capa branca com um rosto sangrento é direta em avisar que muito sangue vai escorrer pelas páginas. Infelizmente, a diagramação deixou a desejar. Quando um ponto de vista de um personagem saltava para o outro não há nenhum parágrafo que separe os dois. Essa é uma falha grave, pois tira a concentração do leitor que está imerso na cabeça de um personagem e, de repente, cai em outra sem nenhum aviso. Isso me fez perder informações cruciais várias vezes, porque eu tinha que voltar e reler o parágrafo novamente.

Encontrei alguns erros de digitação que não chegam a atrapalhar a leitura em si, vale uma nova revisão para uma próxima edição. Quem quiser mais informações sobre o universo criado pelo autor e mais histórias sobre os sobreviventes, encontra contos na página do autor no Wattpad.

Ficção e realidade
O apocalipse zumbi que costumamos ver em The Walking Dead seria bem diferente se acontecesse aqui no Brasil. Para começar, lá existem lojas de armas em cada esquina e aqui não. As armas de fogo no nosso país estão concentradas nas mãos de três organizações: a polícia, as Forças Armadas e o crime. Você, cidadã comum, não botaria a mão naqueles grandes rifles que vemos com a patota de Rick Grimes. Portanto, é bem possível que aqui essas três organizações acabassem formando milícias desertoras, já que o governo não conseguiria lidar com a infecção e eles passassem a ser o poder dominante.

Infelizmente sabemos que o poder corrompe. E ter o poder absoluto como aconteceria nesse caso, corromperia absolutamente. Imagino que os sobreviventes teriam muitos problemas com essas três entidades exercendo poder de vigilância, proteção, governo, juiz e júri.

Pontos positivos
Zumbis
Se passa no Brasil

Pontos negativos
Personagens rasos
Erros de português
Parágrafos não batidos

Título: Febre Vermelha
Autor: Francis Graciotto
Editora: Máquina de Escrever
Ano: 2016
Páginas: 288
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Adoro enredos com zumbis, por isso gostaria muito que esse livro tivesse recebido uma execução melhor. A diagramação precisa melhorar muito para uma próxima edição e os personagens precisa de mais profundidade, pois são eles que nos motivam a continuar a leitura. Três aliens para o livro.


Até mais!

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