Sempre que um livro é adaptado para as telas, a discussão começa. De que o livro é melhor, de que o longa não adaptou o livro do jeito certo, que deixou de fora muita coisa. Eu sei, você já reclamou, eu mesma já reclamei muito a respeito. Mas a real mesmo é que livro e filme são duas mídias diferentes, portanto nada será igual, nem mesmo a obra no qual o longa se inspirou. E tá tudo bem!

Recentemente saiu o trailer do longa A Odisseia, com Matt Damon e direção de Christopher Nolan. E é claro que muita gente começou a reclamar que a adaptação "não é fiel ao livro". E com apenas 1 min e 50 segundos, muita gente já está adivinhando que o filme vai ser uma bomba. É até estranho pensar que as pessoas estão reclamando de fidelidade histórica de uma obra praticamente mitológica e dizendo que estão desrespeitando o trabalho de Homero, sendo que ele nunca existiu.
Sempre que um livro favorito meu é adaptado, me preocupo se a história contada será boa e bem interpretada. E um tempo atrás eu até boicotaria o longa com medo que eles tivessem se desviado muito do material original. Mas como diz Stephen King, comparar livro com filme é como comparar maçãs com laranjas. São duas grandes fontes de entretenimento, mas são incomparáveis já que possuem ritmos e produções diferentes entre si. Ambos têm suas vantagens e desvantagens e não dá pra esperar a mesma satisfação com duas mídias diferentes.
Sem recursos visuais, os livros dependem muito da transmissão da mensagem por meio dos diálogos e pensamentos dos personagens. Isso permite ao público compreender bem não apenas o que está acontecendo na história, mas também mergulhar nos pensamentos dos personagens, um aspecto que os filmes muitas vezes têm dificuldade em capturar. Nós sentimos com eles, viajamos com eles. Os livros também tendem a estender o tempo, dando aos leitores tempo para processar e interpretar o texto. Já os filmes tendem a ser muito mais concisos, indo direto ao ponto, mas reduzindo o tempo que os espectadores têm para assimilar a história.
Os filmes são uma fonte visual de entretenimento e proporcionam ao público um apelo mais emocional, pois podem dar vida à história. Especialmente para textos mais complexos, como Shakespeare ou clássicos do século XIX, os filmes permitem que o espectador acompanhe a história com menos esforço. Muitos elementos de um filme, como música e efeitos sonoros, podem torná-lo mais "real" e ajudar a reforçar a emoção que está sendo retratada.
Eu sempre vou preferir os livros aos filmes ou séries de TV, mas às vezes um filme adaptando um livro pode ter ficado melhor. Isso aconteceu com a saga de Jogos Vorazes, por exemplo. Senti que várias decisões tomadas nos longas ficaram melhores do aquelas que li nos livros. Por exemplo, a forma como Katniss encontra o broche do tordo é totalmente diferente do primeiro livro para o primeiro filme. Effie Trinket desaparece no terceiro livro para aparecer apenas no finalzinho, mas nos dois últimos filmes da trilogia ela tem uma participação muito mais ativa. Foram mudanças benéficas para a narrativa e que os fãs receberam muito bem.
Ao se adaptar uma obra para o cinema ou para a TV, a mensagem e a história acabam chegando a mais gente. São poucos os lares brasileiros que têm livros, mas praticamente toda casa tem uma televisão. Um filme adaptando um livro tem mais chances de ser visto do que lido e leva a mensagem para muito mais gente. Sei que muitos não gostaram da série Os Anéis de Poder, mas eu adorei e ainda me senti estimulada a reler a trilogia e a ler os outros lançamentos porque conheci mais sobre esse mundo.
Como os livros costumam ser muito focados em pensamentos internos dos personagens, é difícil transformar certas cenas em imagens. Por isso vemos muitas adaptações de cenas, de personagens, de mensagens e finais. Um roteiro sempre será menor do que um livro. E é composto principalmente por diálogos. Roteiristas não têm escolha a não ser omitir alguns detalhes. Isso significa reduzir subtramas, simplificar histórias de fundo e confiar no subtexto, na narrativa visual e nas atuações dos atores para transmitir os pensamentos e sentimentos dos personagens.
Isso pode resultar em uma história que não atende às expectativas do leitor. Mas também é possível que uma narrativa na tela seja tão complexa e envolvente quanto um livro. Claro, os filmes têm limitações, mas também têm vantagens, como o fato de que todo esse meio é a personificação do princípio "mostre, não conte". Os filmes também podem diferir do material original porque os cineastas não estão tentando recriar a mesma história tim-tim por tim-tim. Eles podem querer adaptar a narrativa para o público moderno, para se adequar às tendências atuais ou para enfatizar uma interpretação específica. Como del Toro fez com Frankenstein.
Nunca pretendi bater o martelo e dizer qual mídia é melhor. Cada uma delas tem seu foco, sua especificidade, seu meio de transmitir uma mensagem e contar uma história. Acho que há espaço para todo mundo no parquinho.
Até mais!
Já que você chegou aqui...

Concordo 100% com a Capitã nesse tópico, mesmo odiando boa parte das adaptações de livros que já li 😆. Mídias diferentes... universos diferentes... públicos diferentes.
ResponderExcluirah! existem boas adaptações!!
ResponderExcluirCluba da Luta!
Jurrasic Park!!!
Blade Runner eu gosto muiiiito dos dois, mas prefiro o filme!!!