Costumo afirmar que ficção científica não tem que ser precisa. Ela tem que ser, pelo menos, plausível, para não cair na área da fantasia e acabar com uma explicação "mágica". Mas Arthur C. Clarke uma vez disse que, qualquer tecnologia suficientemente avançada, é indistinguível de magia. Seria essa uma descrição do elemento X?

Ficção científica é o que chamo de "gênero do espanto e da possibilidade ilimitada". Temos tantas possibilidades neste gênero, temos tantos mundos para imaginar, criar e visitar, temos tantas metáforas geniais com as quais trabalhar e tantos conflitos para ilustrar, que são poucos os gêneros dentre as artes que seja tão completo.
É uma pena que ele andou um tanto estagnado e vítima de repetitivos clichês ao longo dos anos. No cinema, a coisa não mudou muito. Temos até bons exemplos de obras nas telonas, mas em geral temos pouca variação dos mesmos temas: invasão alien, viagem no tempo, distopia. Nos livros, mesmo tendo uma invasão de YA (young adult) nas livrarias (e admito que nem tudo é bom e/ou bem escrito), temos visto autores trabalhando com temas que levam o leitor a pensar e a conjecturar.
Mas existe um componente na FC que permeia as obras, em menor ou maior grau, em maior ou menor evidência. O componente do mistério, aquele toque quase sagrado que torna a ficção científica tão interessante, o Elemento X, aquele
Este Elemento X não é fácil de explicar ou de enquadrar, porque ele é como o Bicho-Papão, de Harry Potter. Enquanto o monstro personifica o medo mais profundo do jovem aprendiz de bruxo, o Elemento X personifica as mais variadas fórmulas em diversos enredos. Ele pode ser uma tecnologia, uma pessoa, uma nave, um universo paralelo, uma fórmula científica, uma pessoa, uma entidade de energia, um Quinto Elemento.

Ele pode ser benéfico ou não. Pode chegar para destruir o planeta ou para salvá-lo. Pode ser na forma de um alienígena que usa outros seres vivos como hospedeiros (Alien), mas ele pode não matar o ser humano quando o hospeda (A Hospedeira). O Elemento X é como um pó de Pirlimpimpim moderno, um Veja Multiuso, capaz de dar à ficção científica aquilo que lhe é mais próprio: o fato de nos maravilhar e de nos fazer pensar, em geral, visando o futuro. Se a FC não for capaz de nos trazer qualquer sentimento bom e reflexão, ela é inútil. E sabemos que tem muita obra inútil por aí.
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Até mais!
Tabela periódica do cinema
What are the ingredients for great science fiction?
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