Resenha: A Chegada (2016)

sexta-feira, dezembro 16, 2016

É com bastante justiça e reconhecimento que A Chegada tem sido considerado o melhor filme do ano e um dos melhores da década. Ficção científica nem sempre recebe esse reconhecimento todo. Eu já tinha lido o conto em inglês no qual o longa é baseado, The Story of Your Life, de Ted Chiang, então já sabia dos principais pontos do enredo, mas o filme conseguiu ser fiel e ainda assim surpreendente, com especial menção à atuação de Amy Adams.



O filme
A professora universitária e renomada linguista, Louise Banks (Amy Adams) tem uma vida solitária. É dedicada ao trabalho, às suas aulas e uma manhã, ao chegar para mais um longo dia de trabalho, percebe uma agitação na universidade. Sua turma estava bem reduzida, mas ela começa a aula mesmo assim, até que pedem que ligue a televisão. Naves côncavas aparecem em diversos locais do mundo, causando um temor crescente na população.

A Chegada Pôster no Sudão

Como é de se esperar em um contato com uma raça alienígena, o ser humano se desespera. Começa a corrida aos supermercados em busca de água e comida. Saques e desordem civil se espalham. Louise tenta retomar o trabalho, mas encontra uma universidade vazia. Enquanto acompanhamos a rotina solitária dela, temos flashes de seu relacionamento com a filha, desde bebê até a adolescência.

Os militares procuram por sua ajuda para tentar entrar em contato com os alienígenas. Até aquele momento ninguém conseguiu entender o que eles diziam. Assim, ela e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) se tornam os porta-vozes dos Estados Unidos. E Louise precisa ensinar nossa língua e aprender com os heptapods, os alienígenas de sete "pernas", que possuem um estranho idioma circular.

Heptapods alfabeto

A cada 18 horas, Louise e Ian entram na nave com a intenção de interagir e de aprender aquele idioma não-linear. Louise mostra palavras escritas, eles fazem aparecer os estranhos círculos na parede que os separam. Enquanto isso, o mundo mergulha no caos, no pânico e os governos decretam lei marcial e toques de recolher a fim de evitar mais desordem.

O problema de se comunicar com os alienígenas é que muita interpretação pode ser feita, inclusive errada. Quando eles chegam à conclusão de que os heptapods querem dizer "ofereço arma", os países entram em pânico, especialmente a China, que vinha mobilizando tropas. Sabemos bem como o ser humano se comporta diante do desconhecido e diante de uma raça alienígena infinitamente mais avançada que nós, esse medo se multiplica. Até mesmo os soldados, que deveriam obedecer ordens, começam a se assustar.

A fotografia do filme, junto da trilha sonora, tornam as cenas grandiosas. Em especial nas naves naquela forma de concha aberta. Temos noção do tamanho, da grandiosidade dos alienígenas, que não se parecem em nada conosco, o que aumenta a sensação de estranhamento. Em alguns momentos assumimos a visão de Louise, quando vemos os flashes de sua vida com a filha. Este é o grande ponto de compreensão para Louise sobre o que vem conversando com os heptapods, mas não posso passar daqui para dizer porque. Apenas digo que Louise é uma mulher de muita coragem.

Ficção e realidade
Alienígenas e primeiros contatos são recursos muito utilizados na ficção científica. Quando queremos enaltecer o outro, quando precisamos mostrar os conflitos com o desconhecido, os alienígenas são o recurso ideal para trabalhar. Além disso, são eles que nos fazem entender o conceito de humanidade e em A Chegada não é diferente.


A forma como os alienígenas veem o universo também ensina algo para o ser humano. De que mesmo sabendo que pode haver dor durante nossa jornada, ela ainda vale à pena ser vivida. Esquivar-se do sofrimento é abrir mão de todos os momentos maravilhosos que ainda se pode viver. Fica aí um grande ensinamento e uma lembrança constante para todos nós.

Pontos positivos
Louise Banks
Os alienígenas e seu idioma
Efeitos especiais
Pontos negativos
Pode ser meio devagar pra quem espera ação


Título: A Chegada
Título original: Arrival
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Eric Heisserer
Baseado: The Story of Your Life, de Ted Chiang
Data de lançamento no Brasil: 24 de novembro de 2016
Duração: 1h 58m

Avaliação do MS?
Não sei se você já viu ou não, mas não perca essa oportunidade de se encantar com o longa. Eu quero correr para o cinema e ver novamente. É uma obra de ficção científica, com um grande ensinamento sobre a vida e que nos coloca diante dos dilemas mundanos do dia a dia de uma forma muito poética. Cinco aliens para A Chegada e uma forte recomendação para você ver também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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4 comentários

  1. Tomara que seja melhor que o conto, que é meio básico. Agora, pelo menos,o filme já trouxe algo de bom, que é o lançamento de um livro do ganhador do Nebula e Hugo Ted Chiang. ( No livro aplausos ao conto " Torre da Babilônia " , sensacional.

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  2. Eu fui ver sem muita expectativa, com um amigo que queria muito ver por ter ouvido comparações do filme à adaptação de "Contato". Não gosto muito de "filmes de etês interagindo com americanos brancos", e me surpreendeu bastante, especialmente pelo enfoque na Louise, e a Amy Adams arrasou. Passa no Teste de Bechdel meio raspando, mas só de ter a interação mãe-filha bem retratada e central pra história já achei louvável.

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  3. Assisti o filme 2 vezes no cinema. Me tocou bastante. Me fez refletir bastante sobre os percalços pelos quais passamos na vida e nossa liberdade de escolha. Lindo e tocante.

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