O que esperar de The Orville?

quarta-feira, setembro 13, 2017

The Orville é a nova série de ficção científica do canal FOX, criada e estrelada por Seth MacFarlane. O trailer, no começo, me cativou, com algumas piadas bobas, como a de pedir para o alienígena inimigo ficar no centro da tela e etc., mas com a estreia do piloto no último domingo você não sabe bem o que está assistindo.




Centenas de anos no futuro, o personagem de Seth MacFarlane pega sua esposa na cama com um alienígena. Um ano depois, ele é chamado no gabinete do almirante para assumir o comando da Orville. Com 3 mil naves no espaço, eles precisam desesperadamente de novos capitães e ele não seria a primeira escolha, com seu histórico de bebedeira e trabalho mediano. Depois de conhecer sua tripulação, sua primeira oficial designada é ninguém menos que sua ex-esposa (interpretada pela atriz Adrianne Palicki).

Quando anunciaram a série e o trailer foi divulgado, a notícia era que seria uma paródia de Star Trek, uma comédia de ficção científica. As inspirações vindas de Star Trek estão todas lá, obviamente, já que Seth é um grande fã da franquia. Alguém que nem seja um fã ardoroso vai reconhecer o design da nave, a estrutura hierárquica, uniformes com cores que designam suas respectivas áreas, o estilo clean futurista nos móveis, nos cenários. E além disso, o próprio Seth é o capitão da Orville, um sonho realizado de qualquer fã, certo?

O que confunde o expectador ao assistir a série é que a tal da "hilariante comédia" alardeada pela Fox não é hilariante. Na verdade nem sei como classificar. Não é uma comédia, nem é drama e segundo a própria produção é algo híbrido, entre os dois gêneros. O que ela é, sem dúvida: mal escrita, com poucas piadas aproveitáveis e que deixa uma sensação de que ninguém ali sabe o que está fazendo. A personagem de Adrianne Palicki, por exemplo, é lembrada o tempo todo de que traiu o marido e ele faz questão de trazer o assunto para que toda a ponte possa ouvir, até quando está negociando com o inimigo. E seu papel é só isso, a ex-mulher do capitão.

Há também as pobres piadas, em especial aquelas que seguem o estilo de "bros before hoes", em que o navegador chama a primeira-oficial de cadela para o colega e na frente dela a elogia. É de estranhar também a extrema falta de criatividade em uma série de ficção científica que o próprio Seth disse ser algo que a TV nunca teve. Oi?, desculpa, mas o que tem de novo na sua série, Seth? Um retumbante NADA. Tudo o que está lá já foi visto em algum lugar, seja o estilo, os uniformes, o enredo e a missão. O que The Orville mostra é uma tentativa de copiar um estilo de sucesso e não consegue.

Não há nada de errado em se inspirar em Star Trek, mas se a produção não souber o que fazer com essa inspiração, você ganha um episódio de The Orville. Seth é notório por suas piadas machistas e racistas, em especial depois daquela desastrosa apresentação da cerimônia do Oscar e provavelmente vai usar os personagens da ponte para disparar algumas delas pela temporada. Um deles é um androide, interpretado por Mark Jackson, que vem de um planeta xenófobo e o outro, interpretado por Peter Macon, que vem de um planeta onde só existem homens, há só um gênero.

Há algumas coisas muito boas, como a nave em si, que tem um design muito legal (mas que de qualquer forma é muito semelhante a algumas naves de Star Trek). Os efeitos especiais são excelentes e a maquiagem dos personagens alienígenas também (Peter Macon e Halston Sage). Mas para melhorar, The Orville tem que lutar muito. Melhores roteiros já ajudariam. Escolher se vai ser uma série dramática (não, por favor!) ou se será uma comédia pastelão. E ao invés de um episódio de quase uma hora, meia hora como outras comédias escrachadas. Assim The Orville poderia encontrar uma identidade que ela ainda não tem.


De qualquer forma, se você não quiser se irritar com essa nova série, fique com as séries de Star Trek na Netflix e seja feliz. Se quiser assistir, boa sorte. Com tantas referências a Star Trek, pode ser que você ache algo para gostar na série

Até mais!

Leia também:
Seth MacFarlane’s The Orville isn't the spoof Fox advertised. It’s much weirder — and worse - Vox

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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3 comentários

  1. Cheguei no nome do Seth e já revirei os olhos, mas continuei lendo na esperança da sua opinião ser positiva, e óbvio q não me surpreendi com sua avaliação. Não sei como ainda gastam dinheiro produzindo um seriado com uma pessoa conhecidamente ridícula. Uma pena pra Star Trek ser associada a um programa desses, apesar de todos os problemas da série.

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  2. Eu estou na esperança de que fosse ser mais engraçada. E realmente, estava irritando já a situação com a ex-mulher, principalmente pq ela parecia a mais competente ali na nave...

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  3. Sybinha, confesso que nem sabia quem era Seth Mcfarlane. Vi o primeiro ep e me incomodei pra caralho. Mas a vibe Star Trek do negocio e os demais personagens me fizeram querer ver o resto, e eu gostei muito do segundo e do terceiro episódio. No segundo, ainda rola papo de traição e piada bosta, mas curti que o foco foi a Alara, apesar de ser meio genérico e pah.
    O terceiro foi bem dramático e tem duas viradas.
    Uma história que eu achei boa, o foco foi no personagem que no planeta só tem homem. E foi sobre isso. Eu achei bom.
    Por fim gostei da serie, o que mata é o protagonista. O primeiro é sofrível por cauda dele. Os demais foram melhorando pra mim.

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