Resenha: Alien Covenant (2017)

terça-feira, junho 06, 2017

Em um primeiro momento, o trailer de Covenant tinha me chamado a atenção. Depois, conforme as resenhas e análises dos críticos começaram a sair, falando da tremenda bomba que este filme é, pensei que talvez o filme não fosse tão ruim quanto Prometheus. E eu estava errada.



O filme
A nave colonizadora Covenant se dirige a um planeta remoto, Origae-6, com dois mil colonizadores em hibernação profunda e mil embriões a bordo. O ano é 2104, dez anos após a missão de Prometheus. A nave é monitorada por Walter, uma versão melhorada do androide David, que vimos em Prometheus. Uma onda de neutrinos - e eu me pergunto como que uma partícula de carga tão débil possa ter danificado a nave - atinge a Covenant, acordando a tripulação da hibernação, e matando o capitão que não conseguiu sair da cápsula a tempo. Enquanto tentam reparar os danos, eles recebem uma transmissão misteriosa de um planeta próximo, dentro da faixa habitável e que parece ter origem humana.


Tá lembrando do enredo de Alien, O Oitavo Passageiro, não tá? Pois é. Senti que Ridley Scott tentou fazer um pastiche de si próprio, com modificações pontuais para se encaixar no rastro de Prometheus. É óbvio que a Covenant vai sair de sua rota para investigar o tal lugar, é óbvio que a personagem feminina forte, Daniels, vai tentar avisar o capitão Dallas Oram de que não é certo seguir para este novo planeta, sendo que eles mal sabem o que houve lá.

Ao chegarem no tal planeta, uma parte da tripulação permanece à bordo, enquanto outra desce até a superfície para seguirem o rastro do sinal. E aqui entra a completa ineficiência do setor de recursos humanos da Companhia Weyland, que aparentemente tem dinheiro de sobra para investir em missões que acabam em desastre. Você não desce em um planeta desconhecido sem equipamento de proteção. Não importa se o planeta tem ar respirável, se está na zona habitável, se tem mata verdinha e campos de trigo, VOCÊ NÃO FAZ ISSO. Mas é óbvio que o time mais incompetente para uma missão de reconhecimento desce naquele lugar, respirando o ar fresco do local, cheio de esporos alienígenas.

Os personagens, que são vários, são uma multiplicação dos Red Shirts, de Star Trek. Você sabe que eles estão lá só para morrer, o que acontece bem rápido quando um tripulante que aspirou o esporo alienígena começa a se contorcer para o nascimento explosivo do alien. A partir daí começa correria, tiro, porrada e bomba e aparece quem? David, aquele de Prometheus que, junto de Elizabeth Shaw, se mandou com a nave dos engenheiros para sabe-se lá onde. E aqui talvez temos um - se não o único - ponto alto do filme, que é o conflito entre os dois androides, Walter e David, que conta o que tem feito todos aqueles anos.

Desde Prometheus que Ridley Scott vem tentando reacender a fórmula de sucesso de O Oitavo Passageiro, falhando miseravelmente a cada tentativa. Se em Prometheus nós tivemos cenas completamente sem noção - tipo a personagem de Charlize Theron que só sabe correr em linha reta - você vai achar em Covenant motivos diversos para dar risada diante de tanta trapalhada dessa equipe e de dar um facepalm a cada cinco minutos de longa. O diretor vem tentando replicar a personagem da Ripley e a cada tentativa, o resultado é cada vez mais desastroso. Primeiro com Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), completamente vazia de carisma em um enredo rocambolesco e depois com Daniels (Katherine Waterston), que é uma cópia ainda mais descarada, sem nenhuma das qualidades que fez de Ripley um ícone.


Ficção e realidade
Sempre me peguei pensando sobre a origem do Alien. Das duas uma: ele era original de um planeta extremamente hostil (carapaça ultra resistente, sangue ácido, atitudes predatórias) que depois foi encontrada por uma raça alienígena que tentou exterminá-los ou domesticá-los, ou; eles foram criados como arma por uma raça alienígena, que depois saiu do controle e seus criadores pegaram os ovos restantes, na tentativa de destrui-los e acabou caindo em LV-426.

Sinceridade, não sei o que Ridley Scott está tentando fazer com Alien. É uma história dele, logicamente, se ele quiser dizer que os aliens são os progenitores da Hello Kitty, ele pode, mas a forma completamente sem noção que ele tem usado para conduzir o enredo está começando a me exasperar. Nem consigo imaginar o que ele pretende fazer no próximo longa, pois a forma como Covenant terminou deixa bem óbvio que virá um próximo. Minha sugestão é: devolve o projeto do Neill Blomkamp e deixa o cara fazer o que ele queria desde o início.

Pontos positivos
Walter
Efeitos especiais

Pontos negativos
O resto


Título: Alien Covenant
Título original: Alien Covenant
Direção: Ridley Scott
Distribuição: 20th Century Fox
Data de lançamento no Brasil: 11 de maio de 2017
Duração: 2h 3m

Avaliação do MS?
Eu queria ter coisas boas para falar de Alien Covenant, mas não dá. Eu tentei achar mais, além do androide Walter e os efeitos especiais, mas não consegui. É um filme tão ruim que me choca saber que Ridley Scott preferiu isso ao projeto do Blomkamp. Dois aliens e olhe lá.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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4 comentários

  1. Assisti e tô há dias tentando achar algum ponto aproveitável do filme. Hoje, consegui; e se as experiências do Walter foram, narrativamente, uma (retro) referência ao Alien: Ressurreição? Já se salva algo...

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  2. A melhor coisa que aconteceu a Star Wars, foi a saga passar pras mãos da Disney...rsrsrs Só vou falar isso! ;-)

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    Respostas
    1. Hahahaha, uma verdade! Podiam fazer isso com Star Trek!

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  3. Quando vi aquele pessoal fazendo expedição sem traje de proteção desisti do filme. Claro que ia dar confusão naquilo. Muito previsível a história, apesar de achar interessante a relação Walter-David (que também saquei no que ia dar logo após a conversa deles). Uma pena não saberem dar uma sequência consistente ao Alien, um personagem icônico desse merecia coisa melhor.

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