Os padrões de quem escreve - e que precisam ser quebrados

Quando a gente escreve, é comum se prender a padrões, ainda mais quando se é novo no negócio, quer impressionar e fazer as coisas direito. Existem muitas regras de escrita por aí e como elas são repetidas a exaustão em listas e mais listas, muita gente as toma como verdades absolutas. Mas existem alguns vícios, padrões e regras que simplesmente não funcionam ou que estão tolhendo nossa capacidade criativa.



Os padrões de quem escreve - e que precisam ser quebrados


Na década de 1950, a Força Aérea dos Estados Unidos mediu 4063 pilotos em 140 dimensões específicas para poder criar cockpits mais confortáveis em seus aviões. Altura, peso, largura, cintura, peito, pernas, pés, braços, mãos, tudo foi medido para poder criar o lugar perfeito para acomodar seus pilotos. Em seguida, eles pegaram as dez primeiras e principais medidas (como altura, comprimento da manga, etc.) e projetaram um cockpit onde caberia qualquer pessoa que estivesse entre 30% em cada uma dessas dimensões.

Para a infelicidade daqueles funcionários que realizaram 140 medidas em mais de 4 mil pilotos, nenhum piloto chegou a esses 30%. E conforme as dimensões diminuíam para apenas três delas para simplificar, menos de 3,5% couberam confortavelmente no cockpit. A frustração foi geral, mas eles ao menos chegaram à conclusão mais importante: não existe um piloto médio, padrão.

Esse é o problema com a média de qualquer coisa: ela é calculada, nunca é algo real. Qual o tempo de leitura média deste texto aqui? Três minutos? Dois? Cinco? Oito? De verdade? Não importa. O que importa é se o texto é bom, informativo, divertido, diferente, que agregue algo ao seu dia ou quem sabe até à sua vida. Não existem textos chatos, existem autores chatos.

Sei que os autores, em geral, se preocupam com o tamanho médio de seus textos. No mundo das redes sociais e dos microblogs de 280 caracteres, é complicado publicar textos longos, pois tendemos a achar que ninguém vai ler. É possível brincar bastante com o tamanho de textos e há até momentos em que você vai precisar escrever dentro de uma medida específica, mas se você está escrevendo um livro, não economize. Um argumento de 500 palavras é totalmente diferente de um artigo de mil palavras - e ambos são completamente diferentes de um manifesto de 5 mil palavras.

Não quer dizer que você deve escrever mais apenas por escrever mais. Mas você não deve escrever menos apenas para permanecer na média - literal e figurativamente. Não há razão para colocar limites artificiais em nós mesmos. Se você estiver escrevendo em um computador, não precisa escrever pouco, afinal não está gastando papel, certo?

Sei que pode parecer tentador escrever pouco, ainda mais para a internet. A distração, o click ao lado, tudo isso pode atrapalhar. Por isso ele precisa ser algo que segure a pessoa na leitura. O texto tem que estar bem escrito, interessante e prender a atenção de quem lê. Isso vai prender qualquer pessoa às suas palavras, acredite.

Outra coisa que escritores precisam ter em mente: não há mais nada nessa vida que já não tenha sido discutido e, principalmente, escrito. Escrever não quer dizer ser inédito. Se você olhar para os lançamentos das livrarias vai perceber que os dilemas são sempre os mesmos: amor, ódio, morte, felicidade, tristeza, opressão. Apenas se mudam cenários, enredos e personagens, mas o que os impele é sempre o mesmo.

O que importa na escrita é escrever as mesmas coisas de maneira autêntica, de apresentar os temas comuns de maneira que toque seus leitores, que seja importante e que os faça lembrar deles. Com sorte e técnica, seu texto será lembrado e favoritado por alguém. E acender essa chama no seu leitor precisa de prática e de tempo, um tempo que será usado por seu leitor.

Pense no seu texto como uma xícara de chá quentinho. Ninguém vai virar essa xícara de uma só vez, ela vai sorver o chá aos poucos, aproveitando o momento, saboreando cada gole. Oferecer esses goles com textos bem escritos e interessantes é o que faz o ofício do escritor algo que nunca se esgota e que pode sempre ser aprimorado.

Seu texto deve ser como os seres humanos são: multidimencionais, multifacetados, pessoas que querem conteúdos que façam a diferença em suas vidas. Por isso, quebre os padrões e escreva. Escreva muito.


Até mais!


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