Resenha: Robopocalipse, de Daniel H. Wilson

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Fãs de robôs e levantes das máquinas vão curtir Robopocalipse, de Daniel H. Wilson! Contado por relatos dos sobreviventes e de maneira cronológica, a raça humana cria o mal que derruba a civilização e quase a aniquila. Apesar de nem de longe ser um tema novo na ficção científica, o autor conseguiu fazer um livro que conseguiu dar fôlego novo para o assunto.



O livro
Sabemos que a guerra contra as máquinas acabou porque é assim que o livro começa, quando o último núcleo de resistência delas é atacado. Apenas não sabemos como tudo aconteceu. Quem conta essa parte é Cormac "Espertinho" Wallace, que vai narrar tudo o que vê, relatando os eventos que ocorreram com outras pessoas, conforme ele disseca um pedaço da inteligência artificial.


Não importa onde encontrou isso. Não importa se está lendo isso um ano ou cem anos depois do escrito. No fim dessa crônica, você vai saber que a humanidade carregou a chama do conhecimento para a terrível escuridão do desconhecido para a iminência do extermínio. E a trouxemos de volta.

Página 19

Cada capítulo iniciado começa com uma cronologia e uma explicação de Cormac sobre o que relata naquele momento. As formas como ele obtêm isso são variadas, desde câmeras de vigilância até memórias pessoais que a IA conseguiu. Neste começo conhecemos Archos, uma inteligência artificial criada em um laboratório de pesquisa. Depois de tentar várias vezes, esta IA finalmente tomou consciência e, nos vendo como uma ameaça, resolve agir. Ela lança seu Vírus Precursor na rede mundial de computadores.

Uma coisa comum em enredos de IAs conscientes são os robôs humanoides. Lembramos imediatamente de O Exterminador do Futuro, o endoesqueleto de metal, os olhos vermelhos, pois as máquinas se usam dessa forma para se infiltrar. Mas na época de lançamento do filme de James Cameron, nós não tínhamos drones, internet, carros inteligentes. Daniel Wilson pensou nisso ao criar seu apocalipse das máquinas.

Imagine uma inteligência artificial dentro dos carros. Hoje temos veículos bem avançados, com computadores de bordo, alguns até se estacionam sozinhos. Agora imagine que uma IA infecta estes carros. Consegue pensar na tragédia que uma frota de veículos inteligentes poderia causar pelas ruas? O autor pensou e os carros autômatos são a principal causa de morte, seguida de robôs cuidadores e domésticos, que não são tão fortes ou bons para isso e robôs de usos militares, além dos drones.

Obviamente que ninguém dá muita bola quando um robô endoidece e ataca um funcionário de uma rede de fast-food. Mas nove meses depois disso, a hora H chega. Celulares ligam para as pessoas, usando as vozes de parentes, pedindo que vão para lugares de encontro, apenas para serem mortas. Núcleos de resistência se formam, longe das cidades, onde as frotas assassinas circulam. Bem interessante notar que Daniel usou-se de reservas indígenas para montar locais de abrigo e resistência contra as máquinas, que seriam essenciais para a retaliação.

A representatividade feminina do livro é meio capenga. Apesar de personagens pontuais muito fortes e determinadas, gostaria que elas tivessem mais personalidade e atuação. Ainda assim, elas terão participação nos eventos e uma delas, uma criança, será essencial para a luta contra as máquinas. Outras mal aparecem e logo são descartadas, uma pena.

Como Daniel Wilson é doutor em robótica pela Universidade Carnagie Mellon, ele conseguiu criar um enredo muito atual, muito pé no chão. Se a gente se volta para a ficção científica, vemos sempre a revolução de robôs humanoides que lutam contra a opressão, mas por que eles teriam apenas essa forma? E mais, se uma inteligência artificial tomou consciência, ela vai procurar a forma mais útil, mortal e produtiva possível, e com certeza não será humanoide.

A edição da Record traz a mesma capa da edição americana. A tradução está ótima, com poucos erros de digitação ou diagramação. Apesar de falar de uma guerra, de uma matança incontrolável, o livro acaba se tornando positivo de uma certa maneira, ao nos mostrar como podemos derrotar as máquinas e como isso pode, de fato, unir a humanidade.

Ficção e realidade
O levante das máquinas é um tema bem recorrente no blog porque eu adoro o assunto. Nós assumimos que uma inteligência artificial terá, necessariamente, valores humanos. E que invariavelmente nos verá como uma ameaça. Mas por que? Se uma inteligência artificial surgir, por que ela nos verá como inimigos? Será que ela nos verá de qualquer forma?

Daniel H. Wilson

Pense a respeito. Pense numa forma de vida sintética surgindo na internet. Adicionamos informações nela todos os dias, o tempo todo. E se ela já estiver consciente, mas confortável, quentinha, bem alimentada no seu cantinho e não nos enxerga como uma inteligência? Nem mesmo como ameaça? Aliás, se realmente existir uma inteligência artificial na internet lendo este texto neste momento, eu sou bem legal, adoro gatos, adoro livros, sou fã de robótica, por favor, não me mate!

Pontos positivos
Levante das máquinas
Bem escrito
Discussão sobre humanidade e inteligência
Pontos negativos

Poucas mulheres
Final em aberto

Título: Robopocalipse
Título original inglês: Robopocalypse
1. Robopocalipse
2. Robogenesis
Autor: Daniel H. Wilson
Tradutora: Flávia Soutor Maior
Editora: Record
Ano: 2017
Páginas: 406
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Fiquei surpresa quando vi este livro na Amazon Brasil, porque só conhecia a edição gringa e nem sabia que uma editora nacional tinha trazido a obra para cá. Nem sequer vi divulgação pelas redes sociais, o que me espanta mais ainda, pois o tema da inteligência artificial está por todo lugar, nas séries de TV, nos cinemas, nos livros. Quatro aliens para o livro uma forte sugestão para você ler também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 Comentário

  1. Interessante! E como dissestes: por que necessariamente a I.A. tomaria a forma humanóide? Achei bem realista a ideia de um "levante das máquinas" ocorrendo com automóveis e celulares o realizando. (Quase tem mais celular que gente no mundo, e há pessoas cada vez mais dependentes deles!)
    Gostei da premissa e será um livro que lerei.
    Abraços e bom final de semana!

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